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O que sua marca não negocia precisa aparecer na comunicação

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Antes de contratar uma agência, escolher um freelancer ou montar um time de marketing, o que você avalia? Experiência, portfólio e conhecimento técnico merecem atenção. Mas existe uma pergunta que precisa entrar nessa conversa: essas pessoas compreendem e respeitam os valores da sua empresa?

Quem cuida do marketing fala em nome do seu negócio. Escolhe palavras, propõe campanhas e apresenta sua empresa ao público. Você precisa ter confiança de que esses profissionais vão considerar seus princípios ao tomar essas decisões. Ao longo da construção de uma empresa, o empresário define compromissos que não está disposto a abandonar para vender. A maneira de tratar um cliente, a transparência de uma negociação e o cuidado com uma promessa revelam esses valores no dia a dia.

O time de marketing precisa conhecer esses limites. Se você não aceita pressionar um cliente com informações enganosas, isso deve orientar as campanhas. Se preza pelo respeito nas relações, precisa avaliar o tom das publicações, inclusive quando uma brincadeira parece uma boa oportunidade de chamar atenção.

É nesse ponto que entra o chamado fit cultural: a compatibilidade entre os valores da empresa e a forma de trabalhar de quem vai representá-la. Na contratação do marketing, esse critério merece tanta atenção quanto a capacidade de produzir uma boa peça ou operar uma ferramenta.

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Isso não significa procurar pessoas que concordem com você sobre tudo. Um profissional pode ter opiniões diferentes e representar sua empresa com responsabilidade. O que precisa existir é disposição para compreender seus princípios e respeitá-los nas decisões de comunicação.

Os ruídos aparecem quando essa conversa não acontece. O empresário presume que determinado cuidado é óbvio. O profissional interpreta a liberdade de criação de outra maneira. Quando a campanha chega ao público, a empresa acaba associada a uma mensagem que seu próprio gestor não aprovaria.

Uma publicação pode ter qualidade visual e estar distante daquilo que a empresa acredita. Uma campanha pode atrair atenção com uma abordagem que constrange clientes antigos. Por isso, avaliar o marketing apenas pela aparência das entregas deixa uma parte importante da análise de fora.
Em mais de 15 anos trabalhando com negócios de diferentes segmentos, aprendi que conhecer a história do empresário ajuda a evitar esses desencontros. Entender por que ele recusou uma venda, assumiu um prejuízo para cumprir um acordo ou mudou um processo após uma reclamação revela seus critérios de decisão.

Antes de contratar, procure saber como a agência ou o profissional lida com situações parecidas. Pergunte como pretende conhecer sua empresa, quais critérios usa para propor campanhas e como reage quando o cliente considera uma abordagem inadequada. Observe se há interesse em ouvir ou apenas pressa para apresentar uma solução.
Se você já tem um time, faça essa avaliação agora.

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Converse sobre as mensagens que a empresa vem publicando e veja se os profissionais conseguem explicar como elas se relacionam com seus valores. Peça exemplos. Esse diálogo ajuda a identificar diferenças de entendimento antes que elas cheguem ao cliente.

Cabe ao empresário deixar suas expectativas claras e abrir espaço para perguntas. Dizer apenas “isso não combina com a gente” ensina pouco. Explicar o motivo dá ao time condições de fazer escolhas melhores nos próximos trabalhos.Você levou anos para construir a confiança de clientes, funcionários e parceiros. Antes de entregar sua comunicação a alguém, avalie como essa pessoa pretende cuidar dessa confiança. Quem representa sua marca precisa saber o que você não negocia, mesmo quando uma ideia promete mais atenção ou mais vendas.

 

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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Sua empresa ainda está pagando o pato?

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Rômulo Rampini

Há algum tempo, falei sobre o famoso “voo de pato”, uma analogia que continua fazendo muito sentido quando observo como algumas empresas administram seu marketing. O pato anda, nada e voa, mas não se destaca em nenhuma dessas atividades. Faz um pouco de tudo, sem alcançar excelência em quase nada. No mundo empresarial, especialmente no marketing digital, essa comparação deveria provocar uma reflexão importante.

Ainda encontro empresários que esperam de um único profissional a capacidade de planejar estratégias, administrar anúncios, produzir vídeos, criar peças publicitárias, escrever conteúdos, configurar automações, organizar o CRM e, de preferência, resolver os problemas de vendas da empresa. Tudo isso, muitas vezes, com orçamento de uma única contratação.

O problema não está na disposição desse profissional em aprender e executar diferentes tarefas. Profissionais multidisciplinares são importantes. O equívoco está em acreditar que conhecer várias ferramentas significa dominar todas as competências necessárias para produzir resultados consistentes.

Um excelente gestor de tráfego pago precisa compreender plataformas, públicos, orçamento, indicadores, conversões e otimização de campanhas. Isso não faz dele um bom diretor de arte. Da mesma forma, um diretor de arte pode desenvolver uma comunicação visual extraordinária, mas não necessariamente possui experiência para estruturar uma estratégia de aquisição de clientes.

O profissional de audiovisual precisa dominar roteiro, captação, iluminação, edição e linguagem visual. O especialista em automação e CRM trabalha com jornadas, segmentações, integrações e relacionamento. Já o estrategista digital precisa compreender o negócio, identificar oportunidades, definir prioridades e conectar marketing e vendas aos objetivos comerciais da empresa.São conhecimentos diferentes, que precisam funcionar de maneira integrada. E é justamente nesse ponto que muitas empresas começam a pagar o pato.

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Contratam ferramentas sem processos, investem em anúncios sem organizar o atendimento, produzem conteúdo sem objetivos definidos e cobram resultados de profissionais que não possuem estrutura para entregar tudo aquilo que lhes foi atribuído. Na prática, marketing profissional exige mais do que talento individual. Exige método, especialização, gestão e responsabilidade sobre cada etapa da operação.

É assim que organizamos nosso trabalho. Como estrategista digital, minha responsabilidade é compreender o cenário de cada empresa, avaliar seu nível de maturidade, identificar oportunidades, estabelecer prioridades e orientar a integração entre comunicação, tecnologia, marketing e vendas.

Ao meu lado, profissionais especializados assumem responsabilidades específicas. Temos gestão de tráfego com certificações Google e Meta, produção audiovisual, direção de arte, social media, análise de marketing, automação e plataformas como RD Station. Contamos também com consultoria comercial para estruturação de processos de vendas, implantação de CRM e acompanhamento de oportunidades.

Existe ainda uma competência frequentemente negligenciada: a gestão dos processos. Não adianta reunir excelentes profissionais se não houver planejamento, prazos, responsabilidades, comunicação e acompanhamento das entregas. Uma equipe de especialistas sem coordenação pode produzir tanto desperdício quanto um profissional tentando fazer tudo sozinho.

Outro aspecto importante é a maturidade do próprio empresário. Muitas empresas precisam primeiro organizar seus processos, compreender seus indicadores e desenvolver uma rotina comercial antes de exigir resultados mais sofisticados do marketing. Sem essa preparação, até as melhores ferramentas acabam subutilizadas.

Depois de mais de 15 anos atuando nesse mercado, aprendi que o resultado não depende apenas de quem executa melhor determinada tarefa, mas da capacidade de fazer diferentes especialidades trabalharem na mesma direção.
Isso não significa que toda empresa precise contratar uma grande agência ou manter uma equipe completa internamente.

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Significa reconhecer quais competências são necessárias, estabelecer prioridades e buscar profissionais preparados para assumir cada responsabilidade. A estrutura precisa ser proporcional ao negócio, mas a especialização não pode ser tratada como detalhe.

A inteligência artificial, por exemplo, já consegue acelerar a produção de conteúdos, apoiar análises, automatizar tarefas e aumentar a produtividade das equipes. Mas nenhuma ferramenta elimina a necessidade de experiência, pensamento estratégico e capacidade de decisão. Tecnologia potencializa competências; não substitui automaticamente o conhecimento de quem sabe utilizá-la.

O empresário precisa abandonar a ideia de que marketing é apenas uma sequência de tarefas operacionais. Publicar, anunciar, responder mensagens e produzir vídeos são partes de um processo muito maior, que começa no entendimento do negócio e precisa chegar aos resultados.

A pergunta, portanto, não é quantas atividades seu profissional ou sua agência consegue executar. É quantas dessas atividades são realizadas com competência, integração e capacidade de contribuir efetivamente para os objetivos da empresa.Porque, quando o marketing tenta fazer tudo e não faz nada realmente bem, os resultados dificilmente aparecem. E a conta dessa falta de especialização acaba chegando para o empresário, seja em desperdício de investimento, oportunidades perdidas ou vendas que não aconteceram.

E aí, sua empresa vai continuar pagando o pato?

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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