MATO GROSSO
Silagem é produzida com acompanhamento técnico da Empaer para garantir sustento do gado na seca
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Cerca de 3 mil toneladas de silagem devem ser produzidas por 25 agricultores familiares por meio de um trabalho desenvolvido em parceria entre a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer) e a Prefeitura Conquista D´Oeste, para garantir o alimento do rebanho bovino e fomentar a cadeia leiteira e de corte do município. A iniciativa faz parte do projeto de silagem e produção de grãos formalizado por meio de um termo de cooperação. O milho usado na ração é cultivado em 100 hectares de área.
Com essa produção, o produtor de leite Revelino Pereira Lopes, 47 anos, tem a certeza de que seu rebanho de 240 cabeças de gado terá alimento garantido no período da seca este ano. O sitio Santa Luzia, localizado na comunidade Santa Clara, é acompanhado pela Empaer desde 2009.
Aproveitando o período da chuva, Revelino está ansioso para iniciar a produção da silagem dos três hectares de milho que plantou no final do ano passado. O corte está agendado para a quarta semana de fevereiro. “Há 13 anos minha propriedade é acompanhada pela Empaer na produção de silagem sempre nesta época do ano. Naquele ano comecei com cana de açúcar e, em 2011, passei a fazer com milho. Agora, estou na expectativa para testar o capiaçu. Tudo para agregar um alimento de qualidade para minha criação”, frisou.

Segundo o produtor, toda a preocupação é garantia certa de leite de qualidade e quantidade. “Nossa produção durante o ano fica entre 250 a 500 litros de leite por dia. Com isso, mantenho uma renda com a qual consigo pagar as contas e sobra ainda um dinheiro para investir na propriedade. A meta é aumentar a área em dois hectares ainda este ano”, afirmou.
O técnico da Empaer, Victor Gustavo Ramos Oliveira, explica que a meta é fomentar o projeto de silagem e produção de grãos. “A iniciativa é realizada desde 2015 e já teve períodos também de inseminação artificial. Sempre com acompanhamento de um técnico da Empaer e da Secretaria de Desenvolvimento Sustentado”.
Ele acrescenta que com a ajuda do técnico da secretaria, Dansley Alves Brás, está acompanhando os produtores na execução de todo projeto. Cada produtor será atendido em uma área de quatro hectares destinados à produção de silagem, para que todos do projeto possam ser beneficiados. O restante das áreas plantadas será destinado para a produção do milho em grãos. “Foi a forma encontrada para incentivar os produtores a produzirem os próprios grãos, inclusive alguns já fazem a sua própria ração, com teor de 22% de proteína bruta”.
Segundo Victor, o objetivo do projeto é priorizar a qualidade do escore corporal (utilizado para determinar a condição nutricional com base na avaliação visual e tátil) dos animais, reprodução, evitar mortes devido à baixa qualidade das pastagens no período de estiagem. “Incentivamos a produção de alimentos para o rebanho e a investir com segurança cada vez mais no melhoramento genético dos seus animais”, destaca ele.
A secretária de Desenvolvimento Sustentado, Marlene Aparecida da Silva, elogiou o trabalho com a Empaer que vem dando certo há muitos anos, independente da gestão municipal. “Muitos produtores já começaram cortar e iniciar o processo de ensilagem. Somos organizados e todo cronograma precisa ser aprovado pelo Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural que a Empaer faz parte. A bacia leiteira do município conta com quatro laticínios que garantem a venda do leite dos produtores familiares”, completa a gestora.
Fonte: GOV MT
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Acrismat e Agrihub apresentam relatório que identifica principais desafios da suinocultura em MT
O AgriHub apresentou, durante o 5º Simpósio de Suinocultura, realizado nesta sexta-feira (10), em Cuiabá, a edição 2026 do relatório Sementes da Inovação – Suinocultura, que consolida os resultados do programa voltado à conexão entre produtores rurais, startups e especialistas para acelerar a inovação na cadeia suinícola de Mato Grosso. A publicação traz um diagnóstico do setor, identifica os principais desafios enfrentados pelos produtores e apresenta soluções tecnológicas desenvolvidas para aumentar a eficiência, reduzir custos e fortalecer a competitividade da atividade.
De acordo com a gerente do AgriHub, Érika Segóvia, a escolha da suinocultura para esta edição do projeto acompanha a importância crescente da atividade no estado. Atualmente, Mato Grosso ocupa a sexta posição entre os maiores produtores de suínos do país, respondendo por 4,78% da produção nacional.
Nas últimas três décadas, o estado passou por uma expressiva expansão no número de matrizes, saltando de aproximadamente 5 mil para 135 mil animais, consolidando-se como um dos principais polos de crescimento da cadeia suinícola brasileira.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de Mato Grosso, envolvendo suinocultores das regiões de Sorriso, incluindo Lucas do Rio Verde, Sinop, Vera e Tapurah, e de Campo Verde, contemplando também Primavera do Leste e Nova Brasilândia.
Ao todo, 123 produtores participaram do levantamento, contribuindo com 66 apontamentos que resultaram na identificação de 32 desafios estratégicos para a cadeia produtiva.
Entre os participantes, predominam propriedades de Ciclo Completo (45,4%), seguidas pelas Unidades Produtoras de Leitões (36,6%) e pelas Unidades de Terminação (18,18%). O levantamento mostra ainda que 40% das granjas possuem entre 1,5 mil e 3 mil animais, enquanto outros 40% operam com plantéis superiores a 12 mil cabeças.
O estudo do projeto Sementes da Inovação foi desenvolvido nos principais polos produtores de MT
Segundo Érika Segóvia, o relatório mostra que os produtores demonstram elevada abertura para a inovação, mas ainda enfrentam gargalos importantes relacionados à infraestrutura.
“Enquanto metade das propriedades da região de Campo Verde possui conectividade em toda a área produtiva, nenhuma das propriedades avaliadas em Sorriso conta com cobertura total de internet e parte delas ainda opera sem qualquer tipo de conexão”.
Apesar desse cenário, o interesse pela inovação é elevado. Em Sorriso, por exemplo, todos os produtores entrevistados afirmaram ter interesse em testar novas soluções tecnológicas, reforçando o potencial para expansão da inovação na atividade.
Após o diagnóstico realizado junto aos produtores, o AgriHub priorizou os temas considerados mais críticos para o desenvolvimento da suinocultura em Mato Grosso. Entre eles estão a qualidade da matéria-prima utilizada nas rações; a comercialização dos animais; a capacitação e tecnologia para mão de obra rural; o acesso a linhas de crédito específicas para a atividade; a gestão operacional das propriedades, envolvendo pessoas, governança e resíduos; e a assistência técnica especializada e independente.
Esses desafios serviram de base para o edital de inovação lançado pelo AgriHub. Ao todo, 36 startups se inscreveram para apresentar tecnologias voltadas à cadeia suinícola. Após o processo de avaliação, seis empresas foram selecionadas por apresentarem maior aderência às demandas levantadas pelos produtores.
As soluções contemplam áreas estratégicas como capacitação profissional, acesso ao crédito, inteligência artificial, visão computacional, rastreabilidade animal, automação de processos produtivos e avaliação zootécnica por sensores tridimensionais.
Além de apresentar o diagnóstico da cadeia, o relatório traz recomendações para ampliar a inovação no setor, entre elas o fortalecimento das parcerias com sindicatos rurais, programas de validação das tecnologias diretamente nas propriedades, capacitações contínuas para produtores e startups, expansão do projeto para novos polos produtivos e criação de redes regionais de inovação.
O lançamento do relatório também recebeu o apoio do setor produtivo. Para o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho, o estudo representa um instrumento importante para orientar decisões e aproximar os produtores das tecnologias que realmente atendem às necessidades do setor.
Segundo ele, o trabalho surpreendeu positivamente pela abrangência e pela qualidade das informações levantadas junto aos produtores.
“Nós ficamos muito entusiasmados com esse trabalho. Agora, recebendo a conclusão de tudo isso, percebemos a dimensão do projeto. É um trabalho muito importante, que vai trazer muita informação e esclarecer dúvidas que muitas vezes o produtor tem sobre as reais necessidades da cadeia. No início, não tínhamos noção do tamanho do projeto e fomos surpreendidos positivamente. Estamos muito felizes porque esse material vai ajudar muito o setor como um todo”.
Para Tannure, a iniciativa deve servir de referência para outras cadeias produtivas do estado.”Esse é um projeto que todas as atividades produtivas de Mato Grosso precisam aproveitar. Temos muito a aprender. Novas tecnologias surgem o tempo todo e, muitas vezes, elas ainda não chegam até o produtor. O trabalho desenvolvido pelo AgriHub é fundamental para estreitar essa relação entre o campo e a inovação”.
Panorama da suinocultura em MT
O avanço da inovação ocorre em um momento de recuperação da suinocultura mato-grossense. De acordo com o superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) e do AgriHub, Cleiton Gauer, a atividade vive um cenário de consolidação do crescimento do rebanho e de fortalecimento da produção.
Segundo ele, a criação de suínos em Mato Grosso cresceu 17,1% em 2026, em comparação com o ano anterior. O estado também registra a terceira alta consecutiva no número de matrizes, que atualmente está 31,94% acima da média histórica, refletindo os investimentos realizados pelos produtores e o processo de profissionalização da cadeia.
Apesar do bom desempenho produtivo, o setor acompanha com atenção a pressão sobre os preços, o que exige estratégias voltadas ao aumento da eficiência e da competitividade.
“Nos últimos anos, a suinocultura de Mato Grosso passou por um processo de recuperação, com aumento do rebanho, dos abates e da produção. Agora, o desafio é equilibrar esse crescimento da oferta com a rentabilidade do produtor. O setor é profissionalizado, investe em tecnologia e segue trabalhando para fortalecer a atividade e garantir sua sustentabilidade no longo prazo”, destacou Gauer.
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