POLITÍCA NACIONAL
Debatedores destacam importância de equalizar acesso a teste do pezinho no País
POLITÍCA NACIONAL
Participantes de sessão solene realizada pela Câmara dos Deputados nesta terça-feira (6) destacaram a urgência de garantir o acesso ao teste do pezinho ampliado para todos os recém-nascidos e lembraram que diagnósticos precoces, além de poupar vidas, representam economia para o sistema de saúde. A sessão no Plenário celebrou o dia nacional do teste do pezinho (6 de junho).
O teste do pezinho é o exame de triagem neonatal feito a partir de amostra de sangue coletada no calcanhar do recém-nascido. Com ele, é possível identificar doenças metabólicas, genéticas e infecciosas que, quando tratadas precocemente, possibilitam o desenvolvimento físico e mental adequado das crianças.
Desde o ano passado está em vigor a lei do Teste do Pezinho Ampliado (Lei 14159/21), que aumentou o alcance do exame, tornando-o capaz de detectar mais de 50 tipos de doenças.
O dia nacional, instituído em 2007, tem por objetivo informar à população sobre a importância de realizar o teste em todos os recém- nascidos entre o terceiro e o quinto dia de vida.
Para a deputada Maria Rosas (Republicanos-SP), que pediu para a realização da sessão solene, é preciso garantir o acesso ao teste para todos os recém-nascidos, uma vez que o atraso no diagnóstico pode levar à morte de crianças por doenças que são tratáveis. “O objetivo da sessão solene é disseminar informações, é conscientizar famílias e dizer que estamos juntos nessa luta.”
Desigualdades regionais
O representante da Sociedade Brasileira de Pediatria Renato Kfouri afirmou que o teste do pezinho faz parte do programa nacional de saúde e precisa ser implementado em todo o País. Ele destacou que a grande desigualdade existente no País se reflete também no acesso ao exame.
“Existe uma grande iniquidade em estados e municípios onde os exames não são colhidos, os laboratórios não estão preparados, os kits para a realização dos testes não chegam, a entrega não é em tempo adequado”, enumera Kfouri. “Nesse lugares, as crianças perdem a janela de oportunidade de tratamento e as sequelas se instalam. E essa criança está justamente nos estados que têm menos condições de lidar com o tratamento, o que aumenta mais ainda a desigualdade no País”, lamenta.
Doenças raras
Segundo o representante do Instituto Jô Clemente na sessão solene, Michel Brull, estima-se que atualmente o Brasil tenha 13 milhões de pessoas com doenças raras que, se não forem diagnosticadas a tempo, representarão um custo quatro vezes maior para o sistema de saúde, com grande chance de óbito precoce.
A fundadora da Casa Hunter – instituição que acolhe pacientes de doenças raras e suas famílias –, Andréia Bessa, afirmou que o teste é a porta de entrada para que essas pessoas tenham acesso às políticas públicas que vão garantir a qualidade de vida.
“Nós temos desafios e um deles é a estruturação das linhas de cuidado. Como nos estruturarmos e estruturar a linhas de cuidado após diagnóstico, e como reduzir a jornada desse paciente. A implementação de políticas públicas é redução de gastos, não é aumento de gastos”, afirmou.
A neuropediatra Fernanda Monte destacou que não se trata só de um teste, mas de algo que muda a vida das pessoas, já que as doenças detectadas vão aparecer em algum momento, comprometendo a vida desses pacientes.
Reportagem – Karla Alessandra
Edição – Rachel Librelon
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.