MATO GROSSO
Tribunais em Ação: TCE-MT como indutor de políticas públicas e Justiça Restaurativa norteiam debate de oficina sobre Educação
MATO GROSSO
A aplicação da Justiça Restaurativa como instrumento da paz na rede de ensino e a atuação do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT) para a efetividade da política pública educacional nortearam os debates da oficina com a temática Educação, realizada na tarde desta terça-feira (15), durante o Programa Tribunais em Ação. Promovido pelo TCE-MT e Tribunal de Justiça (TJMT), o encontro reúne representantes de 20 municípios da Região Sul do estado, em Rondonópolis.
Ao abrir os trabalhos, a presidente do TJMT, desembargadora Clarice Claudino da Silva, fez um breve histórico da atuação do Poder Judiciário e apresentou o novo mecanismo consensual para solução de conflitos.
Instituímos a Justiça Restaurativa, que é como se fosse a linha mestra da Justiça Tradicional, que é baseada na culpa, no castigo, por isso sistema de penas é tão bem estabelecido. A restaurativa tem outra proposta, não para anular, mas complementar esse cenário, é uma opção a mais para aqueles que realmente querem passar a limpo uma situação, tendo a vítima como protagonista, que participa de todo processo em busca de solução, cenário diferenciado, proposição principal é a pacificação.”
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Nesse contexto, da busca pelo sentimento da paz, a desembargadora convidou os municípios a implantarem a metodologia dos Círculos de Construção de Paz no ambiente escolar. “Estamos aqui para fomentar essa ideia e inspirá-los a vir conosco nessa somatória de pacificação social, quanto mais escolas, quanto mais facilitadores, mais oportunidade de ensinar as próximas gerações a ter diálogo de qualidade. A comunicação entre nós é a base de todos os relacionamentos e por isso estamos em busca de parcerias.”
Na ocasião, o coordenador do Núcleo Gestor da Justiça Restaurativa (NugJur), juiz Túlio Dualibi Alves Souza, e a assessora especial da Presidência para Justiça Restaurativa, Katiane Boschetti, também falaram sobre a metodologia e a secretária municipal de Educação de Campo Verde, Simoni Pereira Borges, e a coordenadora do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do município, juíza Maria Lucia Pratti, apresentaram os trabalhos realizados na cidade.
A Atuação do TCE-MT
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Na sequência, o coordenador do Tribunais em Ação pelo TCE-MT e presidente da Comissão Permanente de Educação e Cultura (Copec), conselheiro Antonio Joaquim, falou sobre a atuação do TCE-MT para a efetividade da política pública educacional.
“Somos juízes de contas, temos jurisdicionados, mas além de julgar, fiscalizar e auditar, temos competência consultiva, corretiva, normativa, orientativa e ouvidora. A Copec é uma novidade no Brasil, o TCE-MT resolveu ousar e criou sete comissões permanentes e essas comissões têm um trabalho à exceção do controle externo puro, ir na área consultiva, deliberativa e estratégica, ajudar a instruir políticas públicas dos gestores”, salientou.
Como exemplo, o conselheiro citou a participação na auditoria coordenada nacional para analisar a infraestrutura das escolas, que em Mato Grosso foi realizada em 45 unidades educacionais, a mobilização para consolidação de informações em apoio ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o suporte ao Gabinete de Articulação para Efetividade das Políticas de Educação de Mato Grosso (Gaepe-MT).
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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“Assinamos o Pacto Interinstitucional pela Educação na Primeira Infância no estado, fizemos a Nota Técnica sobre as filas de espera nas creches, detectamos uma deficiência de 15 mil vagas, solicitamos à Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) que assegure, por meio da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2024, recursos exclusivos para ações voltadas à resolução desse déficit e os deputados nos garantiram que será inserido no orçamento”, declarou Antonio Joaquim.
| Thiago Bergamasco/TCE-MT |
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Logo em seguida, a secretária-executiva da Comissão Permanente de Educação e Cultura, Cassyra Vuolo, apresentou os produtos que a Copec realiza, trazendo números de Mato Grosso, e anunciou o novo painel do Módulo Educação, na ferramenta Radar de Controle Público do TCE-MT, que traz todas as informações sobre as creches no estado. O membro da Copec, Volmar Bucco Junior, expos as funcionalidades do painel aos presentes na oficina.
A programação do Tribunais em Ação se estende até esta quarta-feira (16) e inclui a formação técnica de prefeitos, vereadores e servidores públicos de diversos setores, bem como o compartilhamento de informações e produtos dos tribunais que possuem relação direta com a atuação dos jurisdicionados. Ao longo de dois dias, serão realizadas mais de 30 palestras.
O encontro reúne em Rondonópolis, representantes de Alto Araguaia, Alto Garças, Alto Taquari, Araguainha, Campo Verde, Dom Aquino, Gaúcha do Norte, Guiratinga, Itiquira, Jaciara, Juscimeira, Paranatinga, Pedra Preta, Poxoréu, Primavera do Leste, Santo Antônio do Leste, São José do Povo, São Pedro da Cipa e Tesouro.
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Secretaria de Comunicação/TCE-MT
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MATO GROSSO
Especialista alerta: falta de diálogo sobre dinheiro pode comprometer a saúde financeira e até o futuro dos relacionamentos
Quando o assunto é relacionamento, muitos casais conversam sobre casamento, filhos, carreira e planos para o futuro. No entanto, uma das pautas mais importantes para a construção de uma vida a dois ainda costuma ser deixada de lado: o dinheiro.
Questões relacionadas a orçamento doméstico, dívidas, investimentos e metas financeiras frequentemente se tornam fontes de conflitos quando não são discutidas de forma transparente. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre finanças está entre os fatores que mais geram desgaste emocional e tensão dentro dos relacionamentos.
Para a professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, o problema vai além da simples organização financeira.
“Muitos casais evitam conversar sobre finanças. Isso acontece porque culturalmente associamos dinheiro a poder pessoal. Isso pode resultar em um dos parceiros esconder gastos, dívidas e receitas do outro — o que chamamos de infidelidade financeira. Situações como essa podem adicionar estresse constante e, muitas das vezes, são a razão para separações”, explica Maria Clara, da Faculdade Serra Dourada de Lorena.
Os erros financeiros mais comuns entre casais
Segundo a docente, a ausência de um planejamento financeiro compartilhado costuma levar a erros que poderiam ser evitados com uma simples conversa periódica sobre o orçamento familiar.
Entre os problemas mais frequentes está a inexistência de uma reserva de emergência para o casal. Sem esse recurso, situações inesperadas como desemprego, problemas de saúde ou despesas urgentes podem comprometer significativamente a estabilidade financeira da família.
Outro ponto de atenção são os gastos duplicados. A falta de alinhamento pode fazer com que ambos mantenham assinaturas, serviços ou despesas semelhantes sem necessidade, aumentando os custos mensais sem que percebam.
Além disso, quando cada parceiro possui expectativas diferentes para o presente e para o futuro, surgem conflitos relacionados às prioridades financeiras.
“É importante ambos serem sinceros com seus planos para o agora e para o futuro e alinharem as expectativas. Quando existe clareza sobre os objetivos, as decisões financeiras passam a fazer mais sentido para os dois”, destaca.
Transformando dinheiro em ferramenta para realizar sonhos
Embora o tema ainda seja considerado delicado para muitas pessoas, a especialista defende que falar sobre dinheiro pode se tornar um hábito positivo e até motivador.
“Quando o dinheiro vira um instrumento para realizar sonhos juntos, a conversa deixa de ser chata e vira motivadora. Por isso, conversem sobre dinheiro pelo menos uma vez por mês, coloquem como um compromisso na agenda. Não é para brigar, é para comemorar as pequenas conquistas e continuar planejando”, orienta Martins.
Ela recomenda que o casal escolha uma ferramenta de controle financeiro que funcione para ambos, seja uma planilha, aplicativo ou planner. O importante é conseguir visualizar de forma clara quanto dinheiro entra e para onde ele está sendo direcionado.
Outra estratégia é estabelecer metas compartilhadas em diferentes horizontes de tempo:
Curto prazo: viagens, lazer e experiências;
Médio prazo: aquisição de veículo, reformas ou mudanças de residência;
Longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos e independência financeira.
“Estudar sobre juros compostos e conhecer opções de investimentos também ajuda o casal a construir patrimônio de forma mais eficiente ao longo dos anos”, acrescenta.
Conta conjunta ou separada? Especialista explica qual modelo funciona melhor
Uma dúvida comum entre casais diz respeito à administração das contas bancárias. Afinal, é melhor manter tudo separado ou centralizar as finanças?
De acordo com a especialista, não existe uma fórmula única. “Não existe modelo certo ou errado. O mais importante é que a escolha esteja alinhada ao perfil, à rotina e aos objetivos do casal.”
Ela explica que contas totalmente separadas costumam funcionar bem para quem valoriza autonomia financeira, mas podem dificultar a visualização do patrimônio construído em conjunto. Já a conta conjunta oferece maior integração, embora possa gerar conflitos quando os hábitos de consumo são muito diferentes.
Por isso, o modelo híbrido tem ganhado espaço entre especialistas e casais. “O modelo híbrido costuma ser o mais recomendado porque une organização e autonomia. Uma conta pode ser destinada às despesas da casa e às metas compartilhadas, enquanto cada pessoa mantém sua conta individual para gastos pessoais”, ressalta.
Construindo o futuro juntos
Mais do que controlar gastos ou dividir contas, o planejamento financeiro a dois representa uma ferramenta para fortalecer a parceria e construir objetivos em comum.
Em um momento em que o Dia dos Namorados convida casais a refletirem sobre o futuro, a especialista reforça que falar sobre dinheiro é também uma forma de demonstrar confiança, compromisso e responsabilidade.
“Planejar finanças a dois não é sobre controlar o outro. É sobre alinhar sonhos. Quando o casal aprende a falar sobre dinheiro, está, na verdade, desenhando o futuro que quer construir junto”, conclui Maria Clara Martins.
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