POLITÍCA NACIONAL
Secretária afirma que monitoramento de eventos climáticos já previa enchentes como a do Rio Grande do Sul
POLITÍCA NACIONAL
Em debate sobre o Plano Nacional sobre Mudança do Clima, realizado nesta quarta-feira (15) na Comissão Mista de Mudanças Climáticas, a secretária Nacional de Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente, Ana Toni, informou aos parlamentares presentes à audiência que o governo federal está empenhado em encontrar meios de neutralizar até 2050 as emissões de gases do efeito estufa no País.
Ela também cobrou respeito aos dados científicos sobre o tema, lembrando que o monitoramento de eventos climáticos já previa a ocorrência de situações extremas como as enchentes no Rio Grande do Sul.
“[Ouvindo a ciência] teríamos capacidade de não só mitigar o que é necessário, mas também fazer muitas das mudanças estruturais de adaptação e de prevenção que temos [que fazer]”, disse a secretária.
Citando a coerência dos dados científicos apontando para uma “espiral de aquecimento”, ela atribuiu a crise do clima às consequências de escolhas de modelos de desenvolvimento de décadas passadas, principalmente o uso de fontes de energia geradoras de gases do efeito estufa.
Ana Toni disse que os efeitos dessa situação “vão estar conosco por pelo menos mais 10, 20, 30, 40 anos”, e também citou o Rio Grande do Sul para citar a responsabilidade conjunta de todos os países nessa crise.
“No Rio Grande do Sul, quando acontece uma tragédia dessas, quem se importa somos nós, brasileiros. Por isso, é de nosso interesse assegurar não só que façamos nossa lição de casa, mas que todos os países façam sua lição de casa”, disse.
Prevenção
Ana Toni alertou que todas as regiões estão vulneráveis a desastres climáticos e, apresentando dados estatísticos, mostrou que a maioria dos municípios apresenta baixa capacidade de adaptação às mudanças atmosféricas. No entanto, conforme ressaltou, o Rio Grande do Sul está numa região de capacidade razoável neste aspecto, mas também tem sofrido com a tragédia das enchentes:
“Se não lidarmos com adaptação e prevenção, a gente vai estar enxugando gelo”, afirmou.
Ela sublinhou que o enfrentamento às mudanças do clima é uma das prioridades do governo federal, de modo a reinserir o Brasil no protagonismo do debate climático e mostrar a responsabilidade global do país como sexto maior contribuidor de gases do efeito estufa.
Para o cumprimento do plano de carbono neutro em 2050, segundo Ana Toni, cada segmento da economia terá que aumentar a neutralização de suas emissões, e cabe ao Legislativo o “trabalho hercúleo” de integrar os esforços de União, estados e municípios com os setores privado, acadêmico e da sociedade civil.
“Este é o nosso desafio pensando quais serão os setores que vão contribuir para esta diminuição”, disse.
Comportamento
A deputada Flávia Morais (PDT-GO) reconheceu que é preciso “trabalhar muito para dar uma resposta a esses acontecimentos que têm preocupado a todos”. A parlamentar acredita que esse é o momento oportuno para “fazer a grande virada”. “Hoje, mais do que nunca, a população, a opinião pública, já tem a consciência da necessidade de trabalharmos mudanças de comportamento”, disse Flávia.
A audiência pública da comissão mista foi presidida pela deputada Socorro Neri (PP-AC), presidente do colegiado.
Da Redação – RS
Com informações da Agência Senado
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
-
Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
-
Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
-
Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
-
Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
-
Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
-
Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
-
Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
-
Perda de mercado para concorrentes de outros países.
-
Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
-
Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
-
Carnes bovina, suína e de frango
-
Café
-
Suco de laranja
-
Soja e derivados
-
Minério de ferro e aço
-
Aeronaves e peças da Embraer
-
Cosméticos e produtos farmacêuticos
-
Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.