MATO GROSSO
MT apresenta produção florestal sustentável em evento com compradores internacionais
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O evento é uma iniciativa do setor de base florestal de Mato Grosso e conta com apoio do Governo do Estado e da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, para o marketing da madeira brasileira no exterior.
Durante o evento em Alta Floresta, 10 compradores dos Estados Unidos, Bélgica, França, África do Sul, Polônia, Alemanha e Uruguai conferem de perto como funciona a rastreabilidade da cadeia florestal no Estado, da floresta ao consumidor final.
O secretário de Desenvolvimento Econômico de Mato Grosso (Sedec), Cesar Miranda, destaca que o setor florestal de madeira nativa produz com responsabilidade e é preciso mostrar essa eficiência para o mundo.
“Os manejos da floresta nativa são realizados dentro da reserva legal das propriedades privadas. Em cada hectare são extraídas, em média, quatro árvores, conforme prevê a legislação ambiental. Nossos produtores preservam os 80% das propriedades dentro do bioma amazônico e geram renda com a floresta de forma responsável e sustentável”, ressalta.
De acordo com o presidente do Fórum Nacional de Atividades de Base Florestal (FNBF) e vice-presidente da Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Frank Rogieri, o objetivo do evento é aumenta a participação mato-grossense no mercado mundial.
“O Brasil detém a maior floresta tropical do mundo, mas participa apenas com 2% do mercado mundial. Nós podemos muito mais e vamos mostrar a qualidade da indústria brasileira, em especial aqui em Alta Floresta. Temos uma produção de madeira com responsabilidade social e muito compromisso com o meio ambiente”, afirma.
Mato Grosso possui 5 milhões de hectares de florestas manejadas e conservadas, e a expectativa do setor é de chegar a 6 milhões de hectares até 2035.
Em 2022, o setor produziu 7 milhões de metros cúbicos de madeira a partir de Planos de Manejo Florestal Sustentável (PMFS), gerou 12 mil empregos diretos e exportou 86 mil toneladas de madeira em 2023. As informações são do Centro das Indústrias Produtoras e Exportadoras de Madeira do Estado de Mato Grosso (Cipem).
Conforme o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, manter a floresta em pé e gerar renda com madeira rastreada e certificada são as razões que levaram a agência a promover e posicionar o país como referência mundial nas práticas de manejo florestal sustentável.
“Queremos aproximar o empresariado amazônico dos mercados internacionais, organizando o setor produtivo em torno de desafios comuns e trazendo os compradores do mundo todo para conhecer o potencial dos produtos da floresta, que apresentam alto valor agregado”, pontua.
Fonte: Governo MT – MT
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.