MATO GROSSO
Seciteci entrega 202 computadores recondicionados a 16 instituições de MT
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Em parceria com a ONG Programando o Futuro, a ação, realizada pelo Programa Recytec, recicla equipamentos descartados e distribui em escolas, entidades comunitárias, telecentros, associações e sindicatos, proporcionando acesso à tecnologia e informação para populações em situação de vulnerabilidade social.
Entre as instituições beneficiadas por essa iniciativa estão a Associação MT Queer, Associação Santo Antônio da Aldeia de Poxoréo, o Instituto Mato-grossense dos Cegos (ICEMAT), além de prefeituras, escolas e secretarias de diversos municípios do estado.
O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Allan Kardec, ressaltou a contribuição dos órgãos públicos para o programa, destacando a importância da reutilização de equipamentos que, de outra forma, seriam descartados, poluindo o meio ambiente.
“Recebemos do Tribunal de Justiça de Mato Grosso 12 toneladas de computadores que, após serem devidamente recuperados, agora estão prontos para atender dezenas de instituições mato-grossenses”, enfatizou Kardec.
Para a Associação MT Queer, uma das contempladas pelo Programa Recytec, essa doação não apenas facilitará seu trabalho prático, mas também fortalecerá significativamente sua capacidade de defesa dos direitos e necessidades da comunidade LGBTQIAPN+.
“A doação desses equipamentos irá beneficiar nosso ponto de cultura de várias maneiras. Primeiro, nos permitirá atender a população como um ponto digital, facilitando o acesso à informação e aos recursos online. Além disso, poderemos fazer cadastros da comunidade LGBTQIAPN+ junto com os serviços de assistência social, o que possibilitará que possamos encontrar maneiras de ajudar pessoas em situações de vulnerabilidade social. Esses dados também serão fundamentais como respaldo e documentação para pleitearmos mais políticas públicas em prol da comunidade”, explicou Hiago Conrado, presidente da Associação.
A coordenadora de projetos da ONG Programando o Futuro, Kelly Cristina dos Reis, ressalta que todo o processo de recondicionamento é realizado em conformidade com as normas ambientais, com a emissão de Certificados de Destinação Final de Resíduos (CDF). Outra parte do material está em fase de separação e desmontagem, e será encaminhada às empresas responsáveis pela reciclagem em breve.
O Recytec segue aberto para receber resíduos eletrônicos que seriam descartados, tanto de empresas quanto de pessoas físicas. Para realizar a doação, basta encaminhar o material até a sede do programa, localizado na Escola Técnica Estadual de Cuiabá (Av. Gonçalo Antunes de Barros – Carumbé), ou agendar a coleta por telefone: (65) 99229-2675.
Fonte: Governo MT – MT
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.