MATO GROSSO
Governo já repassou 250 máquinas para prefeituras, consórcios e associações
MATO GROSSO
A Secretaria de Estado de Infraestrutura e Logística (Sinfra-MT) investiu R$ 142 milhões na aquisição de máquinas que foram repassadas para prefeituras, consórcios e associações. O objetivo é equipar os municípios, para que eles tenham condições de realizar a manutenção das estradas não-pavimentadas.
No total, a Sinfra-MT comprou 250 equipamentos, sendo 158 motoniveladoras, 46 pás-carregadeiras e 46 escavadeiras hidráulicas.
Além disso, o Governo do Estado realizou pregão eletrônico para aquisição de mais 275 máquinas, sendo 80 retroescavadeiras, 70 motoniveladoras, 50 pás-carregadeiras, 30 escavadeiras hidráulicas e 45 rolos compactadores pé de carneiro. Com exceção dos rolos compactadores, que passarão por novo procedimento licitatório, os outros equipamentos foram adquiridos por R$ 125 milhões.
Para o secretário de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, a entrega de máquinas é resultado do trabalho de um governo que olha para a estruturação dos municípios. “Precisamos dessas máquinas nas estradas, melhorando a logística de Mato Grosso, não só no escoamento de grãos, mas no direito de ir e vir dos cidadãos, no transporte escolar, no transporte da saúde, das viaturas da segurança pública”, afirmou.
A importância dos equipamentos para os municípios é explicada pelo prefeito de Paranatinga, marquinhos do Dedé. A cidade tem quase 5 mil quilômetros de estradas de chão. Só a MT-130, tem mais de 340 km não pavimentados entre a sede do município e sua divisa. “É muito importante esse olhar do governo para os pequenos municípios. Paranatinga nunca teve um governo como esse, que olha para todas as áreas”, afirmou.
O mesmo cenário se repetem em outras cidades, como Nossa Senhora do Livramento, que tem 1.600 km de rodovias não pavimentadas, ou Campo Verde, com 3 mil km de estradas vicinais. “Isso exige do aparato público uma presença quase em tempo real. Essas máquinas vão facilitar a manutenção da nossa malha viária”, afirmou o prefeito de Campo Verde, Alexandre Lopes.
“A entrega dessas máquinas é um ganho fundamental. Nossa região tinha dificuldade para cuidar das estradas não pavimentadas. Agora os municípios têm uma mão para cuidar, cada vez mais, dos municípios e o consórcio cuidar das estaduais. É uma iniciativa que vai funcionar. O Governo Mauro Mendes está de parabéns por cuidar e acreditar nos consórcios”, disse a prefeita de São Félix do Araguaia, Janailza Tavares.
No momento da retirada dos equipamentos, os operadores das máquinas recebem orientações sobre a manutenção preventiva, corretiva e as garantias, assim como o funcionamento do painel e modos de operação.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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