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Mediação antecedente no agronegócio
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Sabemos que a recuperação judicial de empresas é a ferramenta jurídica adotada pelo sistema brasileiro que tem por objetivo ajudar empresas viáveis, mas em crise, a superar esse momento de dificuldade, de maneira a preservar sua atividade empresarial e, consequentemente, também os empregos dos trabalhadores, a circulação de bens e serviços, a geração de riquezas, o recolhimento de tributos e todos os demais benefícios econômicos e sociais que decorrem da atividade empresarial saudável.
Com isso são garantidos os aspectos para preservação da empresa e as relações com credores, a segurança jurídica e o bom funcionamento do sistema de crédito, ou seja, ter garantias eficientes para pagamento, com segurança e previsibilidade das medidas ao credor.
Portanto, a Recuperação judicial nada mais é do que um sistema de negociação estruturada, e, é indispensável necessidade do controle de legalidade pelo Poder Judiciário, ou seja, o eventual acordo construído na sessão de mediação ele é duplamente garantido pelo Poder Judiciário, haja vista, que o mediador deve ser credenciado ao Conselho Nacional de Justiça e o acordo deverá ser homologado pelo juízo da causa.
Com a reforma promovida pela Lei 14.112/2020, a Lei 11.101/2005 passou a autorizar a mediação antecedente à recuperação judicial, como alternativa para o devedor que pretende utilizar deste procedimento para organizar e preparar o seu pedido recuperatório.
A mediação antecedente também traz algumas vantagens em seu processo, como a economia, o menor tempo para concluir o processo de insolvência, a manutenção das relações negociais entre as partes do setor, visto que embora o mercado movimenta números expressivos, são sempre com os mesmos credores, o devedor poderá retomar suas atividades com segurança jurídica e o controle sobre os resultados, pois são as partes as protagonistas do procedimento, afastando a possibilidade de que um terceiro intervenha no procedimento e profira uma decisão nem sempre satisfatória.
E com o crescimento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio, como mostra o Serasa Experian, que catalogou e analisou pedidos de recuperação judicial de produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, além de empresas que, apesar de não serem produtoras, estão relacionadas ao agronegócio, houve aumento de 300% na quantidade de pedidos de recuperação judicial de empresas do setor entre janeiro e setembro do ano passado, na comparação de 2022. A mediação antecedente pode e deve ajudar a dar mais celeridade na resolução de todo o processo de insolvência no campo.
A ferramenta da mediação deve ser o primeiro recurso para resolução de conflitos nas situações que envolvam relações continuadas no tempo e a necessidade de negociar diferentes interesses com base no consenso. É processo confidencial e voluntário no qual a responsabilidade pela construção das decisões cabe aos envolvidos.
A cultura cooperativa é a base para a resolução construtiva do conflito, uma vez que promove uma atitude ganhar-ganhar, fomenta o diálogo, aproxima as partes envolvidas, gera credibilidade, possibilita uma comunicação eficaz, traz mecanismos extrajudiciais de resolução e alcança decisões construídas pelas partes, bem como consequentes mudanças de comportamento.
Nalian Borges Cintra Machado é advogada e mediadora extrajudicial
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Marketing e vendas: o que esperar do mercado no segundo semestre
Rômulo Rampini
O segundo semestre começa com um cenário bastante diferente daquele que muitos empresários estavam acostumados há poucos anos. O consumidor está mais seletivo, o custo da mídia continua elevado, as plataformas passam por mudanças profundas impulsionadas pela inteligência artificial e o ambiente digital se torna cada vez menos previsível. O resultado é simples: empresas que dependem apenas de anúncios tendem a sofrer mais.
A principal mudança acontece justamente nas plataformas que movimentam a maior parte dos investimentos em mídia digital.
A Meta continua ampliando o uso de inteligência artificial para decidir praticamente tudo dentro das campanhas: quem verá o anúncio, quanto será pago pelo clique, qual criativo será entregue e como o orçamento será distribuído. O discurso é de automação e ganho de eficiência. Na prática, muitas empresas e agências têm observado campanhas mais instáveis, aumento de CPM, oscilações de desempenho e resultados cada vez menos previsíveis.
Isso não significa que anunciar na Meta deixou de funcionar. Significa apenas que o empresário está cada vez mais dependente de decisões tomadas por um algoritmo sobre o qual ele não possui qualquer controle. Hoje uma campanha pode performar muito bem. Amanhã, utilizando exatamente o mesmo orçamento e a mesma estratégia, ela pode entregar um resultado completamente diferente.
Em ano eleitoral, o cenário fica ainda mais sensível. As plataformas reforçam políticas de moderação, ampliam mecanismos de controle sobre anúncios e disputam uma atenção que naturalmente passa a ser dividida com o volume crescente de conteúdo relacionado às eleições. O leilão fica mais competitivo e cada impressão passa a custar mais.
No Google, a transformação segue a mesma direção. A inteligência artificial passa a ocupar espaço nas buscas, campanhas automatizadas ganham protagonismo e a qualidade dos dados enviados pelos anunciantes passa a influenciar diretamente os resultados. O marketing digital está migrando de uma lógica baseada apenas em mídia para outra baseada em dados.
É justamente por isso que o maior investimento do segundo semestre talvez não seja aumentar o orçamento de anúncios.
Se eu pudesse dar apenas um conselho ao empresário, seria este: comece hoje a construir sua própria base de clientes.
Enquanto a Meta muda regras, o Google altera seus algoritmos e as plataformas definem quanto custará alcançar um novo consumidor, existe um patrimônio que continua pertencendo exclusivamente à sua empresa: seus contatos.
Cada cliente cadastrado, cada lead qualificado, cada orçamento solicitado e cada pessoa que demonstrou interesse no seu negócio representa um ativo que nenhuma plataforma pode retirar de você.
Empresas que possuem uma base organizada conseguem vender de forma muito mais previsível. Conseguem fazer campanhas de remarketing com muito mais eficiência, criar públicos personalizados, utilizar listas de clientes para potencializar campanhas de mídia, automatizar fluxos de relacionamento, enviar e-mails segmentados, distribuir conteúdo pelo WhatsApp, recuperar oportunidades esquecidas e estimular novas compras sem depender exclusivamente da aquisição de novos leads.
Enquanto muitos empresários continuam pagando para falar sempre com desconhecidos, empresas mais maduras utilizam a mídia para alimentar uma base própria e, depois, fazem boa parte das vendas utilizando canais que controlam diretamente. Essa talvez seja a maior mudança estratégica do marketing em 2026.
A mídia paga continua sendo importante. Mas ela deixou de ser o destino final. Ela precisa ser a porta de entrada para um relacionamento que acontece dentro da sua própria operação.Quem construir uma base forte dependerá cada vez menos dos humores das plataformas.
Quem continuar alugando toda sua audiência para Meta e Google corre o risco de ver seus custos aumentarem enquanto sua previsibilidade diminui.
No segundo semestre, mais do que comprar mídia, será preciso construir patrimônio digital. E nenhuma empresa faz isso sem organizar seus dados, conhecer seus clientes e transformar relacionamento em estratégia de crescimento.
Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS
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