MATO GROSSO
Deputado defende federação, mas teme divergências regionais
MATO GROSSO
O deputado estadual Paulo Araújo (Progressistas) afirmou que “problemas regionais” atrapalharam a construção de uma federação entre seu partido e o União Brasil.
“Em alguns estados, infelizmente, não dão liga. O problema não é Mato Grosso, mas outros estados, onde os partidos caminham em lados totalmente opostos e essa federalização não avançou por esse motivo”, explicou em entrevista à rádio Conti.
O parlamentar ainda admitiu que o Progressistas estaria em um processo de “indefinição“ em Mato Grosso agora com a perspectiva de não haver uma federação com o União.
Segundo ele, a sigla tem pouco tempo para se organizar até o início das eleições municipais, em 2024.
Para Araújo, se a federação entre os partidos se concretizasse o Progressistas estaria em uma condição melhor para disputar o pleito. A sigla estaria disposta, inclusive, a apoiar o candidato escolhido pelo União para concorrer à Prefeitura.
“Se fosse na federalização, não teria problema nenhum de caminhar junto com o União Brasil, até porque eu entendo que Cuiabá vai precisar de um nome que consiga reorganizar e dê a credibilidade que a Capital precisa ter”, afirmou.
“Faço parte da base do Governo do Estado, não teria problema nenhum de apoiar o deputado Botelho. Na minha avaliação é um candidato fortíssimo à Prefeitura de Cuiabá”, acrescentou.
Ele citou também o deputado federal Fábio Garcia e os secretários Mauro Carvalho e Rogério Gallo como nomes fortes para concorrer ano que vem.
“O Progressistas precisa se organizar. A diferença é que o partido não tem, não trabalhamos com a possibilidade de ter um candidato a prefeito aqui em Cuiabá”, disse.
MATO GROSSO
Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.