POLITÍCA NACIONAL
Entidades apoiam regulamentação das profissões de agente indígena de saúde e de saneamento
POLITÍCA NACIONAL
Em audiência pública da Comissão de Saúde, representantes de entidades como a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e dos ministérios da Saúde e dos Povos Indígenas concordaram com a necessidade de regulamentar as profissões de agente indígena de saúde e de agente indígena de saneamento.
Atualmente, estão em atividade 4.508 agentes indígenas de saúde e 2.541 agentes indígenas de saneamento, integrados no Sistema de Saúde Indígena.
Eles exercem uma profissão criada na década de 80, quando, diante da falta de profissionais de saúde em áreas indígenas, universidades e organizações não governamentais e religiosas começaram a capacitar os próprios indígenas para a atenção básica à saúde. A população atendida pelos agentes é de 770 mil pessoas.
A Comissão de Saúde discutiu a necessidade da aprovação de um projeto (PL 3514/19) da ex-deputada Joenia Wapichana (RR), atual presidente da Funai, que regulamenta as duas atividades como categorias profissionais. O secretário de saúde indígena do Ministério da Saúde, Weibe Tapeba, chama atenção para aspectos únicos da profissão.
“Eu tô falando de uma relação de trabalho que não é convencional. Não é uma prestação de serviço que começa às 8 horas da manhã e finaliza às 17 horas. Estamos falando de agentes indígenas que atuam nos territórios que não têm horário. Muitos agentes exercem função de liberação de veículo de fora do território, é ele que autoriza, então a todo momento ele pode ser acionado, no final de semana, no feriado, no período da noite, não tem hora para que esses profissionais possam atuar”, disse Weibe Tapeba.
A expectativa é que a regulamentação das profissões se concretize ainda no atual governo. Enquanto isso, foram prorrogados os convênios com entidades que contratam os agentes indígenas de saúde. O reforço para a necessidade da regulamentação veio da secretária nacional de articulação e promoção dos direitos indígenas do Ministério dos Povos Indígenas, Juma Xipaia.
“Eu me lembro que, na minha infância, eu era assistente da minha mãe porque ela foi a primeira agente de saúde, não somente da minha região, mas do meu povo. Naquela época, com muitas dificuldades, eu ajudava, eu era quem pegava as plantas para ela fazer o chá porque muitas das vezes a gente não tinha medicação na nossa farmácia porque nem farmácia a gente tinha, a gente utilizava nossa casa de reunião, a casa do meio, para ter uma caixinha de madeira onde a gente depositava alguns vidrinhos, algumas medicações que a gente tinha muito cuidado e às vezes nem completava o tratamento para dar para toda a comunidade.”
Valorização
A representante do Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Saúde Indígena (Sindcopsi), Carmem Pankararu, afirma que o atendimento à população indígena é prejudicado pela falta de fixação e estabilidade do profissional.
“O agente indígena de saúde é uma pessoa de confiança e referência da sua comunidade. Vários agentes sequer falam a língua portuguesa. Em virtude das particularidades das populações assistidas pelos serviços de saúde, sensível ao pluralismo, à diversidade cultural, é que nós precisamos valorizar cada vez mais esse trabalhador e essa trabalhadora de saúde indígena”, argumentou.
O coordenador-geral do Fórum de Presidentes dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena, Celso Xukuru Kariri, acredita que o reconhecimento dos agentes indígenas como categorias profissionais é um passo importante para consolidar a atuação deles e qualificar as condições de trabalho, remuneração, direitos trabalhistas. Ele disse que uma das conquistas recentes foi o aumento do tíquete alimentação e insalubridade, mas a busca é pela equiparação do salário com a do agente comunitário de saúde.
A deputada Juliana Cardoso (PT-SP), que pediu a audiência pública, é a relatora da proposta que regulamenta a profissão de agente indígena de saúde e de saneamento e buscou, na audiência, contribuições para elaborar o parecer. O texto exige dos profissionais dominar a língua da comunidade, conhecer os costumes e a saúde indígena, e exige dedicação exclusiva, sem outro vínculo empregatício. A seleção dos agentes teria a participação da comunidade indígena.
Reportagem – Luiz Cláudio Canuto
Edição – Ana Chalub
Fonte: Câmara dos Deputados
GERAL
Trump assina tarifa de 50 % sobre todas as importações de produtos brasileiros para os Estados Unidos: confira como isso afeta o Brasil
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta quarta-feira (30) um decreto que impõe tarifa de 50% sobre todas as importações de produtos brasileiros que entram no território americano. A medida entra em vigor no dia 1º de agosto e já causa forte reação entre produtores, exportadores e autoridades brasileiras.
A nova tarifa, que dobra o custo para empresas americanas que compram produtos brasileiros, representa uma mudança radical nas relações comerciais entre os dois países. Antes da medida, a maior parte desses produtos era taxada em cerca de 10%, dependendo do setor.
O que é essa tarifa e como funciona?
A tarifa anunciada por Trump não afeta compras feitas por consumidores brasileiros, nem produtos adquiridos por sites internacionais. Ela vale exclusivamente para produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, ou seja, aqueles enviados por empresas do Brasil para serem vendidos no mercado americano.
Isso significa que, se uma empresa brasileira exporta carne, café, suco ou qualquer outro item, ele chegará aos EUA com 50% de imposto adicional cobrado pelo governo americano.
Exemplo simples:
Para entender como isso afeta na prática, veja o exemplo abaixo:
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Imagine que você é um produtor de suco no Brasil e exporta seu produto aos EUA por R$100 por litro.
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Antes da tarifa, o importador americano pagava esse valor e revendia com lucro no mercado local.
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Com a nova medida, o governo dos EUA aplica 50% de tarifa. Ou seja, seu suco agora custa R$150 para o importador.
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Esse aumento torna o produto muito mais caro nos EUA, podendo chegar ao consumidor final por R$180 ou mais.
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Resultado: o importador pode desistir de comprar de você e buscar outro fornecedor — como México, Colômbia ou Argentina — que não sofre com essa tarifa.
Como isso afeta o Brasil?
A imposição dessa tarifa tem impactos diretos e sérios para a economia brasileira, especialmente no agronegócio e na indústria de exportação. Veja os principais efeitos:
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Queda na competitividade dos produtos brasileiros no mercado americano.
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Quebra ou renegociação de contratos internacionais já assinados.
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Perda de mercado para concorrentes de outros países.
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Redução nas exportações, com consequências econômicas e sociais no Brasil (queda de faturamento, demissões, retração de investimentos).
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Pressão sobre o governo brasileiro para reagir com medidas diplomáticas ou tarifas de retaliação.
Quais produtos serão mais afetados?
A medida de Trump atinge todos os produtos brasileiros exportados aos EUA, mas os setores mais atingidos devem ser:
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Carnes bovina, suína e de frango
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Café
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Suco de laranja
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Soja e derivados
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Minério de ferro e aço
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Aeronaves e peças da Embraer
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Cosméticos e produtos farmacêuticos
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Celulose, madeira e papel
Brasil pode retaliar?
O governo brasileiro já sinalizou que poderá aplicar medidas de retaliação com base na Lei de Reciprocidade Comercial, aprovada neste ano. A ideia é aplicar tarifas semelhantes sobre produtos americanos exportados ao Brasil, mas isso depende de negociações diplomáticas e análise de impacto.
E o consumidor brasileiro, será afetado?
Neste primeiro momento, não. A medida de Trump não se aplica a compras feitas por brasileiros em sites estrangeiros, nem muda os impostos cobrados sobre importações pessoais.
O impacto é sobre o mercado exportador brasileiro, que depende das compras feitas por empresas americanas. No médio e longo prazo, porém, se os exportadores perderem espaço nos EUA e tiverem que vender mais no Brasil, os preços internos podem oscilar, tanto para baixo (excesso de oferta) quanto para cima (reajustes para compensar perdas).
A tarifa de 50% imposta por Trump é uma medida com alto potencial de desequilibrar o comércio entre Brasil e Estados Unidos. Empresas brasileiras correm o risco de perder contratos, mercado e receita. A decisão política tem impacto direto na economia real — do produtor de suco ao exportador de carne.
O governo brasileiro já avalia uma resposta, enquanto produtores tentam entender como seguir competitivos em um cenário que muda de forma drástica.
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