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POLITÍCA NACIONAL

Deputados cobram retomada do pagamento de indenizações às vítimas da ditadura militar

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POLITÍCA NACIONAL

Elaine Menke/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Descumprimento da Lei 10.559/2002 – Anistiados. Eneá de Stutz e Almeida - Coordenadora do Grupo de Pesquisa Justiça de Transição, do Programa de Pós-Graduação em Direito da UnB; Autora de livros sobre Justiça de Transição no Brasil e Ex-Conselheira da Comissão de Anistia
Vitor Neiva (E) e Eneá de Stutz e Almeida, em audiência sobre a Comissão de Anistia

Participantes de debate na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados cobraram nesta terça-feira (24) a retomada do pagamento de indenizações pelo Estado às vítimas da ditadura militar. Eles criticaram a atual gestão da Comissão de Anistia, a cargo da ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Cristiane Rodrigues Brito.

Criada em 2002, com o objetivo de reparar vítimas e responsabilizar os agentes da ditadura, a Comissão de Anistia já recebeu mais de 79 mil pedidos de indenização, desse total foram arquivados 75 mil. Hoje, 3.887 pedidos aguardam análise. O órgão conta com um conselho consultivo, no entanto a decisão final cabe ao ministro.

Para o ex-secretário da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA, Paulo Abrão Pires, o atual impasse na análise dos pedidos de indenização pode prejudicar o direito das vítimas e a ideia de “apaziguamento nacional” criada pela Lei da Anistia de 1979. “Interromper ou descontinuar esse processo de reconhecimento do direito da reparação é colocar em risco as próprias bases da reconciliação nacional, às quais nós devemos a nossa transição democrática”, disse.

O especialista em Direitos Humanos afirmou que a atuação da comissão é “restritiva aos direitos e incompatível com a legislação”. Ele vê erros na postura atual, que diferencia as pessoas que participaram da resistência armada daquelas que não participaram, para fins de reparação. Segundo essa interpretação, as pessoas envolvidas no conflito armado não têm direito à indenização porque não foram vítimas.

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“Essa diferenciação não está prevista na lei nem na Constituição, que estabelece que todas as pessoas têm direito à reparação”, pontuou. “É preciso ter a postura de reparação que seja mais ampla e protetiva daquelas pessoas que foram atingidas por atos de exceção, sem desvirtuar que o ônus da prova cabe ao violador dos direitos humanos”, concluiu.

Elaine Menke/Câmara do Deputados
Audiência Pública - Descumprimento da Lei 10.559/2002 – Anistiados. Dep. Luiza Erundina PSOL-SP
Erundina: “Enquanto houver desaparecido político, continua o crime”

A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) também cobrou a retomada das reparações às vítimas. “Enquanto houver desaparecido políticos, que são 434, continua o crime”, sustentou.

O deputado Ivan Valente (Psol-SP), que teve seu pedido de indenização negado pela comissão em abril, criticou o impasse da política de reparação no Brasil, se comparado aos vizinhos latino-americanos.

“Em qualquer país da América Latina, os torturadores foram condenados, inclusive generais da ditadura argentina e chilena, à prisão perpétua. Aqui não, aqui eles são promovidos”, frisou. O deputado relatou que entrou na clandestinidade em 1971, tendo sido preso e torturado no DOI-CODI do Rio de Janeiro.

Motivação política
Ex-conselheiro da Comissão de Anistia, Vitor Neiva também criticou a política atual de anistia, observando que “o fato gerador da anistia não é o ato da vítima, mas a repressão por motivação política”.

Um dos pontos polêmicos, segundo Neiva, é a interpretação de que apenas tem direito à indenização as pessoas que participaram de greve com motivação política. Dessa forma, os pedidos poderiam ser negados por falta de prova, mesmo que a pessoa tenha sofrido durante a manifestação por ato da polícia.

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“Se o trabalhador numa realidade de hiperinflação colocasse na pauta de reivindicação que ele queria aumento de salário, ele já não tem direito à anistia, para essa comissão de anistia, porque ele só teria direito se a greve fosse para derrubar o governo”, reclamou.

Comissão de governo
Na visão da pesquisadora da UnB Eneá de Stutz e Almeida, os impasses começaram quando a Comissão de Anistia, que foi criada como uma comissão do Estado,  passou a ser uma comissão de governo. Isso, conforme ela, ficou evidente quando a comissão deixou de ser vinculada ao Ministério de Justiça, no início do atual governo.

Ela (comissão) comete uma das maiores inconstitucionalidades quando começa a afirmar que não só não houve um golpe de estado em 1964, como aqueles que na época sofreram, alguns pagaram com a própria vida, estavam na verdade em ações terroristas e subversivas, e hoje em dia essas pessoas são revitimizadas e humilhadas”, sustentou.

Elaine Menke/Câmara do Deputados
Audiência Pública - Descumprimento da Lei 10.559/2002 – Anistiados. Dep. Leonardo Monteiro PT - MG
Monteiro: Comissão fará denúncia sobre a atual política de anistia

O deputado Leonardo Monteiro (PT-MG), um dos que solicitaram a reunião, disse que o colegiado vai formular uma denúncia sobre a atual política da Comissão de Anistia para ser encaminhada aos órgãos internacionais que tratam de direitos humanos. “Vamos elaborar também uma proposta sobre o tema para o próximo governo”, disse.

Reportagem – Emanuelle Brasil
Edição – Roberto Seabra

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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