CENTRAL DE TRANSPLANTES
Mato Grosso realiza quatro captações de órgãos em 16 dias e proporciona chance de vida a 19 pacientes de outros estados
MATO GROSSO
Em 16 dias, a Central Estadual de Transplantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) realizou quatro processos de captação de órgãos em Mato Grosso. A ação proporcionou chance de vida a 19 pacientes de seis estados.
A última captação de órgãos ocorreu na madrugada deste sábado (17.06), após autorização da doação e confirmação da compatibilidade dos receptores. A cirurgia teve início a meia-noite, no Hospital Dr. Mário Perrone, em Rondonópolis, e possibilitou a doação de um fígado, dois rins e duas córneas para pacientes de Mato Grosso, Distrito Fedral e São Paulo.
A ação foi coordenada pelas equipes de Mato Grosso e integrou profissionais de saúde de Brasília. A logística para execução do procedimento teve apoio da Polícia Militar e do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer).
Outras duas primeiras captações foram realizadas no dia 02 de junho. A terceira captação ocorreu na quarta-feira (14.06). As doações beneficiaram pacientes de Mato Grosso, São Paulo, Pernambuco, do Acre, Paraná e Distrito Federal.
“O processo de captação de órgãos demonstra toda a importância e grandeza do Sistema Único de Saúde (SUS). A SES trabalha incansavelmente na conscientização das famílias sobre doação de órgãos e na qualificação dos profissionais da saúde nesta área. Ficamos gratos em saber que uma ação tão nobre transforma a vida de pacientes de Mato Grosso e de outros estados do Brasil”, avalia o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo.

Para a secretária adjunta de Regulação, Controle e Avaliação da SES, Fabiana Bardi, esse é um trabalho árduo que exige amor, paciência e tempo das equipes.
“Nossas equipes estão capacitadas para este trabalho. Elas conduzem tudo com muito amor e dedicação para conscientizar os profissionais e familiares sobre a importância de salvar vidas por meio da doação de órgãos”, pontua.
A coordenadora da Central Estadual de Transplante, Anita Ricarda da Silva, agradece às famílias doadoras e os profissionais envolvidos.
“Nós agradecemos e parabenizamos o empenho de todos os envolvidos. Às famílias doadoras, nossos mais profundos sentimentos de gratidão e respeito. Por meio desse gesto nobre, outras pessoas terão nova condição de vida e com elas diversas famílias deixarão de sofrer a partir destas doações”, diz.
Transplantes em Mato Grosso
Atualmente, os pacientes de Mato Grosso que precisam de transplante de rim e outros órgãos, como fígado, pâncreas e coração, são encaminhados pelo serviço de Tratamento Fora Domicílio do Sistema Único de Saúde (SUS) para serem transplantados em outros Estados. Os gastos com locomoção e uma ajuda de custo para estadia e alimentação do paciente são pagos pela SES. Já o transplante de córneas pode ser feito em Mato Grosso.
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.