MATO GROSSO
Sistema Fecomércio apresenta programa de reinserção social para Judiciário de MT
MATO GROSSO
O presidente do Sistema Fecomércio-MT, José Wenceslau de Souza Júnior, se reuniu com representantes do Poder Judiciário de Mato Grosso e da estrutura carcerária e socioeducativa do estado para apresentar e construir parcerias que viabilizem o ‘Senac Integra’, programa do Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac-MT) que irá ofertar cursos de qualificação a educandos, facilitando o acesso ao mercado de trabalho.
Em Mato Grosso, a população carcerária é de 11.182 reeducandos em regime fechado e 5.219 presos provisórios. Eles estão distribuídos em 43 unidades. Pela proposta, os participantes poderão trabalhar de duas a quatro vezes por semana e fazer cursos de capacitação profissional uma a três vezes na semana. Eles receberiam bolsa de aproximadamente R$ 1,3 mil pela empresa e o Senac-MT disponibilizaria um ‘ticket’ às famílias, cujos valores ainda serão definidos.
“Esta iniciativa do Senac-MT, um dos braços sociais do Sistema Fecomércio-MT, além de possibilitar o acesso à educação profissional de qualidade às pessoas privadas de liberdade, deve fortalecer a rede de inserção dos mesmos na sociedade e oferecer oportunidades de empregos, começando com a contratação de cerca de 30 pessoas pelo próprio Senac junto à Fundação Nova Chance”, pontuou Wenceslau Júnior.
O diretor regional do Senac-MT, Edson Dahmer, ficou responsável pelo detalhamento do programa. “A formação de mão de obra para o comércio de bens, serviços e turismo é o grande objetivo do Senac. Em diálogo com nossos parceiros, a construção de um programa de integração social com pessoas em situação privada de liberdade considerou quatro pilares: família, social e espiritual, trabalho e educação, que vem de encontro a nossa essência”, elencou Dahmer.
O desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Orlando Perri, destacou os benefícios da contratação de recuperandos para contenção da violência. “Grande parte dos encarcerados são arrimos de família. Quando essas pessoas vão presas, as famílias ficam inteiramente desassistidas e quem se oferece para prover são as facções criminosas. O trabalho é um poderosíssimo instrumento de ressocialização e uma maneira que nós temos de impedir que os reeducandos se filiem às organizações criminosas e mantenham o sustento dos seus núcleos familiares”, observou Perri.
Um dos principais incentivadores do programa, o empresário do comércio atacadista e distribuidor, Sebastião dos Reis Gonçalves, expressou felicidade com a proposta do ‘Senac Integra’. “Este será um novo caminho para as pessoas que a sociedade, geralmente, exclui. A maioria dos reeducandos não querem voltar para o crime e este projeto irá funcionar principalmente por estender a mão às famílias”, celebrou Tião da Zaeli, que também é vice-presidente da Fecomércio-MT.
A juíza e presidente da Associação Mato-grossense de Magistrados (AMAM), Maria Rosi Borba, ressaltou o ineditismo da ação. “Aqui está se propondo algo inovador. Mato Grosso é o grande celeiro do país e daqui tem que sair as grandes ideias. Nós precisamos qualificar e integrar essas pessoas no atual modelo de economia”, enfatizou Rossi.
Também participaram do encontro o juiz da 2ª Vara Criminal de Cuiabá, Geraldo Fidelis; o secretário-adjunto de Administração Penitenciária da Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp-MT), Jean Gonçalves; o vice-presidente da Fecomércio-MT, Marco Pessoz, e o diretor jurídico da entidade, André Stumpf; o presidente da Fundação Nova Chance, Winkler de Freitas; e o diretor regional do Serviço Social do Comércio (Sesc-MT), Allan Serotini.
Ainda as diretoras de Educação Profissional do Senac-MT, Rosana Abutakka, e de Operações, Melina Bufete, a assessora jurídica, Lidiane Lino, a gerente e o coordenador de Serviços Educacionais da instituição, respectivamente, Rachel Garcia e Fernando Paixão; a colaboradora do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo, Patrícia Bachega; e o coordenador da Rede de Atenção à Pessoa Egressa do Sistema Prisional (Raesp), Sandro Lohmann.
O Sistema S do Comércio, composto pela Fecomércio, Sesc, Senac e IPF em Mato Grosso, é presidido por José Wenceslau de Souza Júnior. A entidade é filiada à Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que está sob o comando de José Roberto Tadros.
Siner
O desembargador do Poder Judiciário mato-grossense, Orlando Perri, aproveitou a oportunidade para divulgar à entidade representativa da classe empresarial comerciária o Sistema de Emprego do Reeducando (Siner). A plataforma da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT) facilita a gestão de contratação de mão de obra de recuperandos e egressos do Sistema Prisional de Mato Grosso.
De forma on-line e segura, as empresas encontrarão no site ‘servicos.seplag.mt.gov.br/
Vantagens para as empresas na contratação de reeducandos:
– Os trabalhadores não são regidos pela CLT, mas pela Lei de Execução Penal n.º 7.210/1984;
– Não há despesas com férias, 13º salário e Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), além de outros impostos que incidem sobre folha de pessoal.
– Remuneração fixada em um salário mínimo, observando o transporte e a alimentação do ressocializando;
– A Lei Estadual 11260/2020 concede às pessoas jurídicas subvenção econômica de meio salário mínimo por mês, por egresso do regime aberto contratado, pelo tempo que durar o contrato de trabalho;
– Fidelização do trabalhador estipulada por tempo de contrato;
– Reeducandos selecionados não oferecem risco à sociedade, pois passam por extensa triagem de análise psicológica e bom comportamento;
– Diminuição do absenteísmo. As pessoas privadas de liberdade não faltam por motivo fútil, pois querem garantir a remição da pena por dia trabalhado;
– Maior produtividade no trabalho dos recuperandos devido à oportunidade de capacitação profissional;
– Jornada de trabalho de até oito horas por dia, totalizando 44 horas semanais por colaborador;
– Não há necessidade de processo licitatório para contratação. O modelo de convênio e parceria é intermediado pela Fundação Nova Chance.
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MATO GROSSO
Especialista alerta: falta de diálogo sobre dinheiro pode comprometer a saúde financeira e até o futuro dos relacionamentos
Quando o assunto é relacionamento, muitos casais conversam sobre casamento, filhos, carreira e planos para o futuro. No entanto, uma das pautas mais importantes para a construção de uma vida a dois ainda costuma ser deixada de lado: o dinheiro.
Questões relacionadas a orçamento doméstico, dívidas, investimentos e metas financeiras frequentemente se tornam fontes de conflitos quando não são discutidas de forma transparente. Especialistas apontam que a falta de diálogo sobre finanças está entre os fatores que mais geram desgaste emocional e tensão dentro dos relacionamentos.
Para a professora de Ciências Contábeis Maria Clara Martins, o problema vai além da simples organização financeira.
“Muitos casais evitam conversar sobre finanças. Isso acontece porque culturalmente associamos dinheiro a poder pessoal. Isso pode resultar em um dos parceiros esconder gastos, dívidas e receitas do outro — o que chamamos de infidelidade financeira. Situações como essa podem adicionar estresse constante e, muitas das vezes, são a razão para separações”, explica Maria Clara, da Faculdade Serra Dourada de Lorena.
Os erros financeiros mais comuns entre casais
Segundo a docente, a ausência de um planejamento financeiro compartilhado costuma levar a erros que poderiam ser evitados com uma simples conversa periódica sobre o orçamento familiar.
Entre os problemas mais frequentes está a inexistência de uma reserva de emergência para o casal. Sem esse recurso, situações inesperadas como desemprego, problemas de saúde ou despesas urgentes podem comprometer significativamente a estabilidade financeira da família.
Outro ponto de atenção são os gastos duplicados. A falta de alinhamento pode fazer com que ambos mantenham assinaturas, serviços ou despesas semelhantes sem necessidade, aumentando os custos mensais sem que percebam.
Além disso, quando cada parceiro possui expectativas diferentes para o presente e para o futuro, surgem conflitos relacionados às prioridades financeiras.
“É importante ambos serem sinceros com seus planos para o agora e para o futuro e alinharem as expectativas. Quando existe clareza sobre os objetivos, as decisões financeiras passam a fazer mais sentido para os dois”, destaca.
Transformando dinheiro em ferramenta para realizar sonhos
Embora o tema ainda seja considerado delicado para muitas pessoas, a especialista defende que falar sobre dinheiro pode se tornar um hábito positivo e até motivador.
“Quando o dinheiro vira um instrumento para realizar sonhos juntos, a conversa deixa de ser chata e vira motivadora. Por isso, conversem sobre dinheiro pelo menos uma vez por mês, coloquem como um compromisso na agenda. Não é para brigar, é para comemorar as pequenas conquistas e continuar planejando”, orienta Martins.
Ela recomenda que o casal escolha uma ferramenta de controle financeiro que funcione para ambos, seja uma planilha, aplicativo ou planner. O importante é conseguir visualizar de forma clara quanto dinheiro entra e para onde ele está sendo direcionado.
Outra estratégia é estabelecer metas compartilhadas em diferentes horizontes de tempo:
Curto prazo: viagens, lazer e experiências;
Médio prazo: aquisição de veículo, reformas ou mudanças de residência;
Longo prazo: aposentadoria, educação dos filhos e independência financeira.
“Estudar sobre juros compostos e conhecer opções de investimentos também ajuda o casal a construir patrimônio de forma mais eficiente ao longo dos anos”, acrescenta.
Conta conjunta ou separada? Especialista explica qual modelo funciona melhor
Uma dúvida comum entre casais diz respeito à administração das contas bancárias. Afinal, é melhor manter tudo separado ou centralizar as finanças?
De acordo com a especialista, não existe uma fórmula única. “Não existe modelo certo ou errado. O mais importante é que a escolha esteja alinhada ao perfil, à rotina e aos objetivos do casal.”
Ela explica que contas totalmente separadas costumam funcionar bem para quem valoriza autonomia financeira, mas podem dificultar a visualização do patrimônio construído em conjunto. Já a conta conjunta oferece maior integração, embora possa gerar conflitos quando os hábitos de consumo são muito diferentes.
Por isso, o modelo híbrido tem ganhado espaço entre especialistas e casais. “O modelo híbrido costuma ser o mais recomendado porque une organização e autonomia. Uma conta pode ser destinada às despesas da casa e às metas compartilhadas, enquanto cada pessoa mantém sua conta individual para gastos pessoais”, ressalta.
Construindo o futuro juntos
Mais do que controlar gastos ou dividir contas, o planejamento financeiro a dois representa uma ferramenta para fortalecer a parceria e construir objetivos em comum.
Em um momento em que o Dia dos Namorados convida casais a refletirem sobre o futuro, a especialista reforça que falar sobre dinheiro é também uma forma de demonstrar confiança, compromisso e responsabilidade.
“Planejar finanças a dois não é sobre controlar o outro. É sobre alinhar sonhos. Quando o casal aprende a falar sobre dinheiro, está, na verdade, desenhando o futuro que quer construir junto”, conclui Maria Clara Martins.
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