POLITÍCA NACIONAL
Nova presidente da comissão sobre refugiados defende cooperação com o governo e a ONU
POLITÍCA NACIONAL
Eleita presidente da Comissão Mista Sobre Migrações Internacionais e Refugiados, a senadora Mara Gabrilli (PSD-SP) afirmou que tem buscado estreitar diálogos tanto com o governo federal quanto com as organizações da ONU relacionadas com migrações e refugiados. “Essa cooperação é fundamental para esta comissão alcançar seu objetivo”, disse.
“As mudanças climáticas interferem diretamente nos fluxos migratórios forçados, que se tornaram um desafio mundial. Cerca de 108 milhões de pessoas no mundo estão se deslocando de modo forçado. Mais de 135 milhões são refugiados em razão de conflitos armados, perseguição política ou ainda devido a fome”, acrescentou Gabrilli. Ela afirmou que, antes do recesso de julho, vai convocar uma nova reunião para apresentar o plano de trabalho da comissão para este ano.
A comissão reiniciou suas atividades na quarta-feira (28) com a eleição da Mesa Diretora. A deputada Carol Dartora (PT-PR) foi eleita vice-presidente, e o deputado Túlio Gadêlha (Rede-PE), ex-presidente do colegiado, foi nomeado relator.
Para Carol Dartora, reforçar os valores dos direitos humanos é de fundamental importância para a comissão. “Em junho se comemora o Dia Nacional do Imigrante e do Refugiado (dia 20). Este é um momento importante para consolidarmos os direitos humanos, a liberdade global de circulação das pessoas e também para denunciarmos a xenofobia”, afirmou.
Segundo ela, “embora o Brasil seja um país acolhedor, se mostra na prática ainda muito hostil, com altos índices de violência e disseminação de discurso de ódio”. Ela disse que a situação se agrava em relação aos imigrantes negros, que sofrem duplamente – por serem imigrantes e por serem negros.
Ex-vice-presidente da comissão, o senador Paulo Paim (PT-RS) disse ao abrir a reunião que, de acordo com o Ministério da Justiça, entre os meses de janeiro e junho de 2022, o Brasil concedeu refúgio para 1.720 pessoas, de um total de 1.864 casos analisados. Os pedidos de refúgio vieram de 121 nacionalidades diferentes, sendo a maioria (55%) venezuelana.
Reportagem – Audrey Rodrigues
Edição – Wilson Silveira
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.