MATO GROSSO
Preso por estupro de menores, padre já tentou ser prefeito em MT
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Preso preventivamente pela Polícia Civil nesta quinta-feira (17) em Sinop (500 km ao Norte de Cuiabá) pela suspeita de estuprar crianças e adolescentes, o padre Nelson Koch concorreu a Prefeitura de Sorriso (397 km de Cuiabá) nas eleições de 2004 pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Na disputa, com o nome de “Padre Nelson” somou 2.432 votos, o que correspondeu na época a 9,88% dos votos válidos.
A decisão de ser candidato a prefeito contrariou a cúpula da Igreja Católica, que como “forma de punição” decidiu transferi-lo para o município de Vera (374 km de Cuiabá).
Quatro anos depois, ainda filiado ao PT, o padre Nelson Koch se articulou para ser candidato a vice-prefeito na chapa encabeçada pelo empresário Chicão Bedin, que saiu vitorioso nas urnas concorrendo pelo Partido da República (PR), atual Partido Liberal (PL).
Conforme apurado pelo FOLHAMAX, o padre Nelson Koch tinha a pretensão política de ser candidato a vice-prefeito, mantendo inclusive conversas com lideranças políticas do PT-PR e PMDB, mas foi banido pelo então bispo diocesano de Sinop, Dom Gentil Delazari. O bispo chegou a encaminhar uma carta ao padre Nelson Koch alertando que o Código dos Direitos Canônicos não permitia o ingresso de bispos e padres na política.
Dom Gentil, na carta, lembrou ao padre que uma eventual candidatura deixaria a paróquia “abandonada” e três municípios sem um líder espiritual justamente num momento em que a igreja enfrentava o problema da falta de sacerdotes.
Os crimes
A prisão do padre Nelson Koch foi cumprida por agentes da Polícia Civil na manhã desta quinta-feira (17). O religioso é suspeito de estuprar crianças e adolescentes.
Posteriormente, mãe e filho foram ouvidos na delegacia especializada. Em depoimento especial, conforme prevê a legislação, o adolescente confirmou os abusos sexuais e descreveu que o investigado cometeu os supostos atos criminosos quando o menor de idade tinha sete, 13 e 15 anos.
Outro adolescente, de 17 anos, também ouvido pela Polícia Civil, confirmou que o religioso teria, nos últimos três anos, sem a sua anuência, praticado ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia, caracterizando o crime previsto no artigo 215-A do Código Penal.
O delegado responsável pela investigação, Pablo Bonifácio Carneiro, afirmou que até agora foram identificadas duas vítimas, ambas do sexo masculino. Algumas testemunhas também foram ouvidas.
“As pessoas que sofreram, que foram abusados por esse cidadão, seja na igreja, seja na residência particular dele, se apresentem, pois é necessário ter uma punição mais severa para esses casos”, pontuou.
De acordo com o delegado, a mãe de um dos adolescentes declarou que o filho trabalha desde o ano passado na igreja liderada pelo religioso e teria sofrido abusos sexuais praticados em diferentes períodos. Em depoimento especial, o adolescente confirmou que o investigado cometeu os abusos quando ele tinha 7, 13 e 15 anos.
Outro adolescente, de 17 anos, também ouvido pela Polícia Civil, confirmou que o padre cometeu estupros contra ele nos últimos três anos. “Entrevistamos pessoas que frequentavam a igreja e dois desses adolescentes narraram abusos que começaram com passar as mãos nas nádegas, nos órgãos genitais, esse tipo de coisa. Uma das vítimas teria gravado o padre levando ela para um banheiro dentro do quarto paroquial”, contou o delegado.
FONTE/ REPOST: RAFAEL COSTA – FOLHA MAX
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.