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Extensão universitária depende de financiamento permanente, defendem debatedores

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POLITÍCA NACIONAL

Em debate sobre o financiamento da extensão universitária no País nesta quinta-feira (25), representantes de instituições de ensino superior defenderam, além de orçamento permanente, a integração dos projetos de extensão com as políticas governamentais.

Conforme explicaram os participantes da audiência pública da Comissão de Educação na Câmara dos Deputados, o Plano Nacional da Educação em vigor tornou obrigatória a inclusão de projetos de extensão no currículo regular dos cursos de graduação. Pela lei, as atividades de extensão devem responder por 10% da carga horária dos estudantes, pelo menos.

Apesar dessa exigência, a extensão nunca contou com orçamento próprio. O financiamento das atividades sempre ocorreu por meio de editais das instituições de fomento, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Entre 2003 e 2016, segundo o diretor de Políticas e Programas de Educação Superior do Ministério da Educação, Alexandre Fonseca, havia no ministério um programa de extensão, extinto depois do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Mesmo no período, a maior destinação governamental à atividade foi de R$ 85 milhões.

Conforme explicou a coordenadora do Fórum de Pró-reitores de Extensão dos Institutos Federais de Educação Profissional e Tecnológica, Geísa Boaventura, fazer extensão exige investimento. Muitas vezes, segundo disse, os alunos precisam se deslocar por longas distâncias porque muitas atividades ocorrem em comunidades no interior do país.

Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Financiamento da extensão universitária. Dep. Dandara (PT - MG)
Dandara: experiência de vida com a extensão universitária

Extensão em terra indígena
Esse foi o caso da deputada Dandara (PT-MG). Formada em Pedagogia pela Universidade Federal de Uberlândia, ela realizou projeto de extensão universitária em uma comunidade indígena do Mato Grosso, como relatou na audiência.

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“Eu deixei de trabalhar na lan house do meu bairro para fazer Pibid [Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência], educação do campo. Eu consegui me dedicar à educação, à ciência, à pesquisa graças à bolsa de R$ 400 que eu recebia. Se hoje consigo debater a demarcação de terras indígenas e lutar contra esse marco temporal, cuja urgência foi aprovada ontem de forma abrupta, é porque eu tive a oportunidade, em 2013, de ir para as aldeias Guarani-Kayowá”, disse a deputada. 

Educação integral
Embora a destinação de orçamento permanente para a extensão seja fundamental, o financiamento das atividades pode vir também do trabalho conjunto com outros órgãos da administração pública. Assim como os demais debatedores, o vice-reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Penildon Silva Filho, sublinhou que as atividades de extensão podem e devem se integrar a outras políticas do governo federal, como educação básica.

“A curricularização da extensão vem para complementar o principal programa do governo Lula, que é a educação integral, que não é somente a educação de tempo integral, é uma educação de qualidade integral, de formação nas humanidades, de formação nas ciências, de formação nas artes, de formação política”, disse.

Para ele, a extensão também pode contribuir com as políticas de distribuição de renda. Na UFBA, Penildon Silva Filho explicou que parte da assistência estudantil ocorre por meio de bolsas de extensão universitária. O mecanismo ajudaria, inclusive, a assegurar a permanência do aluno na universidade.

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De acordo com o vice-reitor, a evasão do ensino superior sempre foi alta, em torno de 30%. Depois da pandemia de Covid-19, no entanto, o problema teria se agravado, e agora metade dos estudantes abandonam os cursos de graduação.

Integrar a universidade à educação básica poderia reduzir também o abandono dos estudos por alunos do ensino médio, que, conforme ressaltou Penildon Silva Filho, representa um dos grandes desafios do país. Segundo ele, a interação entre os dois níveis de ensino levaria a uma melhoria na qualidade da educação básica e colocaria os alunos do ensino médio em contato com a universidade, criando para eles uma perspectiva de futuro.

Orçamento
Autora do pedido para a realização da audiência pública, a deputada Lídice da Mata (PSB-BA) se comprometeu a trabalhar para assegurar destinação orçamentária permanente para os programas de extensão universitária.

“Nós devemos atuar na Comissão de Orçamento para incluir a extensão no orçamento das universidades, do Ministério da Educação, trabalhar nas emendas das bancadas regionais. O nosso entendimento é que nós precisamos ampliar os orçamentos das universidades para ampliar também o orçamento da extensão universitária”, disse.

Lídice da Mata também considera fundamental a criação de uma política sistêmica da extensão, em integração com as demais ações do governo. Para a deputada, é importante incluir estados e municípios no debate para o estabelecimento dessa política.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Roberto Seabra

Fonte: Câmara dos Deputados

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GERAL

Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.

A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.

O que é essa tarifa e como funciona?

A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.

Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.

Exemplo simples: 

Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:

  • Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.

  • Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.

  • Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.

  • Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.

  • Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.

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Como isso afeta o Brasil?

A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:

  • Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.

  • Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.

  • Perda de mercado para concorrentes de outros países.

  • Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).

  • Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.

 

Quais produtos serão mais afetados?

A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:

  • Carnes bovina, suína e de frango

  • Café

  • Suco de laranja

  • Soja e derivados

  • Minério de ferro e aço

  • Aeronaves e peças da Embraer

  • Cosméticos e produtos farmacêuticos

  • Celulose, madeira e papel

Brasil pode retaliar?

O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.

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E o consumidor brasileiro, será afetado?

Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.

O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).

A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.

O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.

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