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Comissão externa que acompanha investigação do assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips fará visita à região do crime

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A comissão externa da Câmara dos Deputados criada para acompanhar a investigação do crime ocorrido no Vale do Javari vai fazer uma diligência no local onde o indigenista brasileiro Bruno Pereira e o jornalista e ativista de origem britânica Dom Phillips foram assassinados, na região de fronteira do estado do Amazonas. A decisão foi tomada na primeira reunião do colegiado, realizada nesta terça-feira (21), quando também foram aprovados o plano de trabalho e uma série de requerimentos de atividades a serem realizadas.

A visita dos deputados ao local deve ser feita nos próximos dias, juntamente com a comissão do Senado também criada para acompanhar as investigações do crime.

Entre os requerimentos aprovados está um apresentado pela deputada Joenia Wapichana (Rede-RR), que solicita aos órgãos de segurança que garantam a proteção dos líderes das entidades indígenas que atuam no Vale do Javari. Segundo a deputada, muitos desses líderes foram essenciais para elucidar o crime e, por isso, estão sendo ameaçados.

“O caso do Bruno e do Dom Philips deixa bastante apreensivas as lideranças que denunciaram e acompanharam a busca dos desaparecidos e que foram essenciais na orientação, no mapeamento e nas informações que os policiais utilizaram para fazer a identificação da localização e, até mesmo, dos culpados”, disse Joenia.

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A comissão decidiu, ainda, realizar uma série de audiências públicas para ouvir indígenas, familiares, indigenistas e pesquisadores sobre as condições do Vale do Javari. Também devem ser convidados a prestar esclarecimentos dirigentes de entidades governamentais como o Ministério da Justiça, a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), entre outros.

Desmonte
O deputado Nilto Tatto (PT-SP) acusou o governo Bolsonaro de incentivar o desmatamento, o garimpo e a pesca ilegais, com o desmonte dos órgãos de fiscalização e proteção à Amazônia e aos povos originários. “É bem provável que o assassinato de Bruno e de Dom também esteja nessa sequência de desmonte e, ao mesmo tempo, por parte do governo e de seus principais auxiliares, do incentivo à criminalidade, em especial na Amazônia”, criticou.

Um dia depois de localizar os corpos e anunciar a confissão dos assassinos de Dom Phillips e Bruno Pereira, a Polícia Federal emitiu nota por meio da qual anunciou que os assassinos agiram sozinhos, e que não deve haver um mandante ou uma organização envolvida no crime.

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Reportagem – Silvério Rios
Edição – Rachel Librelon

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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