MATO GROSSO
Scaloppe é investigado no MP por assédio sexual e moral dentro da instituição
MATO GROSSO
O procurador de Justiça aposentado, Luiz Alberto Scaloppe, está sendo investigado criminalmente pelo Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), por determinação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), sob acusação de crimes de assédio sexual e moral dentro da instituição mato-grossense.
O inquérito foi aberto após o acórdão do CNMP, que puniu Scaloppe com censura e suspensão de 30 dias, mesmo após sua aposentadoria voluntária, que foi classificada pelo CNMP como uma ‘manobra’ para fugir da punição. Apesar da impossibilidade da aplicabilidade da pena administrativa, a decisão do CNMP é inédita e deverá disciplinar futuros casos dentro do Ministério Público, proibindo a aposentadoria de seus membros enquanto houver Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Na decisão, o CNMP aponta que as condutas de Scaloppe manchou a imagem da instituição que ‘teve os seus pilares constitucionais garantidores das suas prerrogativas dinamitados pelo comportamento do seu Membro agora processado’.
‘Julgo procedente o pedido para condenar Luiz Alberto Esteves Scaloppe, Procurador de Justiça do Ministério Público do Estado de Mato Grosso, às penas de censura e de suspensão por 30 dias, com declaração da impossibilidade material de execução de tais sanções, e determinação de encaminhando de cópia integral dos presentes autos ao Procurador-Geral de Justiça do Estado de Mato Grosso para as providências que entender pertinentes com relação à apuração de infrações penais reveladas pelas condutas aqui analisadas, nos termos do voto do Conselheiro Relator originário’, cita o acórdão.
O procurador-geral de Justiça, Deosdete Cruz Júnior, afirmou à reportagem que seguiu a determinação do CNMP e que encaminhou para a 20ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá, a quem cabe investigar o caso.
O caso veio à tona em julho do ano passado. Scaloppe é acusado por várias servidoras de assédio sexual e moral nos últimos anos. A denúncia chegou a ser apurada no MP Mato-grossense. Porém, foi arquivada.
Na época, o corregedor-geral do CNMP criticou a decisão do MPMT em arquivar a acusação, bem como a postergação do caso, que poderia culminar em sua prescrição, já que os fatos ocorridos contra a servidora eram de 2021 e a denúncia foi apresentada quase um ano depois.
Suposta vítima é exonerada
A servidora que denunciou o procurador de Justiça aposentado Luiz Alberto Scaloppe de assédio moral e sexual foi exonerada do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) logo após a publicação do acórdão do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) ter sido publicado, pedindo providências em relação ao caso. Ela foi desligada em abril deste ano.
Contudo, passou a ser investigada a pedido de Scaloppe sob alegação de que a mesma teria condutas incompatíveis com o cargo que exerce. Questionado, o procurador-geral de Justiça (PGJ), Deosdete Cruz Júnior, afirmou que a vítima ocupava cargo comissionado, de livre indicação por membro da Instituição, e não pela administração e, ‘por isso, decidir por mantê-la no cargo ou não, cabe tão somente ao seu superior hierárquico’.
‘No caso de cargos comissionados, quando qualquer integrante opta pela dispensa de um(a) servidor(a), não cabe à administração avaliar os motivos, justamente porque são de livre nomeação e exoneração’, diz trecho da nota.
Outro lado
A reportagem entrou em contato com Luiz Alberto Scaloppe, porém, ele não atendeu e não respondeu aos contatos.
MATO GROSSO
Qualidade de vida ganha protagonismo e muda o perfil dos empreendimentos imobiliários
Cinco anos depois da pandemia de Covid-19, as mudanças provocadas pelo período de isolamento social continuam influenciando a forma como as pessoas escolhem onde viver. Se antes a proximidade do trabalho e dos centros urbanos era um dos principais fatores na decisão de compra de um imóvel, hoje qualidade de vida, contato com a natureza, espaços amplos e bem-estar passaram a ocupar posição de destaque.
Essa mudança de comportamento tem sido percebida também pelo mercado imobiliário de Mato Grosso. Empreendimentos voltados ao conceito Home & Wellness, que privilegiam áreas verdes, lazer ao ar livre e ambientes que favorecem uma rotina mais equilibrada, vem despertando o interesse de famílias que buscam mais do que uma residência: procuram um novo estilo de vida.
Para o empresário do Grupo Tio Ico e sócio-investidor da Mangaba Urbanismo, Ricardo Gomes, esse movimento deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade consolidada.
“A pandemia fez as pessoas refletirem sobre o tempo que passam em casa e sobre a importância de viver em um ambiente que proporcione qualidade de vida. Hoje percebemos que o cliente valoriza muito mais espaços amplos, contato com a natureza, áreas para convivência e uma rotina menos acelerada. Não se trata apenas de comprar um terreno, mas de investir em um lugar onde seja possível viver melhor.”
Segundo ele, essa transformação também mudou a forma de planejar os empreendimentos.
“O mercado passou a olhar para projetos que priorizam experiências. Áreas verdes, lagos, espaços de lazer, infraestrutura para atividades ao ar livre e maior privacidade deixaram de ser diferenciais para se tornarem atributos cada vez mais desejados por quem busca um novo endereço”.
Ricardo, que também atua no agronegócio como sócio do Grupo Tio Ico, ressalta que a mudança no comportamento dos consumidores reflete uma transformação que vai além do mercado imobiliário.
“Hoje percebemos que as pessoas estão investindo mais em qualidade de vida. O imóvel deixou de ser apenas um patrimônio e passou a representar bem-estar, segurança e um ambiente propício para a convivência da família. Essa é uma tendência que veio para ficar e que influencia diretamente os novos empreendimentos.”
Um exemplo desse novo conceito é o Cenário dos Lagos Home & Wellness, desenvolvido pela Mangaba Urbanismo em Cuiabá. O empreendimento, que contará com o maior lago privado em condomínio fechado, foi concebido para integrar natureza, bem-estar e qualidade de vida em um único espaço, refletindo uma demanda crescente por moradias que favoreçam o equilíbrio entre trabalho, família e lazer.
Muito além da arquitetura
A valorização de imóveis com maior integração à natureza também encontra respaldo na psicologia. Para a psicóloga Rayssa Martins, a pandemia alterou profundamente a relação das pessoas com a própria casa, que passou a exercer um papel muito mais amplo na rotina.
“No cenário pós-pandemia, muitas pessoas passaram a perceber que a casa, o lar, deixou de ser apenas um ambiente de descanso, tornando-se também um espaço de trabalho e de convivência com a família e os amigos. Do ponto de vista da psicologia, o ambiente em que o indivíduo vive influencia diretamente o bem-estar emocional e, consequentemente, o bem-estar físico e até o comportamento das pessoas.”
Segundo ela, ambientes que favorecem o contato com a natureza e proporcionam espaços de convivência contribuem para uma rotina mais saudável.
“Locais que oferecem contato com a natureza, áreas de lazer, espaços de convivência e oportunidades para atividades ao ar livre podem favorecer a redução do estresse e da ansiedade, além de melhorar a qualidade do sono e incentivar hábitos de vida mais saudáveis. Embora a saúde mental seja resultado de diversos fatores, e não apenas do ambiente, ele pode atuar como um importante elemento de promoção da saúde mental e da qualidade de vida.”
Para a especialista, esse novo olhar ajuda a explicar por que tantas famílias passaram a priorizar empreendimentos que oferecem uma experiência de moradia mais conectada ao bem-estar, tendência que segue influenciando o mercado imobiliário mesmo anos após o período mais crítico da pandemia
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