MATO GROSSO
Primeira mulher a assumir a Polícia Civil, delegada Daniela Maidel diz que responsabilidade é ainda maior
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Para ela, que ingressou há 21 anos na carreira profissional, ser a primeira delegada a assumir o comando da gestão é um privilégio, acompanhando de muita responsabilidade e dedicação.
As conquistas para a modernização da Polícia Civil, com recordes de investimentos na estrutura, inteligência e tecnologia, proporcionando mais estrutura às delegacias, também são destacados por ela.
“A partir de 2023, serão desenvolvidas ações voltadas, principalmente para o principal produto da instituição, que é a investigação, com foco em apurações mais robustas e qualificadas”, disse a delegada-geral.
Como é ser a primeira mulher a comandar a Polícia Civil?
É um privilégio, acompanhando de muita responsabilidade e dedicação. Esse compromisso não é somente com as profissionais da ativa, mas com as colegas que deixaram seus serviços prestados na instituição, razão pela qual trabalhará para que essa confiança depositada, seja bem retribuída.
Fale um pouco sobre os trabalhos para enfrentamento à criminalidade, em especial o combate à violência contra as mulheres:
A ideia é otimizar os meios e alcançar resultados melhores no combate a criminalidade e o fortalecimento da segurança pública em Mato Grosso.
Várias atividades foram planejadas e uma série de projetos criados ao longo dos últimos dois anos está sendo colocada em prática. Como, por exemplo, no combate à violência doméstica, buscando ter um cuidado melhor no atendimento à mulher. As Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher receberam melhorias infraestruturais, e agora, começarão a receber viaturas descaracterizadas a pedido das vítimas, para que possam ser retiradas de suas casas de uma forma mas discreta.
Há investimentos também em outras frentes importantes na atuação da Polícia Civil, como enfrentamento aos crimes cibernéticos e a desarticulação de organizações criminosas?
As ocorrências como roubo, homicídio, corrupção, crimes virtuais, crimes contra o meio ambiente, recuperação de ativos, entre outras, fazem parte da gama de atuação da Polícia Civil, e todas elas estão sendo fortalecidas no que diz respeito à tecnologia e infraestrutura.
Quais os projetos daqui pra frente?
A Diretoria-Geral aguarda o incremento de efetivo, pois a tecnologia existe, mas é necessário operacionalizar os resultados das investigações, uma vez que o panorama para o ano de 2023 é de uma Polícia Civil mais operacional. A questão da tecnologia foi bastante trabalhada nos investimentos anteriores, e agora está sendo dado um passo à frente. Além de trazer novos produtos, a Polícia Civil se empenha no desenvolvimento da gravação de oitivas, que é uma novidade e traz a segurança da informação.
É necessário que sejam feitos investimentos nessa área de segurança da informação, porque o mundo nunca mais ficará sem tecnologia. Estamos cada vez mais dependentes da tecnologia, então é preciso aprimorar cada vez mais. Para isso, é preciso capacitar os servidores, delegados, escrivães e investigadores, pois na atuação contra o crime é essencial a capacitação e uma boa qualificação.
O servidor precisa entender do meio cibernético para atuar em uma investigação de estelionato, em uma investigação de homicídio. Hoje você mexe com extração de dados de celulares e isso tudo depende de conhecimento para que seja usado como prova.
Então um dos principais focos é trabalhar também com a capacitação, melhorando todo o produto da Polícia Civil e, consequentemente, proporcionar à sociedade uma prestação de serviço de excelência.
Fonte: GOV MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.