MATO GROSSO
Vereador diz que escândalos podem afastar Emanuel e pede à cuiabanos que observem a Câmara
MATO GROSSO
O vereador por Cuiabá, Fellipe Corrêa (Cidadania), acredita que o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), será preso até 2024, pelas inúmeras denúncias e investigações de corrupção que vêm se tornando públicas.
Ao ressaltar o rombo de R$ 213 milhões em dívidas da Secretaria Municipal de Saúde.
Como alerta o parlamentar recomenda à população cuiabana ‘observar’ os vereadores que fazem parte da base de apoio do emedebista, na Câmara, pois, segundo ele, nas eleições municipais de 2024 os discursos podem mudar.
“Daqui para 2024, acredito que o prefeito Emanuel Pinheiro seja afastado ou até mesmo preso! Aconselho os eleitores a observar os vereadores que hoje apoiam o prefeito e atrapalham a Câmara na fiscalização, pois em 2024 eles podem migrar para outra narrativa e bater na sua porta para pedir seu voto”, afirmou durante entrevista à Rádio Capital FM, nesta última semana.
Vale lembrar que na última quinta-feira (09), ocorreu na Câmara de Cuiabá, a votação para o pedido de abertura de uma Comissão Processante contra o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB). O projeto de autoria do vereador Dilemário Alencar (Podemos), ainda pedia que após as investigações fosse cassado o mandato do emdebista, mas por 14 votos contrários, 9 a favor e uma ausência foi negada abertura da comissão.
Essa não é a primeira vez que o Legislativo Municipal rejeita um pedido de Comissão Processante contra o prefeito. Em dezembro de 2021, dois pedidos feitos pelos vereadores Tenente-coronel Marcos Paccola (Cidadania) e Marcus Brito Júnior (PV), com base no relatório produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Medicamentos, também foram rejeitados.
De acordo com o documento, o prefeito emedebista seria responsável pela falta de medicamentos e médicos na rede pública de saúde da Capital. E que teria assumido junto ao Judiciário, uma dívida de R$ 213 milhões na Secretaria Municipal de Saúde.
O BOM DA NOTÍCIA
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.