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Coluna – Natação inicia ciclo paralímpico com novos protagonistas

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Em meio à Paralimpíada de Inverno, que ocorre em Pequim (China), as modalidades de “verão” dão sequência à temporada 2022, a primeira do ciclo dos Jogos de Paris (França), em 2024. É o caso da natação. De sexta-feira (11) a domingo (13), a cidade italiana de Lignano Sabbiadoro recebe a terceira etapa do circuito mundial, a chamada World Series (“Série Mundial”, na tradução literal). Será a estreia da seleção brasileira em 2022.

A delegação embarcou para a Itália no último domingo (6), com 33 atletas convocados, a maior parte deles presente na Paralimpíada de Tóquio (Japão). A competição marca a retomada do calendário internacional para os nadadores brasileiros – o nacional foi reiniciado no fim do ano passado, pouco depois dos Jogos. Representa, ainda, o início do primeiro ciclo, desde o de 2008, sem Daniel Dias, já que o multicampeão paralímpico se aposentou.

Significa, portanto, que o posto de referência paralímpica nas piscinas (em atividade, evidentemente) está “vago”. Os Jogos de Tóquio mostraram que não faltam nomes para ocupá-lo – juntos, inclusive, por que não? Dois, em especial, estão à frente: a pernambucana Maria Carolina Santiago e o mineiro Gabriel Geraldo. Juntos, eles conquistaram oito medalhas no Japão, sendo cinco douradas (três com Carol e duas com Gabrielzinho). Ambos, contudo, não se veem como “substitutos” de Daniel ou algo do gênero.

“Eu imagino que [os resultados] chamem muita atenção, mas ainda está para nascer alguém como o Daniel Dias. Ele é o maior de todos. Eu acho que o que eu faço está mais pra uma realização minha, de me desafiar e ser melhor. Eu me vejo, sim, como inspiração feminina, às meninas que estão vindo, abrindo portas e percebendo que também podem”, disse Carol, à Agência Brasil.

“A história do Daniel é única, é um cara insubstituível. Estou ali justamente para construir a minha história. Ele fez a dele e é uma inspiração. Falar de esporte paralímpico sem falar do Daniel é impossível. Espero que eu também possa conquistar meu lugar, meu espaço, com meus resultados. Ele é um amigo fora das piscinas, me ajudou muito em Lima [Peru, nos Jogos Parapan-Americanos de 2019]”, completou Gabrielzinho. 

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Os dois acabaram o último ano como destaques da natação paralímpica. Carol foi eleita a número um da modalidade e a melhor atleta feminina do país no Prêmio Paralímpicos. Para manter o nível de performance no ciclo de Paris, a ideia da pernambucana, que compete na classe S12 (baixa visão), é reformular o programa de provas, priorizando aquelas que lhe renderam o topo do pódio no Japão.

“Penso em um programa um pouco menos extenso, menor do que em Tóquio, talvez [mantendo] as provas de crawl [tipo de nado usualmente adotado no estilo livre, onde foi ouro nos 50 e nos 100 metros] e peito [campeã nos 100 metros], além dos 100 [metros] livre no revezamento [4×100 metros], pois amo demais nadar em equipe. Tenho 36 anos, então tenho que me preocupar mais com a recuperação, fazer um programa menos extenso, mas não menos forte, podendo dar uma qualidade melhor”, descreveu a nadadora, que nasceu com a Síndrome de Morning Glory, que afeta a visão periférica do olho direito e só a permite enxergar vultos com o esquerdo.

Também no Prêmio Paralímpicos, Gabrielzinho foi escolhido como revelação de 2021. Assim como Carol, o mineiro, de 19 anos, apareceu durante o ciclo de Tóquio. Ele se destacou na Paralimpíada Escolar de 2017 e foi convidado, no ano seguinte, para o Camping Paralímpico, que reuniu as promessas do evento para uma semana de atividades no Centro de Treinamento Paralímpico, em São Paulo, junto da seleção principal. Não demorou para o jovem passar a integrar o grupo. Em 2019, no Parapan de Lima, foram cinco medalhas (duas de ouro) na classe S2 (dentre as voltadas a atletas com deficiências físico-motoras, é a segunda de maior comprometimento).

“[Na ocasião do Camping] Eu vivia uma fase maravilhosa, tinha acabado de passar em uma escola federal. Foi uma decisão difícil, mas, quando recebi o convite, falei para a minha mãe que queria ser atleta, que precisaria treinar mais e mais para ir aos Jogos. Só não imaginava que [a estreia] já seria em Tóquio, tão próximo [risos]. Fui de zero a cem muito rápido, então precisei manter os pés no chão. A gente sabe que chegar [no topo] é difícil, mas se manter é mais difícil ainda. A Paralimpíada Escolar tem vários talentos que, às vezes, nem imaginam onde podem chegar”, disse Gabrielzinho, que nasceu com focomelia (má formação no crescimento de braços e pernas).

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Tanto o mineiro como a pernambucana iniciam o ciclo de Paris em um estágio diferente, como destaques das respectivas classes. Nada que os preocupe. Pelo contrário.

“Realmente, quando você tem resultados desses, passa a ser bastante procurada pelas adversárias, [vira] a atleta a ser batida, mas não me incomoda. Na verdade, motiva a querer ser melhor na próxima vez que cair para nadar com elas”, afirmou Carol.

“Não me assustei quando cheguei para competir [em Tóquio], estava bem preparado, focado e determinado. Eu já conhecia o chileno [Alberto Abarza] do Parapan. O russo [Vladimir Danilenko] e o ucraniano [Roman Bondarenko]. Darei sempre meu máximo. Quando subo no bloco, olho para os dois lados e penso que sou eu e a água, que não tem ninguém para me parar. Só a borda, quando atingir os 50, 100, 200 metros. Meu foco está em mim e nos treinos”, encerrou Gabrielzinho.

Sem etapa brasileira

A World Series teria uma etapa no CT Paralímpico entre 27 de março e 3 de abril, mas a World Para Swimming (WSP), entidade ligada ao Comitê Paralímpico Internacional (IPC, sigla em inglês) e responsável pela natação adaptada no mundo, informou ao Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) que o evento não será mais realizado. A World Para Athletics (WPA) – também vinculada ao IPC, cuida do atletismo paralímpico – também não realizará a edição brasileira do circuito mundial, que seria simultânea à da natação, no mesmo local.

“Em substituição ao evento internacional, será realizado uma outra competição na mesma data e local com a maior similaridade possível no que diz respeito à elegibilidade e programa de provas. No entanto, não haverá classificação internacional. O CPB acrescenta ainda que será realizada uma reunião com a comunidade do atletismo na semana que vem para mais informações e esclarecimentos”, diz a nota divulgada na última quinta-feira (4), sobre o cancelamento da etapa de atletismo.

Edição: Cláudia Soares Rodrigues

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“É proibido não acreditar”, diz Ricardo Gluck Paul sobre o Brasil na Copa

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Em clima de Copa do Mundo, o presidente da Federação Paraense de Futebol (FPF) e vice-presidente da CBF, Ricardo Gluck Paul, compartilhou análises, bastidores e expectativas sobre o futebol brasileiro durante conversa no Biodiversa Podcast, conduzido pelas apresentadoras Nélia Ruffeil e Poliana Bentes. A entrevista completa já está disponível:

Ao comentar a caminhada da Seleção Brasileira rumo ao Mundial, Ricardo demonstrou confiança e afirmou que o Brasil pode surpreender quem tem colocado outras seleções entre as favoritas.

“As pessoas estão olhando muito para a França e Portugal, mas acho que o Brasil está sendo subestimado. Eu acredito que vamos surpreender.”

Segundo Gluck Paul, a Seleção chega mais estruturada nesta edição da Copa, com um planejamento que priorizou a integração dos atletas desde a fase inicial de treinamentos.

“É a primeira vez que a seleção chega completa à sede da Copa. Isso fortalece o sentimento de grupo e mostra um trabalho que precisa ser acreditado.”

Durante a conversa, Ricardo também analisou a evolução do futebol moderno e ressaltou que a organização tática passou a ser tão importante quanto o talento individual.

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“O futebol mudou muito. A arte continua existindo, mas ela precisa estar acompanhada de organização e segurança dentro de campo.”

Além do cenário da Copa, o dirigente abordou temas como o crescimento do futebol feminino, a valorização da arbitragem paraense, o fortalecimento das competições estaduais e os desafios enfrentados pelo esporte diante do avanço do mercado de apostas esportivas.

Um dos momentos de maior destaque da entrevista aconteceu ao final da conversa, quando foi convidado a definir a Copa do Mundo de 2026 em uma frase.

“É proibido não acreditar.”

A entrevista também traz reflexões sobre liderança, gestão esportiva, inclusão social por meio do futebol e os projetos que vêm transformando o cenário esportivo no Pará.

A entrevista completa está disponível no canal oficial do podcast e reúne outros bastidores, análises e histórias compartilhadas por Ricardo Gluck Paul sobre o futebol brasileiro e paraense.

 

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