MATO GROSSO
Setor produtivo propõe criação de Grupo de Trabalho com a Sema-MT para solucionar problemas com o CAR 2.0
MATO GROSSO
A versão 2.0 do Cadastro Ambiental Rural (CAR), que veio com objetivo de agilizar o processo de validação ambiental dos imóveis rurais tem apresentado inconsistências e preocupa o setor produtivo. Com objetivo de sanar essas questões, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA-MT) e o Fórum Agro MT se reuniram com secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto, onde técnicos do setor produtivo apresentaram possíveis falhas apresentadas pela ferramenta.
Durante o encontro, o deputado estadual Chico Guarnieri propôs a criação de um Grupo de Trabalho formado por técnicos do setor produtivo e por servidores da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT) para solucionar questões operacionais do sistema.
“Essa questão do CAR é algo que precisamos resolver urgente aqui em nosso estado, foram encontradas muitas divergências e inconsistências no sistema, o produtor fica preocupado principalmente com o tempo e o retrabalho, que podem aumentar os custos para o produtor, que mais uma vez repito, não pode ser penalizado por isso”.
Segundo informações passadas por técnicos do setor produtivo, algumas falhas no CAR 2.0 incluem o não reconhecimento do município de Boa Esperança do Norte, criado em 2023 após decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
“Isso é preocupante, nos passaram que inclusive alguns CARs que já estavam aprovados e consolidados estavam apresentando algum tipo de pendência. Esse é apenas um dos problemas que nos foram apresentados, como também o não reconhecimento do município de Boa Esperança do Norte, que também é grave”, explicou o coordenador da FPA-MT e deputado estadual Dilmar Dal Bosco.
A secretária adjunta de Gestão Ambiental, Luciane Bertinatto reconheceu que pode ter ocorrido falhas no sistema, e ressaltou a importância do diálogo aberto com os produtores para solucionar os problemas. “São mais de 160 mil imóveis, o sistema pode apresentar erros, mas assim que detectados serão corrigidos de forma rápida. O objetivo do CAR 2.0 não é ser um entrave, muito pelo contrário, queremos dar celeridade na validação dos cadastros para que o produtor possa fazer seu trabalho sem impedimentos e dentro da legalidade”, pontuou.
O presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho comemorou os avanços na discussão e revelou preocupação com a demora no processo, que pode afetar o acesso ao crédito para financiar a próxima safra.
“Fico feliz que conseguimos evoluir na questão do CAR, mas o que preocupa é que esse impasse na validação dos cadastros possa virar um impeditivo para o produtor acessar crédito para financiar sua produção. Estamos próximos de iniciar um novo ano agrícola, e a questão financeira pode causar prejuízos enormes não só para o produtor, como para a economia do estado”.
Já o diretor executivo do Fórum Agro MT, Xisto Bueno destacou a importância do bom relacionamento entre setor produtivo e Governo do Estado. “Saímos satisfeitos com os encaminhamentos da reunião. O diálogo é fundamental. A Secretaria entendeu isso e prontamente se colocou à disposição para resolver os problemas e participar do Grupo de Trabalho. A meu ver foi um encontro muito produtivo e que deve ajudar a resolver os problemas relacionados ao CAR 2.0”.
MATO GROSSO
Especialista alerta: falta de diálogo sobre dinheiro pode comprometer a saúde financeira e até o futuro dos relacionamentos
Quando o assunto é relacionamento, muitos casais conversam sobre casamento, filhos, carreira e planos para o futuro. No entanto, uma das pautas mais importantes para a construção de uma vida a dois ainda costuma ser deixada de lado: o dinheiro.
Questões relacionadas a orçamento doméstico, dívidas, investimentos e metas financeiras frequentemente se tornam fontes de conflitos quando não são discutidas de forma transparente. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre finanças está entre os fatores que mais geram desgaste emocional e tensão dentro dos relacionamentos.
Para a professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, o problema vai além da simples organização financeira.
“Muitos casais evitam conversar sobre finanças. Isso acontece porque culturalmente associamos dinheiro a poder pessoal. Isso pode resultar em um dos parceiros esconder gastos, dívidas e receitas do outro — o que chamamos de infidelidade financeira. Situações como essa podem adicionar estresse constante e, muitas das vezes, são a razão para separações”, explica Maria Clara, da Faculdade Serra Dourada de Lorena.
Os erros financeiros mais comuns entre casais
Segundo a docente, a ausência de um planejamento financeiro compartilhado costuma levar a erros que poderiam ser evitados com uma simples conversa periódica sobre o orçamento familiar.
Entre os problemas mais frequentes está a inexistência de uma reserva de emergência para o casal. Sem esse recurso, situações inesperadas como desemprego, problemas de saúde ou despesas urgentes podem comprometer significativamente a estabilidade financeira da família.
Outro ponto de atenção são os gastos duplicados. A falta de alinhamento pode fazer com que ambos mantenham assinaturas, serviços ou despesas semelhantes sem necessidade, aumentando os custos mensais sem que percebam.
Além disso, quando cada parceiro possui expectativas diferentes para o presente e para o futuro, surgem conflitos relacionados às prioridades financeiras.
“É importante ambos serem sinceros com seus planos para o agora e para o futuro e alinharem as expectativas. Quando existe clareza sobre os objetivos, as decisões financeiras passam a fazer mais sentido para os dois”, destaca.
Transformando dinheiro em ferramenta para realizar sonhos
Embora o tema ainda seja considerado delicado para muitas pessoas, a especialista defende que falar sobre dinheiro pode se tornar um hábito positivo e até motivador.
“Quando o dinheiro vira um instrumento para realizar sonhos juntos, a conversa deixa de ser chata e vira motivadora. Por isso, conversem sobre dinheiro pelo menos uma vez por mês, coloquem como um compromisso na agenda. Não é para brigar, é para comemorar as pequenas conquistas e continuar planejando”, orienta Martins.
Ela recomenda que o casal escolha uma ferramenta de controle financeiro que funcione para ambos, seja uma planilha, aplicativo ou planner. O importante é conseguir visualizar de forma clara quanto dinheiro entra e para onde ele está sendo direcionado.
Outra estratégia é estabelecer metas compartilhadas em diferentes horizontes de tempo:
Curto prazo: viagens, lazer e experiências;
Médio prazo: aquisição de veículo, reformas ou mudanças de residência;
Longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos e independência financeira.
“Estudar sobre juros compostos e conhecer opções de investimentos também ajuda o casal a construir patrimônio de forma mais eficiente ao longo dos anos”, acrescenta.
Conta conjunta ou separada? Especialista explica qual modelo funciona melhor
Uma dúvida comum entre casais diz respeito à administração das contas bancárias. Afinal, é melhor manter tudo separado ou centralizar as finanças?
De acordo com a especialista, não existe uma fórmula única. “Não existe modelo certo ou errado. O mais importante é que a escolha esteja alinhada ao perfil, à rotina e aos objetivos do casal.”
Ela explica que contas totalmente separadas costumam funcionar bem para quem valoriza autonomia financeira, mas podem dificultar a visualização do patrimônio construído em conjunto. Já a conta conjunta oferece maior integração, embora possa gerar conflitos quando os hábitos de consumo são muito diferentes.
Por isso, o modelo híbrido tem ganhado espaço entre especialistas e casais. “O modelo híbrido costuma ser o mais recomendado porque une organização e autonomia. Uma conta pode ser destinada às despesas da casa e às metas compartilhadas, enquanto cada pessoa mantém sua conta individual para gastos pessoais”, ressalta.
Construindo o futuro juntos
Mais do que controlar gastos ou dividir contas, o planejamento financeiro a dois representa uma ferramenta para fortalecer a parceria e construir objetivos em comum.
Em um momento em que o Dia dos Namorados convida casais a refletirem sobre o futuro, a especialista reforça que falar sobre dinheiro é também uma forma de demonstrar confiança, compromisso e responsabilidade.
“Planejar finanças a dois não é sobre controlar o outro. É sobre alinhar sonhos. Quando o casal aprende a falar sobre dinheiro, está, na verdade, desenhando o futuro que quer construir junto”, conclui Maria Clara Martins.
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