POLITÍCA NACIONAL
Especialistas em meio ambiente e energia buscam soluções para morte de animais na rede elétrica
POLITÍCA NACIONAL
A busca de soluções para reduzir o elevado número de animais silvestres eletrocutados no País mobilizou organizações não governamentais (ONGs) ambientalistas e representantes de empresa elétrica e de agência reguladora em debate nesta quinta-feira (5) na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados.
O tema também é alvo do projeto de lei que cria a Política de Prevenção de Acidentes Elétricos com Animais Silvestres (PL 564/23). Não há dados oficiais sobre animais eletrocutados, mas os casos são evidentes. A mais recente mobilização veio do Rio de Janeiro por meio do presidente do Instituto Vida Livre, Roched Seba.
“Há negligência sobre o assunto: um órgão diz que o outro não regulamenta, então não tem o que fazer. Estou falando de quase 30 animais que morreram (na fiação). Por exemplo, quando morre um macaco – que é um animal que vive em bando como nós [humanos] e tem elos, famílias e grupo –, abala uma sociedade inteira. E há uma série de outros animais afetados: preguiças, cuícas, tamanduás, aves. Eu vi que isso é um problema do Brasil inteiro”, disse Roched Seba.
Ao longo de 2022, o Centro de Reabilitação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá, também no Rio de Janeiro, registrou outros 80 casos, sem contar os animais que morreram ou fugiram antes do atendimento.
O veterinário e diretor da ONG Jaguaracambé, de Brasília, Brayam Amorim, também ressaltou que o problema é nacional. “Sou eu quem recebe o animal eletrocutado quando ele ainda tem alguma chance de atendimento. Dentro do próprio Zoológico de Brasília, que está em uma unidade de conservação, temos casos rotineiros, pelo menos uma vez no mês, de urubu ou macaco prego ou bugio eletrocutado. Essa é uma problemática que precisa ser resolvida agora”, afirmou.
Organizador do debate e autor da proposta de política de prevenção, o deputado Marcelo Queiroz (PP-RJ) quer solução imediata que concilie a proteção animal com a geração de energia elétrica. “É pensar como fazer isso de forma rápida e contar com o apoio da Aneel e do governo federal de forma rápida. Tem uma cláusula pétrea que nós, deputados da Frente em Defesa dos Animais, respeitamos, que é não tratar animal como coisa.”
Rede de transmissão
O coordenador de qualidade na prestação de serviços da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Renato de Sousa, explicou que a rede de transmissão de energia no Brasil envolve 179 mil km, com projeção de chegar a 216 mil km até 2027.
Apesar de não haver regulamentação taxativa sobre o tema, ele garantiu que a preocupação com os animais está presente em vários programas da Aneel.
Sousa fez críticas pontuais ao projeto de lei, sobretudo quanto à obrigatoriedade de instalação de cones na parte superior dos postes e de criação de corredores ecológicos. Ele teme impacto no bolso do consumidor.
“A transmissão naturalmente caminha pelas áreas rurais para levar a energia de uma eólica ao centro de Brasília, ou ir de Itaipu, na fronteira entre Brasil e Paraguai, até São Paulo. A preocupação aqui é que a gente pode ter uma ampliação muito grande das torres que sofreriam algum tipo de intervenção. E lembro: toda vez em que uma transmissora tem que fazer um investimento na rede, pode trazer impacto na tarifa.”
A Light, principal concessionária de distribuição de energia elétrica do estado do Rio de Janeiro, já foi acionada pelo Ministério Público por causa da morte de animais silvestres eletrocutados.
Autor de uma das ações, o ex-secretário municipal de Meio Ambiente do Rio de Janeiro, Bernardo Egas, disse que as empresas elétricas podem ser autuadas com base na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98) por conta de mutilação e maus-tratos de animais.
O superintendente de relações institucionais da Light, Daniel Mendonça, lembrou que, mesmo enfrentando processo de recuperação judicial, a empresa tem procurado soluções por meio de novas tecnologias (projetos de P&D).
“A Light está sim sensível ao tema. Dentro das nossas atuais dificuldades financeiras, estamos tentando avançar sobretudo no acordo com o Ibama. O ideal seria que nós eliminássemos esse problema. Mas, talvez na impossibilidade de eliminá-lo 100%, a gente possa fazer um esforço bastante intenso de mitigação”, afirmou.
O deputado Marcelo Queiroz pretende convidar concessionárias de outros estados para continuar o debate em torno do tema.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Pierre Triboli
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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