POLITÍCA NACIONAL
Câmara aprova Mês da Conscientização do Parkinson em abril; acompanhe
POLITÍCA NACIONAL

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2730/20, do deputado Ricardo Izar (Republicanos-SP), que institui em abril o Mês da Conscientização da Doença de Parkinson, com uma campanha simbolizada pela tulipa vermelha. A proposta segue agora para votação no Senado.
A relatora, deputada Carmen Zanotto (Cidadania-SC), recomendou a aprovação. “Esclarecer a sociedade pode ser fundamental para a busca de ajuda médica no momento certo. Só com o diagnóstico precoce podemos oferecer o tratamento adequado”, argumentou. Ela lembrou que 11 de abril é o Dia Mundial de Conscientização da Doença de Parkinson, estabelecido pela Organização Mundial de Saúde.
Segundo estatísticas citadas pela relatora, a doença pode atingir mais de 3% da população com mais de 64 anos. “Provavelmente, são mais de 600 mil parkinsonianos no Brasil, sem contar os portadores mais jovens da doença”, estima. Ela lamentou que a doença costuma ser alvo de piadas de mal gosto.
Qualidade de vida
Carmen Zanotto lembrou que o autor da proposta foi diagnosticado precocemente com a doença há dez anos. “Ricardo Izar trouxe a experiência pessoal no olhar para todos aqueles que possam desenvolver a doença”, elogiou. Ricardo Izar agradeceu a Carmen Zanotto e outros deputados pela aprovação do projeto. “O Parkinson é muito mais do que o tremor. É a dificuldade de se locomover, falar, levantar, escovar os dentes. As famílias têm uma dificuldade de conviver com o portador de Parkinson”, relatou. Ele espera que o projeto ajude a conscientizar as famílias e melhore a qualidade de vida dos pacientes.
A deputada Soraya Santos (PL-RJ), que é coautora do projeto, destacou a importância das campanhas de saúde para alertar a população. “Precisamos fazer desta lei uma ação, que alerte as clínicas e os médicos. Que as pessoas atentas aos sinais possam se socorrer.”
SUS
O deputado Victor Mendes (MDB-MA) lamentou que grande parte dos brasileiros não tenha acesso à cirurgia que atenua os sintomas da doença. “É uma cirurgia de ponta e cara. Tenho pessoas próximas que sofrem da doença, mas tiveram oportunidade de fazer a cirurgia. Ela deve um dia estar disponível no SUS”, espera.
O deputado Pedro Uczai (PT-SC) também defendeu o aumento de profissionalização do Sistema Único de Saúde. “Precisamos pesquisar e desenvolver mecanismos de reposta a doenças como o Parkinson”, defendeu.
Ricardo Izar também lembrou que os medicamentos de tratamento do Parkinson estão em falta nas farmácias que oferecem remédios de alto custo.
Sobreposição
Apenas o deputado Tiago Mitraud (Novo-MG) fez uma ressalva ao projeto, alertando para a sobreposição da campanha com outras mobilizações no mesmo mês. “Sabemos dos impactos positivos do mês de conscientização, mas a inserção recorrente pode ser contraproducente. Passamos a ter uma sobreposição de meses de conscientização. Já temos o Abril Verde e Abril Azul. Eles vão ser inviabilizados com esta sobreposição”, disse.
O Abril Verde é uma campanha de prevenção de doenças e acidentes de trabalho. Já o Abril Azul promove a conscientização sobre o autismo.
Mais informações a seguir
Reportagem – Francisco Brandão
Edição – Wilson Silveira
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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