MATO GROSSO
Candidatos a processo seletivo em Várzea Grande (MT) denunciam desigualdade na avaliação de títulos
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Candidatos ao processo seletivo para a contratação temporária de profissionais da educação , em Várzea Grande, região metropolitana de Cuiabá, reclamam de desigualdade na avaliação de títulos por parte da banca organizadora. O processo é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Educação, Cultura, Esporte e Lazer e é aplicado pela empresa Selecom.
Um grupo de candidatos protestou em frente à Prefeitura de Várzea Grande, nesta segunda-feira (13).
Ao g1, alguns candidatos relataram que se sentem prejudicados e questionaram os critérios de avaliação do seletivo.
A candidata Rita de Cassia, de 50 anos, relatou que enviou os documentos com mais de 400 horas de cursos e, mesmo com 27 anos de carreira, obteve 60 pontos.
O seletivo seleciona candidatos para a prestação de serviços por tempo determinado e formação de cadastro reserva na rede pública de Várzea Grande.
De acordo com o Edital 001/2021 da SMECEL, a contratação temporária de prestação de serviços por tempo determinado se destina a substituição de servidores efetivos e formação de cadastro de reserva para as Unidades Educacionais durante o ano letivo de 2022.
Foram ofertadas 955 vagas em funções de nível médio e superior, com remuneração de R$ 1.231,88 e R$ 2.164,70 respectivamente.
As vagas oferecidas no processo seletivo simplificado para o nível médio são para os cargos de técnico administrativo educacional, agente administrativo, técnico de suporte administrativo educacional, técnico de manutenção e segurança da infraestrutura escolar, técnico de manutenção da infraestrutura e higienização escolar, técnico em nutrição escolar (merendeira/o) e transporte escolar e ainda técnico de desenvolvimento educacional (TDE), técnico de desenvolvimento educacional especializado (TDEE) e técnico de desenvolvimento infantil (TDI).
Para o nível superior, as vagas oferecidas são para os cargos de professor de pedagogia, história, matemática, geografia, ciências, educação física, letras/língua estrangeira e artes.
A candidata Ana Paula Ormond Costa, de 44 anos, disse que o documento que enviou para a avaliação foi emitido pela própria secretaria e teve apenas 30 pontos, o que na avaliação dela está equivocado.
“No meu documento está que eu sou contratada desde 2006, só na escola em que eu atuo são 5 anos sem interrupção. Esse item valeria 50 pontos e me deram 30 pontos , com isso fiquei na classificação lá embaixo. Que critério é esse que eles fizeram, eu to correndo risco de ficar sem sala”, explicou.
A seleção é feita em etapa única, de avaliação de títulos, de caráter eliminatório e classificatório, de acordo com a função e pontuação. A relação de inscritos para o envio de títulos, com o resultado final do seletivo, foi divulgado em 10 de dezembro e gerou manifestação na porta da Prefeitura de Várzea Grande.
A assessoria de imprensa Várzea Grande informou que na sexta-feira se reuniu com um representante da empresa para avaliar a situação.
Por nota, a empresa informou ao g1 que muitos candidatos não se atentaram às regras do edital e não entregaram os documentos de forma correta, mas disse que em reunião com a secretaria irá analisar as reclamações dos candidatos.
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.