MATO GROSSO
Marco Regulatório da Arborização: Cuiabá supera índice recomendado pela ONU
MATO GROSSO
Cuiabá desponta em relação ao Marco Regulatório da Arborização urbana aprovado na semana passada pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados. A Política Nacional de Arborização Urbana (Pnau) estabelece objetivos, diretrizes e instrumentos da nova política e reconhece as árvores urbanas como elementos de infraestrutura essencial e será elaborada e executada pela União e por Estados e Municípios, em regime de cooperação. Além disso, institui o Sistema Nacional de Informações sobre Arborização Urbana (Sisnau), para que os municípios incluam informações sobre arborização e utilizem esses dados em planejamentos. No entanto, Cuiabá já avançou nesse quesito e já supera o recomendado pela Organização das Nações Unidas (ONU).
O plano de manejo da Área de Proteção Ambiental (APA) do Aricá-Açú é um dos programas idealizados pela Prefeitura de Cuiabá por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável. E possui o Plano de Arborização da cidade previsto no Plano Diretor Urbano, entre outras iniciativas.
As novas mudas são de diversas espécies como a variedade de Ipês que embelezam a cidade e árvores típicas do cerrado mato-grossense: saboneteira, oiti, sombreiro, jacarandá, pata-de-vaca, bocaiuva, cajueiro e tantas outras.
Na Avenida Miguel Sutil considerada uma das principais vias da cidade, serão aproximadamente 300 árvores de Ipê de cores variadas: amarelo, roxo, branco, rosa. O replantio já começou e tem o objetivo de repor as que foram retiradas por estarem comprometidas.
O bairro Dom Aquino em uma Área de Preservação Permanente (APP) no entorno do Córrego do Gambá, na calçada e dentro do bairro o trabalho de plantio também já começou com árvores frutíferas e do cerrado.
“Temos efetuado o replantio das árvores na cidade costumeiramente e vamos avançando com o objetivo de tornar Cuiabá mais arborizada com vistas a amenizar o clima quente. A ação é a médio e longo prazo, mas não estamos inertes a realidade, estamos replantando onde for necessário e plantando onde não tem. O Córrego do Gambá, por exemplo, ganhou mudas de cerca vivas que vão proteger a área”, explicou o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável, Renivaldo Alves do Nascimento.
Quanto à APA Aricá-Açú, a implementação aguarda o lançamento do Plano Gestor, que imprescindível, pois terá poder de fiscalização e aplicação de multas em caso de descumprimento, e ainda, de exigir compensação ambiental.
Já o Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU) integra o Plano Diretor de Desenvolvimento Estratégico de Cuiabá que norteará as decisões futuras dos gestores municipais. A elaboração do Plano contou com a experiência e conhecimento de quatro professores da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), juntamente com a equipe da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano Sustentável de Cuiabá.
“A arborização também contemplará as ilhas e corredores de calor. Esses espaços foram prejudicados com a massa urbana, as construções. O desenvolvimento da cidade é importante e exige a compensação de plantio uma vez que muitas são destruídas para dar lugar a novos empreendimentos, tanto de moradia como de negócios. Mas a compensação ainda é fraca, é preciso melhorar a legislação ambiental aí teremos um enfrentamento ainda mais assertivo em relação ao calor”, explicou o diretor de projetos públicos e parcelamento do solo da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano Sustentável, Tony Schuring Siqueira. Segundo Tony, há um conjunto de ações, não só plantio, no que diz respeito a melhor qualidade climática.
O professor doutor João Vicente de Figueiredo Latorraca, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), foi um dos profissionais gabaritados que participou da elaboração do Plano de Arborização Urbana de Cuiabá, juntamente com a equipe da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano. Ele explica que muitas pessoas o têm procurado sobre o Plano querendo conhecer, sugerir, participar, de como plantar e o Plano tem esse direcionamento.
“Um plano de arborização tem muitas facetas para dar certo, mas uma delas tem que estar em todos os planos, ou seja, a participação/adesão da população. Sem isso, podemos ter o melhor plano do mundo, não vai dar certo”, ponderou o professor.
O Plano de Arborização de Cuiabá integra o Plano Diretor Estratégico da Cidade que deverá ser aprovado dentro dos trâmites legais, inclusive pela Câmara de Vereadores para depois ser transformado em Lei pelo gestor municipal.
Há que se destacar que o mapeamento do uso e cobertura do solo do perímetro urbano do município de Cuiabá descrito no Plano Diretor de Arborização Urbana (PDAU), correspondem a 7,6% da Área Urbana total do município de Cuiabá. Mas ao verificar o Índice de Área Verde (IAV por habitante), considerando o ultimo censo que aponta 718.000 habitantes para a cidade de Cuiabá, é de 27% IAV por habitantes. Ou seja, Cuiabá possui uma grande área de expansão urbana e um índice baixo de população, fator que a coloca numa posição acima do indicado como ideal pela ONU.
Além de João Vicente, também participaram da elaboração os professores doutores Hugo Barbosa Amorim, Alexandre Monteiro de Carvalho e Bruno Araújo Furtado de Mendonça, todos da UFRRJ, e o diretor de Gestão Ambiental, Felipe Vieira Dias e o diretor de projeto públicos e parcelamento do solo, Tony Schuring Siqueira, ambos da Secretaria de Meio Ambiente.
Quanto à Política Nacional de Arborização Urbana (Pnau) será analisado pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania para posteriormente ser votado no Plenário da Câmara.
PLANTIO DE ÁRVORES
Este mês a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento retomou o plantio e replantio de árvores. Até o momento já foram plantadas aproximadamente 150 mudas frutíferas, arbustos e espécies do cerrado.
Entre as áreas beneficiadas está a Praça Benjamin Eubank, no bairro Dom Aquino, que recebeu 42 mudas. Em breve outra praça da cidade receberá 100 mudas.
“A retomada da ação foi oportunizada pelas chuvas e, a perspectiva é ocupar outras áreas da cidade que estão com espaços vagos e podem ser aproveitados com espécies que oferecem sombra e frutas e outras que embelezam como os Ipês”, explicou o secretário de Meio Ambiente, Renivaldo Alves do Nascimento.
MATO GROSSO
Produtores de Rondonópolis e Lucas do Rio Verde debatem gestão e eficiência nas granjas
A gestão das equipes, a saúde dos animais e o uso de dados para orientar decisões nas granjas pautaram os Encontros Regionais da Suinocultura promovidos pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), em Lucas do Rio Verde e Rondonópolis. Realizada nos sindicatos rurais dos dois municípios, a programação reuniu produtores e profissionais do setor para compartilhar conhecimentos e discutir desafios da atividade.
Presente nas duas edições, Guto Zanata, da SerHumano Profissional, abordou boas práticas de gestão e liderança. O palestrante destacou que os investimentos em equipamentos, tecnologia e genética precisam ser acompanhados pela preparação das pessoas responsáveis pela operação. Segundo ele, a qualidade da liderança influencia diretamente a eficiência e os resultados das empresas.
“O investimento na liderança, nos gestores de cada setor, impacta diretamente no resultado que a empresa precisa ter”, afirmou Zanata. O palestrante também abordou a convivência entre diferentes gerações nas equipes e a necessidade de os gestores reconhecerem as expectativas e formas de trabalho de cada uma.
Em Lucas do Rio Verde, Marcus Rezende, da Olmix/Brasil Central, tratou dos riscos das micotoxinas, substâncias produzidas por fungos que podem estar presentes nas lavouras e durante a armazenagem dos insumos. O especialista destacou os possíveis prejuízos à reprodução, ao consumo de alimento, ao sistema digestivo e à imunidade dos suínos.
“Não importa de onde ela vem. Se ela chegar no seu suíno, ela vai causar prejuízos”, alertou Rezende. Ele reforçou a importância das boas práticas e da escolha de insumos para o controle desses riscos na produção.
A nutrição de precisão foi abordada por Daniel Graciolli, da De Heus, que apresentou o uso da modelagem na rotina das granjas. Ele explicou que o sistema GPS utiliza uma base de dados de lotes de animais para realizar projeções e apoiar o planejamento da produção.
Segundo Graciolli, a ferramenta “ajuda o produtor a tomar a decisão correta, na hora correta”. O palestrante destacou a crescente aplicação da modelagem nos sistemas de produção e sua relação com o avanço da inteligência artificial.
Em Rondonópolis, a programação incluiu a palestra “Suinocultura com menos antibióticos: o que podemos fazer?”, com Katiuscia Mota, da Feedis/Brasil Central. O tema ampliou o debate sobre os cuidados com a saúde dos animais e as estratégias para reduzir o uso de antibióticos na atividade.
O uso da modelagem para a nutrição de precisão também integrou a edição de Rondonópolis, com Marco Lubas, da De Heus. A programação contou ainda com Bruna Alves Caetano, da Tecnomerc, responsável pela palestra “Visão holística do especialista”.
Para Jair Miguel Maule, presidente da CooperMutum e participante do encontro em Lucas do Rio Verde, a realização dessas iniciativas aproxima os suinocultores e cria oportunidades de atualização e troca de experiências, inclusive em períodos de dificuldade para o setor.
“Ouvindo umas palestras, trocando umas ideias, revendo as pessoas. E mesmo na dificuldade é importante a gente estar presente”, afirmou. Maule também ressaltou a necessidade de preparar colaboradores e líderes para acompanhar as mudanças tecnológicas e as melhorias nos indicadores de produção.
Com as duas edições, a Acrismat fortalece o intercâmbio de conhecimentos entre produtores e especialistas, conectando aspectos técnicos e de gestão que se complementam no dia a dia das granjas e contribuem para a eficiência da suinocultura mato-grossense.
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