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Análise: Ramón Díaz salva ano do Vasco e cumpre sua promessa
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Contratado quando time tinha apenas nove pontos, técnico comanda reação improvável no campeonato e sela permanência na Série A com vitória sofrida e gol de um herói improvável
Na noite desta quarta-feira, três meses depois daquele jogo contra o Bahia, Ramón Díaz cumpriu sua promessa. Ainda assim, pode ter certeza que, durante os 90 minutos da vitória por 2 a 1 sobre o Bragantino, em São Januário, muita gente duvidou. O roteiro poderia ter sido menos carregado na emoção. Será que não dá para pular logo para o alívio do apito final, festa na Barreira e essas coisas?
O Vasco dependia apenas de si para escapar do rebaixamento, o que causava nos vascaínos ao mesmo tempo otimismo e calafrios. A grosso modo, o Bragantino não brigava por mais nada neste Brasileirão. E o Bahia, concorrente direto, ia enfrentar a forte equipe do Atlético-MG – como a probabilidade de cair era pequena, pouco se falava no Santos antes do início da rodada.
Para a partida mais importante do ano, a que definiria o rumo da próxima temporada, Ramón Díaz foi radical na escalação e tirou dois jogadores que até ontem tinham status de intocáveis: Zé Gabriel, titular em 21 dos 23 jogos sob o comando do treinador; e Paulinho, titular em 20. A maioria das reações diante da escalação, não importa se positivas ou negativas, eram concluídas com: “… bom, mas o Ramón deve ter um plano”.
Normalmente só quando rola a bola é que cai a ficha de que tudo é possível, que são 11 jogadores contra 11 e que qualquer coisa pode acontecer. O Vasco pode abrir 3 a 0 no primeiro tempo, como o Bragantino também pode abrir o placar numa bola vadia. Ou o Bahia fazer 1 a 0 no Galo, já imaginou? Ou o Santos fazer gol. Ou tudo isso junto.
Para espantar tal agonia, o torcedor do Vasco tratou de cantar alto. O barulho era ensurdecedor em São Januário nos primeiros minutos da partida.
Com seis minutos, Marlon Gomes se machucou sozinho em um lance pela direita do ataque. Aos 24, com dores, precisou sair para a entrada de Paulinho. Quem entrou em campo não foi o Paulinho dos jogos recentes, de atuações decepcionantes e futebol pobre. Foi o Paulinho das primeiras partidas com a camisa do Vasco, onipresente em campo, o cara que rouba a bola e aparece para concluir a jogada.
Aos 28, ele interceptou um passe no meio de campo, carregou até a entrada da área, esperou a passagem dos seus companheiros, escolheu a melhor jogada, ajeitou para a perna direita e bateu firme. A bola desviou em Luan Cândido no meio do caminho e estufou a rede. Paulinho, que quatro minutos antes estava sentado no banco de reservas, fez seu primeiro gol pelo clube. Não poderia ter saído em melhor hora.
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