MATO GROSSO
Técnica de enfermagem perde seio por câncer de mama após diagnóstico alegar que massa era apenas gordura
MATO GROSSO
Técnica de enfermagem e mãe de três flhos, Edileny Mayre de Oliveira, de 46 anos, faz tratamento de câncer de mama, em fase de metástase, depois que recebeu dois diagnósticos errados, que indicaram que o nódulo em seu seio seria apenas gordura. Segundo Edileny contou à Universa Uol, o erro a fez atrasar seu tratamento, iniciado num posto de saúde no bairro Jardim Independência, em Cuiabá. Ela apenas descobriu as dores decorrentes do câncer após gesto de sua filha de 11 anos, quando a pequena encostou a cabeça no seio direito da mãe. “Senti uma dor muito forte e fui ao médio no dia seguinte”, contou.
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A mulher relata que um primeiro médico do posto de saúde do bairro Jardim Independência, em Cuiabá, em 2019, a examinou manualmente e amenizou a situação, informando que o nódulo era pequeno. Ela foi encaminhada, então para exame com outro médico — que também não levantou a possibilidade de câncer.
“Fui ao médico logo no dia seguinte no posto de saúde perto de casa. Ele examinou, disse que estava pequeno o nódulo, mas pediu os exames. Quando fiz os exames, o mastologista afirmou que não era nada, apenas gordura. Falou até que o médico do posto iria diagnosticar a mesma coisa. No posto, eu recebi a orientação para fazer dieta porque seria gordura e tomar um remédio para amenizar a dor”, disse a técnica de enfermagem.
Porém, as dores da mãe não passaram com os medicamentos indicados pelos primeiros diagnósticos, e o estado do seu seio direito piorou. Diante disso, ela teve que buscar outro médico, no mesmo posto de saúde, meses depois. Somente após perceber que o estado de seu seio estava grave, o profissional decidiu que Edileny deveria passar por especialista em oncologia no Hospital de Câncer de Cuiabá.
Com o encaminhamento, ela fez exame de biopsia pelo Sistema Único de Saúde (SUS) que atestou o câncer de mama, em março de 2020, aproximadamente sete meses depois do primeiro diagnóstico em rede pública.
Após 45 dias, ela levou o resultado do exame ao médico do hospital e ele constatou que o câncer já estava em estado avançado, por conta da metástase, e recomendou a retirada do seio.
Edileny então decidiu, após a retirada de seu seio, procurar o médico que lhe deu o primeiro diagnóstico errado, afirmando que seria gordura e que ela teria que fazer dieta. A resposta do médico, curta, apenas deu conta de que “ah, me desculpa era pra eu ter encaminhado direto pra biópsia mesmo.
A Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá informou que está em busca de informações sobre Edileny para emitir posicionamento do caso.
FONTE/ REPOST: PEDRO Coutinho BERTOLINI
MATO GROSSO
“Tumores cerebrais estão entre as principais causas de óbitos em crianças”, reforça especialista
O mês de maio é marcado pela campanha Maio Cinza, dedicada à conscientização sobre os tumores cerebrais, uma condição grave que exige atenção, informação e acesso rápido ao diagnóstico e tratamento adequado. A iniciativa busca alertar a população sobre sinais e sintomas, além de reforçar a importância da detecção precoce para aumentar as chances de controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 11.400 novos casos anuais de câncer cerebral e do sistema nervoso no Brasil. Em Mato Grosso, a taxa projetada fica em torno de 140 casos. De acordo com o médico cancerologista pediátrico e coordenador científico do projeto de Diagnóstico Precoce da Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT), Dr. Wolney Taques (CRM-MT 3592, Cancerologia Pediátrica-RQE-48), os tumores cerebrais estão entre as condições neurológicas mais complexas e desafiadoras da medicina e as que mais causam óbitos.
“Sabemos que esses tumores podem acometer pessoas de qualquer idade. No entanto, em crianças, eles estão entre as principais causas de mortalidade, juntamente com casos de leucemia e linfoma. Trata-se de um tipo de câncer bastante agressivo, que pode deixar sequelas”, explicou o médico.
Embora não sejam necessariamente a forma mais comum de câncer, eles estão associados à alta gravidade clínica, especialmente devido ao impacto que podem causar em funções vitais do sistema nervoso central. Em muitos casos, o diagnóstico tardio contribui para a piora do prognóstico, o que torna a conscientização ainda mais essencial.
Entre os principais sintomas que merecem atenção estão dores de cabeça persistentes e progressivas, alterações visuais, convulsões, mudanças de comportamento, dificuldades motoras e problemas de fala ou memória. A presença desses sinais não significa necessariamente a existência de um tumor, mas indica a necessidade de avaliação médica especializada.
O diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais para identificar alterações no cérebro e permitir a definição da conduta terapêutica mais adequada, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do caso.
“É fundamental destacar que crianças que apresentem sintomas devem ser avaliadas por um médico pediatra. Caso haja suspeita de tumor cerebral, o encaminhamento imediato para um especialista em oncologia pediátrica é essencial, pois aumenta as chances de cura e reduz o risco de sequelas. Tanto o pediatra quanto o especialista em oncologia pediátrica podem solicitar exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que são decisivos para confirmar o diagnóstico”, concluiu.
Ao longo desses 27 anos, a AACCMT já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos. Entre eles alguns casos de tumores cerebrais.
“Nosso objetivo é oferecer todo o apoio necessário para que crianças e adolescentes possam realizar o tratamento adequado e receber acompanhamento psicológico, com a participação da família, sem comprometer a rotina escolar por estarem afastados de casa”, pontuou o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
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