MATO GROSSO
Upas e policlínicas da Capital realizaram mais de 300 mil consultas em onze meses
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Levantamento realizado pelo setor de estatística da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) mostra que de janeiro a novembro de 2021, as seis unidades da Atenção Secundária (UPAs do Verdão, Pascoal Ramos e Morada do Ouro e Policlínicas do Planalto, Pedra 90 e Coxipó) realizaram juntas um total de 307.626 consultas, o que representa uma média de 150 atendimentos diários por unidade.
Desse total, 64% dos atendimentos realizados foram referentes a pacientes classificados com as cores verde e azul pela triagem, ou seja, pouco urgente ou sem urgência. Além disso, 1.327 foram classificados com a cor vermelha (casos emergentes, que necessitam de socorro imediato); 98.750 foram triados como amarelos (urgentes, com tolerância de 60 minutos de espera); 184.771 acolhimentos foram considerados verdes (pouco urgentes, com tempo de espera de até 2 horas) e 12.102 recepções ocorreram a pacientes classificados com a cor azul (sem urgência, que podem aguardar por até 4 horas).
Em cumprimento à Lei nº 10.048/2000, foram registrados 8.432 classificados com a cor roxa (quando o paciente é deficiente físico, idoso, gestante, lactante ou acompanhado por criança de colo, ou seja, precisa de atendimento prioritário) e ainda houve 2.244 triagens com a cor preta (quando o paciente afirma ter alergia a algum tipo de medicamento).
Aumento da demanda
Na última semana do ano de 2021, com o aumento dos casos de síndromes gripais não só em Cuiabá, mas em todo o país, aumentou também a procura nessas unidades de pronto atendimento. A média, que era de 150 consultas por dia, chegou a 500 por dia, em algumas unidades.
Entre os dias 26 e 31 de dezembro, foram feitos 11.622 atendimentos médicos em todas as UPAs e Policlínicas de Cuiabá. Os números foram mais elevados nos dias 26, 27 e 28 de dezembro (2.040, 2.677 e 2.386, respectivamente). Depois, voltaram a cair até o dia 31 (1.954, 1.519 e 1.046 atendimentos, respectivamente).
Já na primeira semana de 2022, entre os dias 1º e 8, foram realizadas 12.146 consultas nas seis unidades de Atenção Secundária (1.133, 1.325, 1.962,1.709, 1.546, 1.594. 1.568 e 1.309 atendimentos, respectivamente), o que dá uma média de 253 acolhimentos diários por unidade, ou seja, ainda superior ao que era habitual ao longo do ano passado.
Fluxo de atendimento
Apesar de os dados referentes à classificação de cada paciente ainda não estarem tabulados, é unânime entre os coordenadores desses estabelecimentos que a grande maioria dos casos continua sendo de casos leves de síndromes gripais. Diante dessa situação, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) tem intensificado às orientações à população quanto ao fluxo correto para procurar assistência médica.
“Nós temos que entender que o Sistema Único de Saúde (SUS) é dividido em atenções primária, secundária e terciária. E a estrutura primária em Cuiabá é muito bem equipada. Então, em caso de sintomas leves, o ideal é procurar a UBS mais próxima e deixar para a policlínica ou UPA os casos mais graves, que são os notificados”, explica Renan Mâncio, diretor clínico da UPA Norte.
De acordo com a enfermeira Josy Venero, responsável técnica da UPA Sul, durante esse momento em que as unidades estão superlotadas, a todo momento as equipes passam na recepção orientado às pessoas quanto ao fluxo de atendimento, sobre o tempo de espera, que é delimitado de acordo com a classificação de risco de cada paciente, no intuito de conquistar a compreensão dos pacientes e otimizar o serviço.
“Nós estamos fazendo essa orientação até para que eles saibam o risco de estarem aqui, devido à circulação dos vírus, não sabemos se é covid-19 ou não, até fazer um teste. Mas muitos preferem ficar aqui ao invés de ir nas unidades básicas. Tem pessoas que vão todos os dias, com os mesmos sintomas leves e mesmo já tendo recebido atendimento médico e medicamentos no dia anterior alegando que precisam de atestado médico”, relata.
Plano de Enfrentamento à Síndrome Gripal
Conforme o Plano de Enfrentamento à Síndrome Gripal e Síndrome Respiratória Aguda Grave, anunciado pelo prefeito Emanuel Pinheiro no dia 24 de dezembro, todas as unidades básicas de saúde passaram a atender os pacientes com sintomas gripais leves em livre demanda, ou seja, sem necessidade de agendamento.
Isso significa que pessoas com sintomas como coriza, mal-estar, febre, diarreia e tosse, devem procurar a unidade de saúde da família mais próxima de sua casa. Já ao sentir um desconforto respiratório ou aumento da frequência respiratória, por exemplo, o indicado é procurar a unidade de pronto atendimento. Os casos que necessitarem de internação serão encaminhados para o Hospital Referência à Covid-19 (antigo Pronto Socorro) ou para o Hospital São Benedito (Com Assessoria).
FONTE/REPOST: Airton Marques – OLHAR DIRETO
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Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.