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Sem fiscalização não há segurança: Sintap-MT reforça a importância do controle em Mato Grosso
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Com 35 anos de história, o Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Agrícola, Agrário, Pecuário e Florestal de Mato Grosso (Sintap-MT) reafirma seu reconhecimento ao trabalho dos profissionais do Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso (INDEA/MT), órgão essencial para a saúde pública, a segurança alimentar e a credibilidade do agronegócio. Cabe ao INDEA fiscalizar rebanhos, lavouras, abatedouros e produtos, certificando a origem e a sanidade de tudo o que é produzido e consumido em nosso Estado.
Apesar dessa importância, os fiscais do INDEA enfrentam ameaças, pressões e desvalorização. Muitos atuam sob risco, em regiões remotas, lidando com interesses econômicos poderosos. Além disso, precisam resistir a tentativas de enfraquecimento institucional, como o projeto de lei apresentado pelo deputado estadual Gilberto Cattani, que dispensa a apresentação da Guia de Trânsito Animal (GTA) junto ao INDEA.
A proposta, apresentada sob o argumento de desburocratização, abre brechas perigosas para o transporte irregular de animais e o avanço da clandestinidade. A GTA não é um papel qualquer, é o documento que rastreia e comprova a sanidade do rebanho, garantindo que o alimento consumido seja seguro. Dispensá-la é fragilizar o controle sanitário e colocar em risco toda a cadeia produtiva, da fazenda ao prato do cidadão.
Os fatos recentes em Rosário Oeste mostram o que acontece quando a fiscalização é desrespeitada. Uma médica veterinária foi demitida após interditar um abatedouro clandestino, e denúncias revelaram carne sem inspeção sendo fornecida à merenda escolar. A investigação da Polícia Civil confirmou o comércio de produtos clandestinos e as condições precárias em que eram produzidos, tudo isso sob o silêncio conveniente de quem prefere o “jeitinho brasileiro” à lei.
É justamente para evitar situações como essa que o trabalho do INDEA deve ser fortalecido, não desmontado. A fiscalização agropecuária é um serviço de Estado, não um favor político. Quando se enfraquece a vigilância, abre-se espaço para o crime sanitário, para o adoecimento da população e para o descrédito do produto mato-grossense nos mercados nacional e internacional.
Ao completar 35 anos, o Sintap-MT reafirma seu compromisso com o interesse público, a ética e a segurança alimentar. Defender o INDEA é defender a vida, a economia e a reputação de Mato Grosso.
Que a sociedade entenda: sem fiscalização, não há confiança. Sem servidores valorizados, não há proteção. E sem o INDEA, não há segurança no que comemos.
Diany Dias
Presidente do Sintap-MT
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Quando o crédito vira sobrevivência
Nos últimos anos, um fenômeno silencioso vem redesenhando o cenário econômico do país: o avanço do endividamento entre os brasileiros de classe média. Tradicionalmente vista como o motor do consumo e um dos pilares da estabilidade econômica, essa parcela da população enfrenta hoje uma realidade cada vez mais desafiadora.
Dados recentes de instituições como a Confederação Nacional do Comércio (CNC) revelam que o nível de endividamento das famílias brasileiras permanece elevado. Mais do que números, esses indicadores refletem uma mudança estrutural no padrão de vida e na capacidade de planejamento financeiro de milhões de brasileiros.
O que chama atenção é que o endividamento já não se concentra apenas nas camadas de renda mais baixa. A classe média, historicamente associada à estabilidade e à capacidade de poupança, passou a recorrer com maior frequência ao crédito para manter padrões de consumo e, em muitos casos, até mesmo para cobrir despesas essenciais.
O cartão de crédito tornou-se um dos principais instrumentos dessa dinâmica. De ferramenta de conveniência, passou a representar, para muitas famílias, uma espécie de extensão da renda mensal. O problema é que, em um ambiente de juros elevados, essa estratégia rapidamente se transforma em um ciclo difícil de romper.
Outro fator relevante é o aumento do custo de vida. Despesas com educação, saúde, moradia e alimentação passaram a comprometer uma parcela cada vez maior do orçamento familiar. Ao mesmo tempo, o crescimento da renda não acompanhou essa elevação de custos, comprimindo a capacidade de poupança e ampliando a dependência do crédito.
Esse cenário gera impactos que vão além da esfera individual. Quando a classe média reduz consumo ou passa a direcionar uma parte significativa da renda para o pagamento de dívidas, toda a economia sente os efeitos. O comércio desacelera, investimentos são postergados e o dinamismo econômico diminui.
Isso não significa, necessariamente, o desaparecimento da classe média brasileira, como alguns discursos mais alarmistas sugerem. Mas é inegável que ela passa por um processo de transformação, marcado por maior vulnerabilidade financeira e por um cenário econômico mais complexo.
Diante desse contexto, torna-se essencial ampliar o debate sobre educação financeira, políticas de crédito responsáveis e estratégias que fortaleçam o poder de compra das famílias. Afinal, a saúde econômica da classe média é, em grande medida, um reflexo da própria saúde econômica do país.
Se quisermos construir um ambiente de crescimento sustentável, será fundamental olhar com mais atenção para esse grupo que, por décadas, sustentou grande parte do dinamismo econômico brasileiro.
Euclides Ribeiro é advogado especialista em recuperação judicial no agronegócio e pré-candidato ao Senado por Mato Grosso
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