MATO GROSSO
Para falar sobre a Amazônia, nos ouçam”: Daniel Nardin conta como nasceu o Amazônia Vox
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Promover as vozes, os conhecimentos e as respostas produzidas na própria região para desconstruir estigmas históricos sobre a floresta. Esse é o propósito central do Amazônia Vox, plataforma independente que conecta jornalistas, pesquisadores e lideranças locais à imprensa nacional e internacional. O projeto e os bastidores de sua criação foram o tema central de uma conversa do jornalista Daniel Nardin ao Biodiversa Podcast, sob o comando das apresentadoras Nélia Ruffeil e Poliana Bentes.
Durante o bate-papo, Nardin detalhou como sua trajetória profissional — que inclui passagens pela gestão pública, liderança em redações e atuação no setor corporativo — resultou no desejo de transformar a narrativa sobre a Amazônia, especialmente em um momento de centralidade global devido às mudanças climáticas e à realização da COP30 em Belém.
“O Amazônia Vox é o projeto de uma vida. Ele não foi pensado apenas para a COP, embora o evento tenha impulsionado o tema. Ele surge da percepção de que precisamos substituir a palavra competição por colaboração no jornalismo e valorizar quem vive e produz conhecimento no território”, afirmou Daniel.
A decisão de criar a plataforma amadureceu durante a cobertura da COP27, no Egito, em 2022. Ao observar a baixa representatividade de profissionais do Norte em painéis e grupos de trabalho que debatiam o futuro do bioma, o jornalista identificou a urgência de uma mudança estrutural na cobertura midiática.
Para além do jornalismo de denúncia, indispensável para o combate a crimes ambientais, o Amazônia Vox adota a metodologia do Jornalismo de Soluções, focando em ações locais que já enfrentam os desafios socioambientais da região.
“Quando você só mostra a Amazônia a partir do desmatamento e das queimadas, passa a ideia implícita de que quem está aqui não sabe cuidar da floresta. Queremos dar visibilidade às iniciativas que já dão respostas a esses desafios, explicando como elas funcionam para que possam ser replicadas e apoiadas”, explicou.
Uma das passagens mais curiosas da entrevista revela que a ideia do Amazônia Vox ganhou força após Daniel assistir ao documentário da Netflix Explorando o Desconhecido: A Pirâmide Perdida. O filme mostra arqueólogos egípcios defendendo que a história do Egito seja contada pelos próprios egípcios. Daí nasceu uma pergunta que se tornou central para o projeto: por que a Amazônia ainda é narrada, tantas vezes, por quem está de fora? E, principalmente, como mudar essa realidade?
A conversa reúne reflexões sobre jornalismo de soluções, representatividade e os desafios de comunicar a Amazônia. O episódio 6 da segunda temporada do Biodiversa Podcast já está disponível nas principais plataformas de streaming. Confira:
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Custos de produção e rentabilidade preocupam suinocultores de Mato Grosso, apontam especialistas
Apesar do crescimento da produção e dos recordes nas exportações brasileiras de carne suína, a rentabilidade dos produtores de Mato Grosso vive um dos momentos mais delicados dos últimos anos. A combinação entre preços em queda, custos de produção ainda elevados e dificuldades para ampliar o consumo interno foi um dos principais temas debatidos durante o 5º Simpósio da Suinocultura de Mato Grosso, realizado pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat).
Durante o evento, o superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Cleiton Gauer, apresentou um panorama atualizado da cadeia produtiva e destacou que o Estado segue ampliando seu rebanho e sua produção. Entretanto, esse crescimento não tem se refletido na renda do produtor.
Segundo ele, após a virada do ano, os preços pagos pelo quilo do suíno apresentaram forte retração, reduzindo significativamente a margem da atividade. “Mesmo com uma leve redução nos custos, principalmente do milho, esse alívio não chegou de forma suficiente ao produtor. Hoje estamos observando alguns dos menores resultados econômicos da série histórica da suinocultura em Mato Grosso”, afirmou.
Gauer explicou que a situação é ainda mais preocupante para produtores que possuem financiamentos e investimentos em andamento, já que a redução da rentabilidade compromete a capacidade de cumprir esses compromissos. Outro ponto destacado foi o comportamento das exportações. Embora o Brasil registre embarques recordes de carne suína, esse desempenho ainda não é suficiente para equilibrar o mercado interno.
“Quando analisamos Mato Grosso, apenas cerca de 15% da produção é destinada à exportação. Ou seja, a maior parte permanece no mercado interno, o que limita o impacto positivo das vendas externas sobre os preços recebidos pelos produtores”, explicou.
Gestão eficiente será decisiva
O pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Franco Muller Martins, reforçou que o cenário exige dos produtores uma gestão ainda mais eficiente das granjas. Durante sua palestra sobre custos de produção e perspectivas para 2027, ele apresentou a metodologia utilizada pela Embrapa para calcular os custos de produção em seis estados brasileiros, entre eles Mato Grosso, disponibilizando informações que servem de referência para produtores.
Segundo o pesquisador, embora o Brasil viva um excelente momento nas exportações, esse avanço não foi suficiente para garantir margens satisfatórias aos produtores. “O setor enfrenta hoje preços reduzidos em relação aos custos de produção. Isso exige que o produtor olhe cada vez mais para dentro da propriedade, buscando eficiência, redução de desperdícios e melhoria da gestão”, destacou.
Para Martins, além do trabalho realizado dentro das granjas, será fundamental que toda a cadeia continue investindo em ações de estímulo ao consumo da carne suína. “A ampliação da demanda é um caminho importante para que, no médio prazo, o setor consiga recuperar melhores níveis de rentabilidade”, afirmou.
Além da economia, o pesquisador também abordou a importância da biosseguridade como fator estratégico para manter a competitividade da suinocultura brasileira, tema que também ganhou destaque durante o simpósio.
Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a discussão sobre custos de produção, mercado e rentabilidade tornou-se indispensável diante do atual cenário da atividade. “A suinocultura vive um momento de grande evolução tecnológica, mas também de margens cada vez mais apertadas. Por isso, a Acrismat fez questão de reunir especialistas que apresentassem um diagnóstico econômico do setor e apontassem caminhos para que o produtor possa tomar decisões mais seguras. Conhecimento é uma ferramenta essencial para manter a atividade competitiva”, afirmou.
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