MATO GROSSO
“Sonho realizado”, diz empresário que pescou pirarucu de 128 kg
MATO GROSSO
O empresário Gean Carlos Rocha de Oliveira, de 43 anos, realizou o seu sonho de infância, no último sábado (13), ao pescar um pirarucu de 128 quilos e 2,18 metros, em Cuiabá.
O feito foi registrado pelos amigos que vibraram com ele ao ver o tamanho do “bichão” (veja os vídeo abaixo).
“Pesco desde criança e era um sonho pegar um peixe desses. Meu pai sempre contava histórias dele, mas era aquilo, histórias de pescador. Eu penava, ‘um dia eu também vou pegar um’”.
“Foi um sonho realizado que não é conversa de pescador”, disse Gean rindo, orgulhoso da conquista.
Em sua trajetória como pescador Gean afirmou nunca ter visto nenhum peixe com essas dimenções. “É raro pegar ele desse tamanho aí, eu nos meus 43 anos não tinha visto ainda. É maior do que eu que tenho 1,83 [metros]”, disse.
O peixe, conhecido também como bacalhau da Amazônia, pode chegar até 3 metros e pesar até 180 quilos. Ele é considerado o “peixe da vez” na gastronomia nacional pelo seu sabor suave.
O tanque em que o animal foi pego fica na Fazenda São Manoel, próximo à Ponte Velha, em Cuiabá. O local não é aberto para visitação e o proprietário permite apenas que alguns amigos a pesquem no local.
O grande dia
Gean conta que ele ainda estava trabalhando em sua vidraçaria quando foi convidado por um grupo de amigos para pescar na fazenda.
“Parece que aquele era o meu dia, eu tinha acabado de chegar do trabalho, ainda estava de uniforme e peguei de primeira com uma coxa de frango inteira no anzol como isca”, disse.
“Joguei e foi na boca dele, fisguei e já começou a puxar a minha linha. Fiquei brigando com ele um bom tempo, até quebrou a vara e trouxe ele na mão. Foi uma festa tremenda”, afirmou.
As imagens mostram parte da “batalha” travada para tirar o peixe d’água depois de fisgá-lo.
“Olha o tamanho do bichão. Meu Deus, é grande, quebrou o molinete do Gean”, disse um amigo enquanto registrava a cena.
“Ele vai dar uma cabeçada agora”, narrou o amigo enquanto o Pirarucu se debatia na água.
O proprietário da fazenda sugeriu que eles comessem e dividissem o peixe. O animal foi dividido entre os cinco amigos e Gean deixou a cabeça secando na fazenda, para guardá-la como um souvenir da conquista.
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.
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