MATO GROSSO
Escola bilíngue de Sorriso tem denúncia rejeitada pelo MP
MATO GROSSO
O Ministério Público de Mato Grosso determinou o arquivamento da notícia de fato instaurada a partir de denúncia apresentada pela escola bilíngue Maple Bear, unidade de Sorriso (MT), contra os pais de um aluno de 7 anos. A instituição havia acusado a família de suposta negligência parental, alegando que a criança não estaria recebendo acompanhamento adequado para lidar com dificuldades comportamentais em ambiente escolar.
A decisão foi formalizada no dia 30 de janeiro de 2026, após a conclusão de atendimento multidisciplinar realizado pela equipe técnica do próprio Ministério Público, que não identificou qualquer situação de risco, vulnerabilidade ou omissão nos cuidados prestados pelos genitores.
Segundo o despacho ministerial, ficou comprovado que o aluno recebe acompanhamento psicológico regular, participa de atividades terapêuticas complementares, como equoterapia e práticas esportivas, além de manter rotina compatível com sua idade e condição clínica. O relatório técnico ressaltou, ainda, que os pais demonstraram reconhecimento, proatividade e engajamento contínuo no tratamento do filho, fatores que afastam, de forma categórica, a hipótese de negligência.
O conflito teve início após a escola sugerir a transferência do aluno, em meio a um contexto no qual a criança se encontrava em fase de investigação médico-terapêutica, sem diagnóstico fechado à época. Diante da recusa dos pais em aceitar a mudança compulsória de instituição (uma espécie de “expulsão velada”), a direção escolar optou por levar o caso ao Ministério Público, imputando à família condutas que, ao final, não foram confirmadas pelos órgãos do Estado.
Durante a apuração, o próprio Conselho Tutelar confirmou que a criança estava inserida em um plano consistente de acompanhamento profissional, afastando qualquer alegação de abandono ou descuido.
No parecer que embasou o arquivamento, a Promotoria destacou que, em situações envolvendo transtornos do controle de impulsos e da conduta, a negligência costuma se manifestar por fatores como negação do problema, ausência de tratamento ou impossibilidade de acesso a profissionais especializados, circunstâncias inexistentes no caso analisado.
O órgão também registrou que diagnósticos dessa natureza exigem tempo, observação clínica continuada e decisões que não podem ser precipitadas ou impostas à família, sobretudo quando já há acompanhamento especializado em curso.
Com o encerramento da atuação ministerial na esfera administrativa, o caso agora tramita na 5ª Vara Cível de Sorriso, onde os pais ajuizaram medida judicial para que a escola comprove a adoção de protocolos pedagógicos inclusivos, bem como as providências efetivamente tomadas diante das necessidades específicas do aluno.
A Promotoria de Justiça informou que acompanhará o processo na condição de fiscal da ordem jurídica (custos legis). O escritório responsável pela defesa da família é o Iglesias Advogados & Associados.
Questionado sobre os próximos passos após o arquivamento do procedimento, o pai do aluno afirmou que recebeu a decisão do Ministério Público com tranquilidade.
“Ficamos satisfeitos com o posicionamento do MP, embora soubéssemos, desde o início, que o desfecho não poderia ser diferente. Sempre estivemos seguros de que cumprimos, e seguimos cumprindo integralmente nosso dever como pais”, disse F. S.I, pai da criança.
Ele ponderou, no entanto, que a acusação feita pela escola ultrapassou os limites do razoável. “Imputar a um pai e a uma mãe a prática de omissão em relação ao próprio filho é, na prática, imputar-lhes um crime. Não se trata de uma divergência pedagógica qualquer”, afirmou. Segundo ele, diante da gravidade da imputação, a família avalia medidas futuras. “Se fomos acusados indevidamente da prática de um crime, avaliaremos, com escritório especializado em direito penal, quais providências podem e devem ser adotadas”, concluiu.
A situação foi formalmente comunicada tanto ao Grupo SEB, controlador da Maple Bear no Brasil, quanto ao board internacional da Maple Bear Canadá. O canal de denúncias do grupo confirmou o recebimento da manifestação e informou que eventuais desdobramentos internos poderão ser comunicados oportunamente.
O caso reacende o debate sobre educação inclusiva, limites da atuação institucional das escolas privadas e a responsabilidade de assegurar que crianças em processo de avaliação clínica não sejam submetidas a práticas excludentes ou transferências veladas, especialmente quando não há respaldo técnico ou legal para tanto.
MATO GROSSO
Exposição-cápsula apresenta imagens de Olinda Altomare na Casa do Parque
Abrindo a temporada de exposições 2026 da A Casa do Parque, a mostra fotográfica AURA NOIR será inaugurada nesta quinta-feira (28), às 19h, com entrada gratuita. A exposição marca a estreia da magistrada cuiabana Olinda Altomare na fotografia autoral.
Há quatro anos, ela encontrou na arte fotográfica uma forma de ampliar a percepção do mundo, transformando o ato de fotografar em uma experiência sensorial, contemplativa e de expressão artística.
A mostra reúne oito obras em preto e branco captadas em incursões pela Chapada e pelo Pantanal. Em vez do registro documental ou turístico, Altomare constrói imagens de forte densidade visual, nas quais água, mata, luz e animalidade ultrapassam a paisagem e assumem presença quase escultórica.
Ao optar pela subtração da cor, a artista reorganiza o olhar. O preto, o branco e os contrastes extremos condensam a imagem ao essencial. Uma cabeça de jacaré emerge da água como força silenciosa e ancestral.
Árvores se expandem como arquitetura orgânica. O céu estrelado deixa de ser horizonte para se tornar campo de imensidão. Mais do que uma exposição inaugural, AURA NOIR surge como um primeiro recorte de uma pesquisa imagética marcada pela contenção, pela atmosfera e pela permanência do visível.
“Olinda constrói, em AURA NOIR, uma fotografia baseada em contenção, contraste e permanência. A subtração da cor intensifica a presença da paisagem e desloca o olhar para além do registro documental. Produzidas em fine art, com obras apresentadas também em grandes dimensões, as imagens ampliam a experiência visual e reforçam a relação entre escala e contemplação”, afirma Flávia Salem, idealizadora da Casa do Parque e curadora da exposição.
Em um tempo em que a fotografia frequentemente se dissolve na velocidade da imagem cotidiana, Olinda Altomare opera na direção contrária: desacelera o olhar e devolve peso à contemplação.
Serviço
Assunto: Exposição-cápsula apresenta imagens de Olinda Altomare na Casa do Parque
Horário: 28 de maio, às 19h
Local: A Casa do Parque – R. Maj. Severino de Queiroz, 455 – Duque de Caxias II, Cuiabá
Entrada franca
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