MATO GROSSO
Sesp realizou 16 operações e 240 prisões em ações estratégicas de combate ao crime organizado em Sorriso
MATO GROSSO
A Secretaria de Segurança realizou, entre janeiro e novembro deste ano, 16 operações voltadas à repressão de organizações criminosas emSorriso (420 km de Cuiabá). Nove foram ostensivas, ou seja, de reforço ao policiamento, e seis de cumprimentos de mandados de prisão, buscas e apreensão.
Em seis operações, a Polícia Civil fez 240 prisões em cumprimento de mandados judiciais, além de dezenas de buscas e apreensões em decorrência de práticas do crime organizado levantadas em investigações.
O secretário de Segurança Pública, coronel Cesar Roveri, assegura que em Sorriso, assim como em outras regiões do Estado, a repressão à criminalidade é permanente. “A determinação do governador Mauro Mendes é de tolerância zero às organizações criminosas, e de melhoria da segurança da população mato-grossense com mais policiamento, atividades de inteligência e trabalho investigativo”, assinala Roveri.
Roveri destaca que o Governo do Estado tem investido e tratado a segurança como prioridade, aportando recursos no aparelhamento e integração das forças policiais. Em Sorriso, especificamente, cita o secretário, o Governo investiu R$ 10,6 milhões em infraestrutura das unidades. Também adquiriu novas viaturas e aparelhou os policiais com armamentos modernos e eficientes, além de treinamento.
“Padronizamos a arma usada no cotidiano por cada policial com a pistola Glock, arma usada, por exemplo, pela Polícia Federal e forças de diversos países. Também temos armamento pesado para o enfretamento que se fizer necessário às organizações criminosas”, completa.

Desde o início deste ano, o efetivo do policiamento ostensivo, da Polícia Militar, está reforçado nas ruas de Sorriso com a Operação Vitae. Na nova fase, este mês, a Vitae conduziu à delegacia 1.400 pessoas, 150 delas por tráfico de droga, e apreendeu 103 armas.
Essa operação integra forças especializadas ao efetivo local, com equipes da Rotam, Bope, Regimento Montado (Cavalaria), Companhia Raio de Motopatrulhamento, Forças Táticas e Ciopaer.
A Polícia Civil, por meio da Delegacia Regional, realizou, em 11 de novembro deste ano, maior operação policial da história de Sorriso, com cumprimento de 123 mandados de busca e apreensão domiciliar, 56 de prisão preventiva, seis de apreensão de menores e 10 ordens de sequestros de bens contra lideranças e integrantes de facções criminosas.
Todas as operações são estratégias planejadas e definidas em estudos e análises de dados e estatísticas criminais. Na região de Sorriso, a Sesp, por meio das secretarias adjuntas de Inteligência e de Integrações Operacionais, trabalha permanentemente integrada às polícias Militar e Civil visando a prevenção de crimes e a desarticulação de atividades criminosas.

DADOS EM QUEDA
Com exceção dos homicídios, que este ano mantiveram números similares aos do ano passado, os demais índices apresentam queda. Entre janeiro e novembro, os registros de roubos, por exemplo, caíram em 48%, de 210 (2022) para 109 (2023). No caso de Furtos, a queda foi de 16%, de 1.265 (2022) para 1.064 (2023).
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.