MATO GROSSO
Sema reabre dois atrativos do Parque Estadual Serra Azul
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Depois de um ano fechado, o Parque Estadual Serra Azul teve dois atrativos reabertos pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema): duas rampas de voo livre e visitação monitorada ao parque para instituições de ensino. A proposta para o ano que vem é gradativamente dar acesso a novos pontos de visitação, mediante elaboração e execução de projetos que ofereçam melhor estrutura de segurança aos visitantes, uma média de 2,5 mil por mês, além de permitir a conservação da biodiversidade local.
Conforme o coordenador de Unidades de Conservação da Sema, Alexandre Batistella, as visitações permitidas neste momento são condicionadas a autorizações vinculadas à Associação de Voo Livre, para aqueles que praticam o esporte, e também às escolas e universidades da região que desenvolvem projetos específicos na área ambiental. As solicitações deverão ser realizadas com antecedência de uma semana, diretamente à gerência do parque, atendendo às restrições e condicionantes. “Estamos trabalhando para que o parque seja reaberto e a população possa novamente desfrutar com segurança desse espaço privilegiado, mas de forma sustentável e consciente”.
A reabertura desses dois atrativos é resultado da implementação do Protocolo de Intenções assinado pelo governador Pedro Taques no dia 10 de agosto junto às autoridades locais. Durante entrevista coletiva com a imprensa de Barra do Garças, realizada em parceria com Ministério Público Estadual (MPE) na quarta-feira (02.12), Batistella anunciou ainda a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre Sema e MPE no valor de R$ 1 milhão – com recursos provenientes de penas alternativas. O montante será investido de imediato na reforma da guarita do parque, elaboração de projetos prioritários, como a escadaria do Cristo, e posterior construção de infraestruturas receptivas e de segurança para reabertura dos demais atrativos turísticos.
Para o promotor da comarca, Marcos Brant Gambier Costa, esta união de esforços com o Governo do Estado é essencial para que haja uso sustentável e disciplinado do parque. Ele explicou que o recurso anunciado será investido em parcelas e condicionado, por meio do TAC, a projetos específicos e prioritários, oferecendo transparência ao processo. “Ainda não temos como precisar se já estaremos com as estruturas necessárias para liberar a escadaria (para o Cristo) durante a Semana Santa, mas estamos empregando todo nosso esforço para que isso seja possível, é a nossa expectativas. Quero esclarecer que embora o parque esteja fechado, ninguém está parado, porque estamos buscando meios de reabri-lo, mas com segurança”.
A gerente do parque, Cristiane Schnepfleitner, explica que a média anual de visitação variava entre 30 a 35 mil pessoas com diversos atrativos, como: a escadaria para o Cristo; o mirante; as trilhas para o circuito de 15 cachoeiras, com alturas médias de 15 a 25 metros; e a Gruta dos Pezinhos, que continuará interditada, ainda que haja reabertura de outros atrativos, até que se faça um estudo para visitação sustentável, já que a caverna abriga pinturas pré-históricas de valor antropológico incalculável e que estava passando por deterioração.
“Como é um espaço pequeno, as pessoas acabavam colocando as mãos nas inscrições arqueológicas para se apoiar, o que não é viável do ponto de vista da conservação. Também encontramos rabiscos a caneta e tinta na caverna”. Cristiane acrescenta que a trilha de acesso a esta caverna também precisa passar por melhorias, por ser íngreme ela põe em risco a vida das pessoas. “A população sabe da importância desse patrimônio, até porque o parque surgiu da solicitação dos moradores, mas chegamos a um ponto que se fez necessário fechar para readequar o modo que se dá essa visitação. Uma unidade de conservação é diferente de um clube ou de um balneário, é preciso regras, disciplina e uma conscientização maior para a maneira como vamos usufruir deste espaço para que ele perdure para as próximas gerações”.
Radiante, o presidente da Associação Cia do Céu, Jean Carlos Alves, que reúne os esportes da região, fez o primeiro voo livre no dia da reabertura. Ele afirma que esta iniciativa será um incentivo para os praticantes, que estavam tendo que ir para outras cidades de Mato Grosso ou mesmo Goiás em busca do turismo de aventura. “Esse local é perfeito para a prática, fica na nossa cidade, em um lugar muito acessível, de fácil resgate, que chega em até 20 minutos, com rampas limpas onde cabem até três parapentes e permitem a diversão para quem voa e também assiste”. A proposta da associação é fomentar o esporte na região, com o treinamento de novos instrutores.
Plano de trabalho
Entre as prioridades do plano de trabalho que Pedro Taques assinou junto à Câmara Municipal, Prefeitura de Barra do Garças e representante da Comissão de Indústria, Comércio e Turismo da Assembleia Legislativa estão: reforma e ampliação da guarita principal do parque; elaboração de projetos e execução da adequação da estrada até o mirante do Cristo, do ordenamento do mirante e do centro de visitantes, com compra de equipamentos para sua operacionalização; e adequação da trilha das cachoeiras.
Também são fundamentais a desapropriação do Clube da Maçonaria (que será aberto à população); contratação de empresa especializada para estudo de viabilidade de concessão dos atrativos turísticos; contratação de no mínimo três monitores/guardas de parques e de uma brigada para prevenção e combate a incêndios florestais; e aquisição de um veículo 4×4.
Fechamento do parque
O parque foi fechado entre o fim de agosto e início de setembro de 2014 em razão de uma ação recomendatória do Ministério Público do Estado (MPE), depois que um incêndio queimou 80% da cobertura vegetal da área. Na época, entendeu-se que a Sema não tinha condições de manter a conservação do parque para uso público, nem para proteção da biodiversidade. Não estava em funcionamento o conselho consultivo, bem como o plano de manejo para o local não estava implantado.
Sobre o parque
Trata-se de uma unidade de conservação criada a partir da Lei nº 6.439, de 31 de maio de 1994. O Parque Estadual da Serra Azul (Pesa) possuiu 11 mil hectares, fica no município de Barra do Garças e tem a vegetação de Cerrado. Ao todo, Mato Grosso possui 46 unidades de conservação.
Fonte: GOV MT
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Acrismat e Agrihub apresentam relatório que identifica principais desafios da suinocultura em MT
O AgriHub apresentou, durante o 5º Simpósio de Suinocultura, realizado nesta sexta-feira (10), em Cuiabá, a edição 2026 do relatório Sementes da Inovação – Suinocultura, que consolida os resultados do programa voltado à conexão entre produtores rurais, startups e especialistas para acelerar a inovação na cadeia suinícola de Mato Grosso. A publicação traz um diagnóstico do setor, identifica os principais desafios enfrentados pelos produtores e apresenta soluções tecnológicas desenvolvidas para aumentar a eficiência, reduzir custos e fortalecer a competitividade da atividade.
De acordo com a gerente do AgriHub, Érika Segóvia, a escolha da suinocultura para esta edição do projeto acompanha a importância crescente da atividade no estado. Atualmente, Mato Grosso ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de suínos do país, respondendo por 4,78% da produção nacional.
Nas últimas três décadas, o estado passou por uma expressiva expansão no número de matrizes, saltando de aproximadamente 5 mil para 135 mil animais, consolidando-se como um dos principais polos de crescimento da cadeia suinícola brasileira.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de Mato Grosso, envolvendo suinocultores das regiões de Sorriso, incluindo Lucas do Rio Verde, Sinop, Vera e Tapurah, e de Campo Verde, contemplando também Primavera do Leste e Nova Brasilândia.
Ao todo, 123 produtores participaram do levantamento, contribuindo com 66 apontamentos que resultaram na identificação de 32 desafios estratégicos para a cadeia produtiva.
Entre os participantes, predominam propriedades de Ciclo Completo (45,4%), seguidas pelas Unidades Produtoras de Leitões (36,6%) e pelas Unidades de Terminação (18,18%). O levantamento mostra ainda que 40% das granjas possuem entre 1,5 mil e 3 mil animais, enquanto outros 40% operam com plantéis superiores a 12 mil cabeças.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de MT
Segundo Érika Segóvia, o relatório mostra que os produtores demonstram elevada abertura para a inovação, mas ainda enfrentam gargalos importantes relacionados à infraestrutura.
“Enquanto metade das propriedades da região de Campo Verde possui conectividade em toda a área produtiva, nenhuma das propriedades avaliadas em Sorriso conta com cobertura total de internet e parte delas ainda opera sem qualquer tipo de conexão”.
Apesar desse cenário, o interesse pela inovação é elevado. Em Sorriso, por exemplo, todos os produtores entrevistados afirmaram ter interesse em testar novas soluções tecnológicas, reforçando o potencial para expansão da inovação na atividade.
Após o diagnóstico realizado junto aos produtores, o AgriHub priorizou os temas considerados mais críticos para o desenvolvimento da suinocultura em Mato Grosso. Entre eles estão a qualidade da matéria-prima utilizada nas rações; a comercialização dos animais; a capacitação e tecnologia para mão de obra rural; o acesso a linhas de crédito específicas para a atividade; a gestão operacional das propriedades, envolvendo pessoas, governança e resíduos; e a assistência técnica especializada e independente.
Esses desafios serviram de base para o edital de inovação lançado pelo AgriHub. Ao todo, 36 startups se inscreveram para apresentar tecnologias voltadas à cadeia suinícola. Após o processo de avaliação, seis empresas foram selecionadas por apresentarem maior aderência às demandas levantadas pelos produtores.
As soluções contemplam áreas estratégicas como capacitação profissional, acesso ao crédito, inteligência artificial, visão computacional, rastreabilidade animal, automação de processos produtivos e avaliação zootécnica por sensores tridimensionais.
Além de apresentar o diagnóstico da cadeia, o relatório traz recomendações para ampliar a inovação no setor, entre elas o fortalecimento das parcerias com sindicatos rurais, programas de validação das tecnologias diretamente nas propriedades, capacitações contínuas para produtores e startups, expansão do projeto para novos polos produtivos e criação de redes regionais de inovação.
O lançamento do relatório também recebeu o apoio do setor produtivo. Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o estudo representa um instrumento importante para orientar decisões e aproximar os produtores das tecnologias que realmente atendem às necessidades do setor.
Segundo ele, o trabalho surpreendeu positivamente pela abrangência e pela qualidade das informações levantadas junto aos produtores.
“Nós ficamos muito entusiasmados com esse trabalho. Agora, recebendo a conclusão de tudo isso, percebemos a dimensão do projeto. É um trabalho muito importante, que vai trazer muita informação e esclarecer dúvidas que muitas vezes o produtor tem sobre as reais necessidades da cadeia. No início, não tínhamos noção do tamanho do projeto e fomos surpreendidos positivamente. Estamos muito felizes porque esse material vai ajudar muito o setor como um todo”.
Para Tannure, a iniciativa deve servir de referência para outras cadeias produtivas do estado.”Esse é um projeto que todas as atividades produtivas de Mato Grosso precisam aproveitar. Temos muito a aprender. Novas tecnologias surgem o tempo todo e, muitas vezes, elas ainda não chegam até o produtor. O trabalho desenvolvido pelo AgriHub é fundamental para estreitar essa relação entre o campo e a inovação”.
Panorama da suinocultura em MT
O avanço da inovação ocorre em um momento de recuperação da suinocultura mato-grossense. De acordo com o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do AgriHub, Cleiton Gauer, a atividade vive um cenário de consolidação do crescimento do rebanho e de fortalecimento da produção.
Segundo ele, a criação de suínos em Mato Grosso cresceu 17,1% em 2026, em comparação com o ano anterior. O estado também registra a terceira alta consecutiva no número de matrizes, que atualmente está 31,94% acima da média histórica, refletindo os investimentos realizados pelos produtores e o processo de profissionalização da cadeia.
Apesar do bom desempenho produtivo, o setor acompanha com atenção a pressão sobre os preços, o que exige estratégias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade.
“Nos últimos anos, a suinocultura de Mato Grosso passou por um processo de recuperação, com aumento do rebanho, dos abates e da produção. Agora, o desafio é equilibrar esse crescimento da oferta com a rentabilidade do produtor. O setor é profissionalizado, investe em tecnologia e segue trabalhando para fortalecer a atividade e garantir sua sustentabilidade no longo prazo”, destacou Gauer.
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