MATO GROSSO
Foco de calor é dez vezes maior em áreas não produtivas do que em áreas regularizadas e produtivas
MATO GROSSO
O Comandante do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso, Coronel Flávio Gledson Vieira Bezerra, apresentou a lideranças do setor produtivo de Mato Grosso dados sobre os incêndios florestais no estado em 2024. Desconstruindo a narrativa de que o produtor rural tem grande participação nos incêndios, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) revelam que áreas não produtivas ou propriedades irregulares tiveram até 10 vezes mais focos de calor em 2024 do que em áreas produtivas regularizadas.
Os dados que foram adaptados pelo Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso com base no Geoportal da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), revelam que em áreas produtivas regularizadas, com proporção territorial de 53,6% de todo o território monitorado, registrou 0,9 foco de calor por 100 km². Enquanto em áreas de Projeto de Assentamento, com proporção territorial de 0,3% houve 7,47 focos de calor por 100 km², em áreas não produtivas ou propriedades irregulares, que representa 23,4% do território, esse número salta para 10,6 focos de calor por 100 km².
A situação também é alarmante nas Unidades de Conservação, que representam 6% do território estadual e registrou 6,6 focos de calor por 100 km², nas Terras Indígenas que ocupam 16,6% do território do estado registrou 6,1 focos de calor por 100 km². Em assentamentos com apenas 0,3% do território estadual registrou 7,4 focos de calor por 100 km².
“O produtor é o que mais sofre com os incêndios e é também quem mais nos ajuda nessa problemática. Os produtores são grandes parceiros do Governo do Estado nessa questão, eles nos cedem recursos para o enfrentamento lá no campo para minimizar os danos causados por esses incêndios, esses dados comprovam que as áreas mais protegidas são aquelas que tem gente cuidado, com o produtor protegendo sua propriedade”, explicou o comandante ao reforçar que é de interesse do Governo do Estado e do Corpo de Bombeiros reforçar a parceria com o setor produtivo.
Gledson ressalta que a narrativa de que o produtor rural é um dos maiores agressores ao meio ambiente cai por terra com esse levantamento. “Para nós isso já era óbvio. Nós que estamos na ponta sabemos o quanto eles trabalham em defesa de suas terras, não tem lógica colocar fogo na própria casa, de onde você tira o sustento de sua família”.
O presidente do Fórum Agro MT, Itamar Canossa destacou a evolução na estratégia de combate aos incêndios por parte dos produtores. “Ao longo dos anos você consegue enxergar a preocupação dos produtores com relação aos incêndios, investimos cada vez mais na prevenção com equipamentos e recursos para combater os focos logo no início, o planejamento e a estratégia para isso também está presente nas propriedades. Se não houvesse essa preocupação e essa parceria com o poder público, a situação poderia ter sido muito pior este ano”, afirmou.
Para o deputado estadual e membro da Frente Parlamentar da Agropecuária de Mato Grosso (FPA-MT), Carlos Avallone, que acompanha de perto as questões de incêndios principalmente na região do Pantanal desde 2020, a evolução também passa pela mudança na legislação e no investimento em novos equipamentos de combate aos incêndios.
“Ocupar o Pantanal com a pecuária extensiva, como sempre foi, pode ajudar a minimizar os problemas naquela região, para isso modificamos a legislação para permitir isso, o “boi bombeiro” é também uma forma de prevenção. O que precisa ficar claro para a população é que o produtor rural é o mais prejudicado com esses incêndios, uma terra demora até 10 anos para se recuperar de um grande incêndio, ele é o mais interessado em proteger essa área”.
O deputado estadual Dilmar Dal Bosco, coordenador geral da FPA-MT, destacou a importância de manter um diálogo com o os órgãos competentes e saber como está sendo feito a prevenção e combate aos incêndios no estado.
“Precisamos ajustar o que for necessário, mas sem prejudicar o setor que movimenta nossa economia, o governo do estado, em parceria com a ALMT e a Comissão de Meio Ambiente, está trabalhando muito, visitando alguns lugares, a exemplo do nosso Pantanal, que contou com a visita do deputado Carlos Avallone e Wilson Santos. Não diferente de outras regiões, estamos percebendo que, alguns desses incêndios são criminosos, as autoridades já perceberam isso e o Estado está investindo muito mais em tecnologia, aproximando muito mais de estar identificando as pessoas autoras dessas queimadas”, afirmou Dal Bosco.
MATO GROSSO
Férias de julho elevam expectativa de faturamento para maioria dos bares e restaurantes
Mais da metade dos bares e restaurantes brasileiros espera aumentar o faturamento durante as férias escolares de julho. Segundo pesquisa da Abrasel, 54% dos empresários projetam crescimento nas vendas em relação a um mês comum, sem datas comemorativas ou grandes eventos. Desse total, 44% estimam alta de até 20%, enquanto 10% acreditam em expansão superior a esse percentual.
Na comparação com as férias de julho do ano passado, o cenário também é positivo. Para 58% dos entrevistados, o faturamento será maior neste ano. Outros 22% acreditam que o desempenho permanecerá estável, enquanto apenas 10% esperam retração.
O otimismo está relacionado ao impacto que o período costuma ter sobre o fluxo de consumidores. Para 49% dos empresários, as férias de julho são importantes ou muito importantes para o desempenho do negócio. Entre os principais motivos apontados estão o aumento da chegada de turistas e visitantes (49%) e as mudanças na rotina das famílias durante o recesso escolar (43%).
No entanto, o efeito das férias não é uniforme. Em cidades menos turísticas, parte dos bares e restaurantes tende a registrar redução no movimento, o que explica por que 28% dos empresários considera que o período tem pouca ou nenhuma importância para o faturamento.
Para Daniel Teixeira, presidente da Abrasel-MT, os dados mostram que o empresário mato-grossense está otimista para este mês de julho, ainda que nosso estado tenha mais gente saindo do que entrando neste período, o mês das férias escolares tende a ter um aumento no fluxo de consumidores, criando um cenário favorável para bares e restaurantes. “A expectativa é de um movimento mais intenso, especialmente para os estabelecimentos que investirem em experiências e atendimento de qualidade para atrair famílias e grupos de amigos”, destaca ele.
“Julho redistribui o consumo pelo país. Enquanto algumas cidades sentem a queda no movimento porque parte da população viaja, destinos turísticos vivem um dos períodos mais intensos do ano. Cidades associadas ao inverno, como Gramado, Campos do Jordão e Monte Verde, recebem mais visitantes e transformam essa sazonalidade em uma oportunidade para reforçar o caixa e compensar os meses de menor movimento”, afirma Paulo Solmucci, presidente-executivo da Abrasel.
Copa do Mundo e turismo reforçam cenário favorável
Além das férias escolares, o setor também tem sido beneficiado pela Copa do Mundo, que vem movimentando especialmente os bares nos dias de jogo. Os bons resultados da seleção brasileira aumentam a expectativa do público e devem ajudar a manter os estabelecimentos mais cheios em julho.
Outro fator positivo é o bom momento do turismo internacional. Entre janeiro e maio, os turistas estrangeiros gastaram R$ 25 bilhões no Brasil, valor recorde para o período e 11% superior ao registrado nos cinco primeiros meses de 2025, segundo dados do Ministério do Turismo.
“A Copa sempre muda o clima do país, e a expectativa é de que o Brasil faça uma grande campanha, chegue à final e conquiste o hexa para completar a festa. Somada às férias de julho e ao aumento do fluxo de turistas, a competição deve seguir enchendo as mesas, reunindo as torcidas e impulsionando o movimento nos negócios”, destaca Solmucci.
Maio registra desempenho positivo
A pesquisa da Abrasel mostrou ainda que os empresários encerraram maio com indicadores favoráveis. O mês terminou com 39% das empresas operando no lucro. Outras 41% registraram equilíbrio financeiro, enquanto 19% tiveram prejuízo. Na comparação com abril, quase metade dos estabelecimentos (47%) informou crescimento no faturamento. Para 27%, a receita permaneceu estável, enquanto 25% registraram queda. 1% das empresas não existiam em maio.
“Maio costuma ser um mês muito importante para bares e restaurantes porque conta com o Dia das Mães, uma das datas mais fortes do calendário do setor. O fato de quase metade das empresas ter conseguido ampliar o faturamento em relação a abril mostra resiliência e capacidade de adaptação em um ambiente ainda marcado por margens apertadas, custos elevados e forte pressão sobre o caixa”, afirma Solmucci.
Os dados do estudo mostram que apenas 8% dos empresários conseguiram reajustar os preços acima da inflação nos últimos 12 meses. Outros 57% reajustaram conforme ou abaixo da inflação, enquanto 35% não conseguiram fazer qualquer reajuste.
A pressão sobre o caixa também aparece na inadimplência. De acordo com o levantamento, 37% dos estabelecimentos possuem algum pagamento em atraso. Entre eles, os principais débitos são impostos federais, mencionados por 75% dos empresários, seguidos pelos tributos estaduais, citados por 44%.

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