MATO GROSSO
Quatro vereadores votam contra, mas recebem novos auxílios na Câmara de Cuiabá
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Os quatro vereadores de Cuiabá, que votaram contra o projeto de lei que garante mensalmente auxílios de até R$ 8 mil, apresentaram requerimento ao presidente da Câmara Municipal, Juca do Guaraná Filho (MDB), para receberem os benefícios ainda em janeiro. Só com o grupo de parlamentares serão gastos mais de R$ 25 mil.
Solicitaram os benefícios Dilemário Alencar (Podemos), Diego Guimarães (Cidadania), Michelly Alencar (DEM) e Edna Sampaio (PT), respectivamente. Os auxílios foram aprovados em sessão extraordinária realizada no fim de dezembro.
Com isso, os parlamentares têm o direito a auxílio-transporte, de R$ 5 mil, auxílio saúde, de R$ 1,6 mil e auxílio alimentação de R$ 1,4 mil. Dilemário e Diego solicitaram os três tipos de benefício.
Com isso, serão gastos, só com os dois parlamentares, R$ 16 mil. Já Michelly solicitou vale-alimentação e transporte, o que custará R$ 6,4 mil para os cofres públicos.
Já Edna requereu os auxílios alimentação e saúde. Os benefícios cedidos à parlamentar trarão um impacto de R$ 3 mil à Câmara Municipal.
O que dizem os vereadores
Michelly Alencar
“O auxílio-transporte é simplesmente uma recomposição. Os meus resultados mostram. Eu sou a vereadora que tem mais indicações. Ele (o auxílio) substitui o carro que eu entendo que serve para atender as necessidades da comunidade. O auxílio é uma recomposição daquilo que nós tínhamos (carro). Já o alimentação é realmente válido para os que estão todos os dias na Câmara. Se eu não aceitar, esse dinheiro vai para Câmara”.
Diego Guimarães
“Votei contra, mas eu prefiro que eu utilize para poder fazer um trabalho na Câmara Municipal em prol da sociedade a deixar na mão do Juca do Guaraná. Eu já abri mão de carro, combustível e telefone, pois eu acreditava que não precisava. Acho que não deveria ter, mas como tem eu vou utilizar para que meu gabinete continue prestando bons serviços”.
Edna Sampaio
“A minha saúde dependeu de muito mais gastos durante 2021. A quantidade de vezes que eu tive que me alimentar fora de casa é multíssimo maior antes de eu ser vereadora. Eu não vejo que tenha imoralidade nisso (nos pedidos). Eu não votei favorável, pois eu não achei justo com a população. Não vou deixar o valor dos auxílios para Câmara, porque será gasto com outras coisas”.
Dilemário Alencar
“Se (os auxílios) não forem aprovados, volta para o bolso do paletó. Nós votamos contra, assim como também o salário. O salário não tem como devolver. Eu estou avaliando a questão do transporte, porque os carros foram devolvidos. Eu prefiro usar os recursos na fiscalização a deixar voltar para o bolso do paletó”.
FONTE/ REPOST: A GAZETA
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.