POLITÍCA NACIONAL
Gestores pedem ampla reestruturação da educação profissional
POLITÍCA NACIONAL
Vários gestores de escolas técnicas e de ensino a distância do Distrito Federal defenderam nesta terça-feira (23) uma ampla reestruturação da educação profissional no Brasil a partir de proposta sobre o tema (PL 6494/19) em análise em comissão especial da Câmara dos Deputados. Entre outros pontos, o texto facilita o aproveitamento de créditos de cursos técnicos em instituições de ensino superior, além de ajustar o tema à Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional e à Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
Em audiência no colegiado, o diretor do Centro de Educação Profissional da Escola de Música de Brasília, Davson de Souza, sugeriu outras mudanças estruturais a partir do texto, como incentivos a toda cadeia produtiva do ensino técnico-profissional.

“Para que a formação técnica no Brasil seja bem sucedida, é importante que esse projeto de lei garanta não só a formalidade e a boa remuneração das atividades formalizadas de estágio e a contagem e equivalência de carga horária no nível superior”, disse Davson. “É necessário que assegure também excelentes estruturas pedagógicas e prediais, recursos, estímulos e todo o ciclo de formação educacional, ou seja, que as instituições de ensino profissional e tecnológico possam oferecer ao estudante desde a instrução básica até a formação propriamente dita em nível médio, a qualificação profissional e a graduação e pós-graduação sempre no campo da formação técnico-profissional”, acrescentou.
A ideia é superar problemas de “falta de incentivo, dificuldades de acesso à internet e equipamentos sucateados”, como relatado pelo diretor do Centro de Ensino Médio Integrado do Cruzeiro, Getúlio Souza Cruz.
Desburocratização
O presidente da comissão especial, deputado Professor Israel Batista (PV-DF), avaliou que uma das soluções possíveis é a “desburocratização da capacidade de gestão” dos recursos de cada escola.
“É muito importante que, quando a gente fale de ensino técnico-profissionalizante, a gente também pense em infraestrutura necessária e autonomia para que os gestores escolares tomem providências que geralmente são emergenciais e não podem esperar uma licitação”, afirmou. “Existe uma parte do orçamento que pode ser alocada de acordo com o desejo da comunidade escolar específica, porque é ela que sabe do que está precisando.”
Mercado de trabalho
Na mesma linha de reestruturação, o diretor da Escola Técnica de Planaltina, Paulo Ramos de Araújo, comentou que a educação profissional deve sempre estar vinculada ao mundo do trabalho.

“Quando alguém vai à Escola Técnica de Planaltina, eu já olho e pergunto: ‘o que você deseja fazer aqui?’ Ele quer emprego. Então, iniciativas, como o primeiro emprego, que permitam ao estudante compreender o mundo do trabalho são nobres demais”.
EJA
O Centro de Educação de Jovens e Adultos e Educação Profissional a Distância de Brasília tem hoje cerca de 3.500 estudantes matriculados. Para a diretora da escola, Indira Pereira Rehem, o ensino on-line tem se revelado o “último lampejo de esperança para a conclusão da educação básica”.
“Muitos optam por estudar a distância não por uma facilidade. É porque é a única forma de conciliar o trabalho e a formação continuada: na EJA, para a continuidade dos estudos, ou na educação profissional, vislumbrando uma promoção ou uma reinserção no mundo do trabalho”, explicou.
Retomada econômica
Integrante da comissão especial, a deputada Angela Amin (PP-SC) destacou a importância do projeto de lei sobre educação profissional para a retomada econômica e a superação de prejuízos educacionais determinados pela pandemia de Covid-19.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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