MATO GROSSO
Indea certifica primeiro produto artesanal para venda em todo o Brasil
MATO GROSSO
O Governo de Mato Grosso, através do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (Indea-MT), oficializou ontem (08.02), no Diário Oficial, a concessão do primeiro produto artesanal a fazer parte do Selo Arte. O ‘Queijo Poranga’, produzido no sítio Vila Láctea, no município de Sorriso, passa a ser o primeiro produto alimentício de Mato Grosso a ter sua comercialização a nível nacional autorizada, com certificação que atesta que o alimento foi elaborado de forma artesanal, respeitando as normas sanitárias, e com característica tradicional, regional e cultural.
O “Selo Arte”, lei criada em 2018 pelo Governo Federal e que tem no Estado o Indea como o implementador, tem como principal objetivo fazer com que “produtos de alto padrão de qualidade e segurança alimentar não fiquem restritos à pequena propriedade, mas que conquistem os consumidores de outras partes do país e agreguem valor artesanal”, conforme explica a médica veterinária do Serviço de Inspeção Sanitário Estadual do Indea, Carine Baggio Cavalcante.
Com a certificação do ‘Queijo Poranga’, a expectativa é de que produtores rurais se interessem pelo tema. “Este selo é um reconhecimento ao trabalho do produtor, que agora vai poder expandir os limites comerciais dos seus produtos com respaldo sanitário e comercial. Além isso, será uma maior oportunidade de incentivar a família a permanecer no campo”, acrescenta Carine Baggio Cavalcante.
Além de queijo, o Selo Arte permite que produtos como embutidos, pescados e mel possam ser vendidos livremente em qualquer parte do território nacional, eliminando entraves burocráticos. Para os consumidores, significa maior variedade de compra itens como esses, com garantia de qualidade e a segurança de que a produção é artesanal e com respeito as boas práticas agropecuárias e sanitárias. Para ser considerado artesanal, o produto deve ser submetido ao controle do serviço de inspeção oficial (municipal, estadual ou federal), ter fabricação individualizada e genuína.
A entrega do Selo Arte é comemorada pela produtora Rita Hachiya, que começou na pecuária leiteira há 14 anos e que com o passar do tempo se encantou com a fabricação do queijo, sendo hoje a única fonte de renda dela. “No começo eu me dividia entre ser agente de saúde e a venda de leite para laticínio da cidade. Com o tempo vi que era mais rentável agregar valor ao meu leite e foi assim que a ideia de passar a fazer queijo ganhou forma. O tempo passou e a fabricação de leite passou a ser a minha especialidade”, comenta Rita.

“Hoje, o queijo que produzo é meu motivo de orgulho. Ele foi se aprimorando ao longo dos anos, com dicas dos clientes, e hoje ele é bem aceito por onde ele passa”, acrescenta a produtora de Sorriso.
O preço do quilo do ‘Queijo Poranga’ é de R$ 60, acima da média de mercado, porque, segundo Rita Hachiya se deve pela qualidade de todo o processo que a fabricação do produto. “Desde a água, ao capim, passando pelo processo de ordenha ao armazenamento, adoto práticas diferenciadas. Sei que a qualidade do meu produto começa muito antes de preparar a receita. Começa no tratamento que dispenso aos meus animais, e por isso, meu queijo é hoje considerado o melhor da região”, finaliza Hachiya.
Fonte: GOV MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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