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Cabral e Simonetti: dois amazonenses que chegaram à presidência nacional da Ordem

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Era dia 3 de agosto – quarta-feira passada – quando o presidente do Conselho Federal da OAB, Beto Simonetti, encontrou o membro honorário vitalício Bernardo Cabral no Salão Negro do Supremo Tribunal Federal (STF), por ocasião da solenidade de lançamento do livro “Liberdades”. Cabral é autor do prefácio e Simonetti redigiu a apresentação da cartilha da publicação.

E esse foi o primeiro encontro dos dois únicos amazonenses a presidir o Conselho Federal da OAB, após Simonetti assumir em fevereiro de 2022. Aos 90 anos, Cabral é dono de uma história que o coloca entre os maiores juristas do país. Foi relator da Assembleia Constituinte enquanto integrava a bancada de deputados federais pelo Amazonas, ex-ministro da Justiça, secretário-geral e depois presidente do CFOAB, de 1981 a 1983. Uma experiência de vida pública restrita a poucos operadores do direito.

Emprestando seu vasto conhecimento, lecionou disciplinas jurídicas na Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e graduou-se em Psicologia – curso que, segundo ele, muito o auxiliou no mundo jurídico. No último dia 7 de julho, Cabral tomou posse como presidente da Comissão de Defesa da Democracia, das Eleições e da Liberdade de Imprensa do Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB).

Amor à advocacia

Para Simonetti, a figura de Bernardo Cabral representa credibilidade, seriedade e é o retrato de uma advocacia feita por amor à profissão e à nação. “É um dos maiores juristas do país, um dos melhores quadros da advocacia de todos os tempos. Aprendo com ele sempre que tenho a sorte e o privilégio de encontrá-lo e também nas consultas à sua brilhante obra. É um homem à frente do seu tempo, sem dúvidas”, diz.

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Em evento alusivo aos 33 anos de promulgação da Constituição Federal de 1988, realizado em outubro de 2021, Cabral foi homenageado pelo CFOAB na pessoa do presidente da Comissão Nacional de Estudos Constitucionais, Marcus Vinicius Furtado Coêlho. Na ocasião, Coêlho destacou que “homenagear o relator da Constituinte e ex-presidente da OAB Nacional é uma das formas mais altivas e eficientes de defender a Constituição da República”.

Confira, abaixo, um rápido bate-papo com o membro honorário vitalício Bernardo Cabral.

CFOAB – Como é ver Beto Simonetti na presidência nacional da OAB?

Cabral –  Ele foi criado e educado, assim como seus irmãos, por um pai que foi advogado a vida inteira (inclusive tendo presidido a OAB do Amazonas), assisti Beto declarar na sua posse como presidente que “a Ordem não se omitirá diante de iniciativas que coloquem a Constituição em risco”. Ora, isso é próprio de quem sabe utilizar o significado da palavra omissão, vale dizer: não se acovardará, não desertará, nem se submeterá à omissão, pois ela nada mais é do que o subproduto do “nada” e do “não”.

CFOAB – O que é preciso para ser um bom gestor de Ordem?

Cabral – A resposta foi bem colocada na entrevista que o presidente Simonetti concedeu à Revista Justiça e Cidadania, na edição 260, de abril de 2022, à página 13, e que eu a endosso. Diz assim: “Estou há exatos 47 dias na presidência da Ordem. O vetor é estabelecer uma gestão voltada às questões corporativas, com o viés de atingir as necessidades da advocacia. Não foi diferente para a advocacia o que aconteceu no Brasil com as crises econômicas e a pandemia, que impuseram a todos muitas dificuldades. Muitos advogados tiveram que abandonar a profissão, justamente pela dificuldade de manter suas estruturas. Uma das preocupações iniciais da Ordem é exatamente essa, prover estruturas dignas de trabalho para que o advogado possa desenvolver o seu ofício.”

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CFOAB – Quais contribuições a Ordem pode dar ao país neste momento?

Cabral – Devo colocar em relevo, por oportuno, que a OAB não é uma Instituição com conotação público-partidária, apesar de muitos que a integram serem de partidos políticos diferentes. Só que, ao tomar uma posição, ela sempre permanece na defesa intransigente do Estado de Direito. Ora, a OAB jamais será conduzida por uma pessoa vacilante, fraca – no sentido moral e ético. Ademais, acima do perfil do presidente está a Instituição, podendo ele – quem tiver sido ou vier a ser – até contribuir para o seu brilho, mas é ela quem já dispõe de todo o brilho, mercê da sua própria respeitabilidade e consagrada tradição. Impende salientar que a OAB, em tempo de eleição ou não, permanecerá atenta à defesa da normalidade democrática e que as prerrogativas constitucionais não sofram qualquer tipo de atentado. E mais: respeitada a vontade do povo.

Fonte: OAB Nacional

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CNJ identifica ‘esquema organizado de venda de decisões’ envolvendo desembargador e Zampieri

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A decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão responsável por administrar e fiscalizar o Poder Judiciário, recebeu o desembargador Sebastião de Moraes Filho, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, levantando suspeitas de venda de decisões judiciais e pagamentos realizados via PIX e até em barras de ouro. Sebastião de Moraes Filho foi afastado de suas funções em agosto enquanto o CNJ investiga a possibilidade de ele ter recebido propinas em troca de decisões.

O caso também é alvo de um inquérito criminal e foi considerado de tal gravidade que o ministro Luís Felipe Salomão, então corregedor do CNJ, levou a questão ao ministro Luís Roberto Barroso, presidente do conselho, para uma solução em conjunto. “Evidenciam-se elementos suficientes para recomendar o afastamento do magistrado, na medida em que não é possível que o desembargador permaneça em atuação em unidade tão sensível, como é um gabinete de segundo grau de câmara de direito privado”, diz um trecho da decisão , referendada pelo plenário do CNJ.

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Conversas obtidas no celular do advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em dezembro de 2023, na porta de seu escritório em Cuiabá, colocaram o desembargador na mira do CNJ. Ao todo, eles trocaram 768 mensagens entre 14 de junho de 2023 e 5 de dezembro de 2023, revelando uma relação próxima, com trocas sobre futebol e viagens, além de livre acesso ao gabinete do desembargador.

As mensagens também indicam a influência do advogado no trabalho do magistrado e o pagamento de propinas para decisões desenvolvidas aos clientes de Zampieri. Em uma das conversas, o advogado afirma que “o Pix está errado, estornou o valor”. “Tente mandar o Pix correto que faço agora”, acrescenta.

Cinco dias depois, informa que “o pagamento da sobrinha foi feito”, anexa um comprovante de transferência de R$ 10 mil e solicita o adiamento de um julgamento. Em outubro, Zampieri menciona ter alcançado “um contrato muito bom para o Mauro” e continua: “O senhor vai ficar feliz com o contrato que consegui para ele”. Mauro, segunda suspeita do CNJ, é o advogado Mauro Thadeu Prado de Moraes, filho do desembargador. Em outra mensagem, o advogado envia ao magistrado uma imagem de duas barras de ouro, de 400 gramas, que foram usadas como pagamento de propinas.

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