BRASIL
Mercadante defende reflorestar Amazônia para Brasil zerar emissões
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O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante (foto acima), defendeu nesta terça-feira (29) que o Brasil desenvolva um ambicioso projeto para reflorestar 50 milhões de hectares da Amazônia. Em sua visão, essa iniciativa precisaria ser financiada com recursos internacionais já que demanda um grande investimento e seria a medida com maior impacto no mundo para enfrentar o aquecimento global.

Mercadante avaliou ainda que o trabalho deveria começar sobre as terras devolutas, que são terras públicas sem destinação pelo Poder Público, muitas das quais estão sob posse irregular. Também considerou que o projeto deve envolver partes de floresta produtiva, que gere renda às populações. Ele disse que o BNDES está trabalhando em torno do assunto.
A proposta foi apresentada na abertura do seminário “Thinking 20, a Global Order for Tomorrow”, no Rio de Janeiro. O evento foi organizado pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri) para discutir o papel do T20, grupo responsável por reunir pensadores de diversas áreas do conhecimento para debater e produzir documentos que subsidiem e influenciem recomendações e declarações finais do G20, que reúne representantes das 19 maiores economias do mundo e a União Europeia.
“Temos que lançar um projeto de impacto, porque é urgente nós mudarmos de atitude e avançar. A nossa sugestão, que estamos trabalhando no BNDES e vamos apresentar o debate em breve, é criarmos um grande projeto de restauração e regeneração da Floresta Amazônica. A nossa meta tem que ser, ao longo de um período a ser estudado e definido, replantar 50 milhões de hectares”, disse Mercadante.
Segundo o presidente do BNDES, uma iniciativa dessa dimensão retiraria 65 toneladas de carbono do planeta, que não apenas garantiria o cumprimento da meta brasileira como seria a maior contribuição para reverter o quadro atual. Mercadante considera que os oito países da Amazônia devem se envolver na iniciativa, mas que o Brasil pode liderar a proposta e levar o debate aos fóruns internacionais do G20 e da Organização das Nações Unidas (ONU) à 28ª edição da Conferência das Partes (COP28), que acontece em novembro deste ano.
“Não tem nenhum outro projeto desse alcance disponível no planeta. Não dá pra imaginar que nós vamos substituir a economia fóssil que tem um século, do dia para a noite. Não tem como substituir de uma vez os navios, os aviões, os automóveis, os caminhões que estão trafegando. A substituição é progressiva. A mudança da matriz energética contribui muito, mas ao mesmo tempo quando apertou a situação da Europa, com a guerra, todo mundo recorre à energia do carvão. Então não é um processo também linear, rápido e fácil”, acrescentou.
Ele disse que o reflorestamento da Amazônia deve ser sustentado e viabilizado por uma renda internacional e que, do contrário, o aquecimento global vai pôr fim à estabilidade econômica do mundo e ampliar a desigualdade social. “Os principais institutos de meteorologia preveem que os próximos anos serão os mais quentes da história, que pelo menos um ano já terá mais de 1,5 grau Celsius. Quando eu era ministro da Ciência e Tecnologia, nós tivemos estudos para ver o impacto do aquecimento global na fauna e na flora. Em uma estufa, você vai aumentando as temperaturas e vai vendo quem se adapta, quem não se adapta, quem é resiliente. E era uma tragédia o aumento de 1,5 grau. Um aumento de 1,5 grau na média vai significar extremos climáticos devastadores, com prejuízos para todos os países do mundo”, observou.
O presidente do BNDES disse ainda que o Brasil deve lutar para se tornar o primeiro país do G20 a alcançar a emissão zero e que é possível atingir o feito antes de 2030.
“Não é promissor se cada país ficar apontando pro outro e dizendo o que tem que fazer. Cada um vai ter que assumir a sua responsabilidade. Qual é a nossa? Metade das nossas emissões é desmatamento da Amazônia e 24% é o uso da terra. Temos que partir disso. Nós já temos uma matriz energética muito limpa. A média dos países do G20 é 11% e a nossa é 45%. Na matriz elétrica, hoje temos 91% limpa, que é hidráulica, solar e eólica”, avalia.
T20
A partir de 1º de dezembro, o Brasil sucederá a Índia na presidência do G20. Será a primeira vez que o país assume essa posição no atual formato do grupo, estabelecido em 2008. A presidência brasileira será exercida por um ano. Em novembro de 2024, está prevista a realização da Cúpula do G20 no Rio de Janeiro.
Antecipando-se à presidência, em maio foi instalado o Comitê Organizador do T20 Brasil, que será responsável por mobilizar centros de pesquisa e think tanks que possam contribuir. Deverão ser desenvolvidos estudos e reflexões sobre temas diversos como macroeconomia, comércio internacional, digitalização tecnológica, energia limpa, multilateralismo, entre outros.
O Cebri, think tank independente criado para contribuir com a discussão da agenda internacional do país, é uma das três instituições que estarão à frente dos trabalhos do Comitê Organizador do T20-Brasil. O outros dois são o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério do Planejamento e Orçamento; a Fundação Alexandre de Gusmão (Funag), atrelada ao Ministério das Relações Exteriores.
A Agenda 2030, elaborada no âmbito da ONU, será um dos centros das discussões para um plano global para atingir em 2030 um mundo melhor para os povos e nações. Foram previstos 17 objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS), aprovados em assembleia realizada em 2015. No mesmo ano, também foi aprovado o Acordo de Paris, tratado internacional para o enfrentamento do aquecimento global.
Plataformas digitais
Mercadante sugeriu que o T20 delimite os assuntos que serão debatidos para atuar com mais foco e resultar em avanços práticos. Segundo ele, o enfrentamento às mudanças climáticas deve ser a principal preocupação e apenas outras questões pontuais também devem receber atenção. Entre elas a regulação das plataformas digitais que, em sua visão, são instrumentos importantes de modernização e da transição digital, mas que atualmente causam prejuízo à economia internacional e precisam ser submetidas a uma regulação democrática que garanta mais equilíbrio entre as nações. Ele manifesta preocupação com o impacto das ferramentas de inteligência artificial.
“Estão entrando de forma muito incisiva sobre toda a indústria audiovisual e a publicidade de cada um dos países. Elas envolvem também a questão da proteção de dados pessoais. Essa máquina das fake news está arrebentando as relações sociais e o processo democrático de muitas sociedades. Então a regulação é um tema global que um país sozinho não tem como fazer. A União Europeia está se esforçando. Outros países estão se esforçando. Mas eu acho que o G20 deveria pautar esse tema e fazer sugestões mais ousadas”.
Após a abertura do seminário organizado pelo Cebri, foi realizado um painel para discutir desafios globais. Entre os participantes, estava o economista estadunidense Jeffrey Sachs, professor da Universidade de Columbia. Ele avaliou de forma positiva as ODS, mas considerou que os sistemas e as políticas internacionais não têm sido capazes de levar adiante o cumprimento das metas. O economista também lamentou que nenhum dos últimos presidentes dos Estados Unidos trataram de questões relacionadas com as ODS em seus discursos e cobrou maior envolvimento da academia nas discussões.
Sachs também disse que o combate ao aquecimento global demanda dinheiro e que a ONU não tem recursos para bancar as medidas necessárias. Segundo ele, é preciso mobilizar investimentos e tanto o Banco Mundial como as principais instituições financeiras são controladas pelas maiores economias. “O G20 não pode ser um lugar para geopolítica. É o único local onde podemos endereçar questões financeiras sérias”, disse.
Fonte: EBC GERAL
BRASIL
AACCMT contribui para diagnóstico nacional da atenção ao câncer infantojuvenil
A Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT) recebeu, no dia 11, a visita técnica do Mapeamento Nacional do Câncer Infantojuvenil, iniciativa que integra o projeto OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica e tem como objetivo levantar informações sobre a estrutura, os fluxos de atendimento e os principais desafios enfrentados por hospitais e instituições de apoio que atuam no cuidado de crianças e adolescentes com câncer em diferentes regiões do país.
Idealizado pela Sociedade Brasileira de Oncologia Pediátrica (SOBOPE) e pela Confederação Nacional das Instituições de Apoio e Assistência (CONIACC), o Mapeamento é conduzido pelo Ministério da Saúde em parceria com o Departamento de Atenção ao Câncer (DECAN/SAES), o Instituto Nacional de Câncer (INCA) e a Coordenação Geral de Projetos (CGPROJ) da SAES, por meio do Proadi-SUS. O Einstein Hospital Israelita atua como instituição executora.
A iniciativa busca construir um diagnóstico situacional da atenção oncológica infantojuvenil no Brasil, reunindo dados quantitativos e qualitativos que possam apoiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas, fortalecer a rede de atenção no Sistema Único de Saúde e contribuir para a redução das desigualdades regionais no acesso ao cuidado.
Durante a visita, foram abordados aspectos relacionados à infraestrutura disponível, à composição das equipes, à organização dos serviços, aos fluxos assistenciais e à articulação com a rede de atenção. A proposta é compreender a realidade local a partir da escuta e da observação dos contextos de atendimento, ao mesmo tempo em que se reconhecem experiências, desafios e estratégias já desenvolvidas pelas instituições participantes.
O Mapeamento contempla visitas e entrevistas com hospitais habilitados e não habilitados para o tratamento oncológico infantojuvenil, além de instituições de apoio, em diferentes estados brasileiros. Ao ampliar a compreensão sobre a jornada do cuidado, a iniciativa pretende gerar insumos que fortaleçam a tomada de decisão estratégica e contribuam para o aperfeiçoamento da atenção ao câncer infantojuvenil no país.
Para o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo, a participação no Mapeamento representa uma oportunidade de contribuir para a construção de um panorama nacional mais consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil, dando visibilidade à realidade vivida nos territórios e colaborando com esforços voltados ao fortalecimento da rede de cuidado.
“Participar deste mapeamento é uma oportunidade importante para contribuir com a construção de um diagnóstico nacional mais amplo e consistente sobre a atenção oncológica infantojuvenil. Ao compartilhar a realidade vivenciada em nosso estado, ajudamos a dar visibilidade e a colaborar para o fortalecimento das políticas públicas e da rede de cuidado destinada às crianças e adolescentes em tratamento contra o câncer”, destaca o vice-presidente da AACCMT”, Benildes Firmo.
O OncoBrasil – Transformando a Jornada Oncológica atua em pontos estratégicos da jornada oncológica adulta e infantojuvenil no Brasil, com foco em conscientização e prevenção do tabagismo, formação e capacitação de profissionais e diagnóstico situacional da rede de atenção ao câncer. A proposta é contribuir para o fortalecimento das políticas públicas e da atenção oncológica no SUS por meio de ações integradas voltadas à prevenção, à qualificação profissional e à geração de evidências para subsidiar decisões estratégicas.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Ao longo desses 27 anos, a instituição já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos.
Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
Quem desejar colaborar pode entrar em contato em horário comercial pelos telefones (65) 3025-0800 ou (65) 99213-8300.
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