POLITÍCA NACIONAL
Câmara aprova nome de Jaime Lerner para nova ponte entre Brasil e Paraguai; acompanhe
POLITÍCA NACIONAL

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1984/21, do deputado Roman (PP-PR), que dá o nome de Jaime Lerner à nova ponte de integração Brasil e Paraguai, que está sendo construída entre Foz do Iguaçu, na região oeste do Paraná, e a cidade paraguaia de Presidente Franco. O projeto segue para sanção presidencial.
O texto foi aprovado com emenda do Senado que dá o nome de Jaime Lerner apenas ao trecho localizado no território nacional. O lado paraguaio da ponte será denominado Presidente Franco.
Arquiteto, urbanista, prefeito de Curitiba por três vezes e governador do Paraná por duas vezes, Jaime Lerner morreu em maio do ano passado. “Ele tinha como lema integrar os povos pelas suas obras. A ponte vai unir duas nações”, apontou o autor da proposta. “Os gênios começam a viver no coração das pessoas depois de sua partida. Jaime Lerner aceitava os diferentes. Figura bondosa e divertida que conquistava as pessoas. Sua obra e seu pensamento são marcas vivas que continuarão por muito tempo”, disse Roman.
Modernização e pedágios
Entre as obras de Lerner destacadas pelo deputado está a modernização do transporte público de Curitiba, o fechamento da Rua XV de Novembro e a criação de diversos parques urbanos na capital paranaense.
Apesar de ler o relatório favorável ao projeto, o deputado Sargento Fahur (PSD-PR) declarou que não concorda com a homenagem. “Com todo o respeito à memória do Jaime Lerner, eu não concordo com o nome da ponte porque este homem encheu o Paraná de pedágios”, disse.
Maior vão-livre
A obra da nova ponte de integração é uma parceria entre o governo federal, o governo do Paraná e a Itaipu Binacional. A ponte terá 760 metros de comprimento e um vão-livre de 470 metros – o maior da América Latina. Serão duas pistas simples com 3,6 metros de largura, acostamento de três metros e calçada de 1,7 metro nas laterais.
Mais de 80% do projeto já foi concluído. Faltam apenas 100,6 metros para a união do vão central entre Brasil e Paraguai.
Urgências
A Câmara dos Deputados aprovou requerimento de urgência para dois projetos:
– o Projeto de Lei 2676/21, do deputado Eros Biondini (PL-MG), que institui o Dia Nacional do Terço dos Homens. A data comemorativa celebra movimento que busca engajar na Igreja Católica homens de todas as gerações, mediante ato de fé e devoção, como estímulo fundamental à formação da família cristã e da sociedade como um todo.
– o Projeto de Resolução 79/2021, do deputado André Figueiredo (PDT-CE), que concede ao piloto de Fórmula 1 Lewis Hamilton o título de cidadão honorário do Brasil.
Os deputados Tiago Mitraud (Novo-MG), Otoni de Paula (MDB-RJ) e Erika Kokay (PT-DF) se manifestaram contra a urgência para as propostas, que, para eles, não têm a importância necessária para acelerar a tramitação no Plenário. “Sabemos que o Lewis Hamilton tem uma luta contra o racismo, mas não deveria ser a prioridade desta Casa. A prioridade deveria ser políticas para atender o povo brasileiro”, declarou Erika Kokay.
Tiago Mitraud sugeriu que a Câmara dos Deputados aprove um projeto de resolução para evitar que propostas sobre datas comemorativas e homenagens passem pelo Plenário.
Mais informações a seguir
Reportagem – Francisco Brandão
Edição – Wilson Silveira
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
-
Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
-
Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
-
Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
-
Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
-
Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
-
Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
-
Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
-
Perda de mercado para concorrentes de outros países.
-
Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
-
Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
-
Carnes bovina, suína e de frango
-
Café
-
Suco de laranja
-
Soja e derivados
-
Minério de ferro e aço
-
Aeronaves e peças da Embraer
-
Cosméticos e produtos farmacêuticos
-
Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.