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Na política, nem toda crise destrói: como Flávio Bolsonaro pode usar o episódio a seu favor

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Na política, crises internas costumam ser vistas como ameaças. Mas, do ponto de vista da comunicação estratégica, nem todo conflito representa uma perda. Em determinados momentos, uma situação de tensão pode se transformar em uma oportunidade de reposicionamento, fortalecimento de imagem e aproximação com segmentos específicos do eleitorado.

O episódio envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro mostra exatamente esse dilema. Para analistas de comunicação, a pergunta central não é apenas quem ganhou ou perdeu no confronto, mas como cada personagem consegue transformar a repercussão em narrativa política.

Para Flávio Bolsonaro, o episódio carrega riscos evidentes. Uma disputa pública dentro do próprio campo político pode transmitir sensação de divisão, gerar desconforto entre aliados e abrir espaço para adversários explorarem a ideia de falta de unidade dentro do grupo bolsonarista.

Por outro lado, a crise também pode oferecer ao senador uma oportunidade de comunicação. Em política, exposição é um elemento fundamental. Um nome que está sendo debatido, analisado e comentado permanece no centro da atenção pública. E atenção, principalmente em períodos de pré-campanha, é um dos principais recursos para qualquer político.

O ponto positivo para Flávio está justamente na possibilidade de construir uma imagem própria. Durante anos, sua trajetória política esteve diretamente associada ao sobrenome Bolsonaro e à figura do pai, Jair Bolsonaro. Um episódio de confronto interno pode permitir que ele mostre personalidade, capacidade de reação e autonomia diante de situações difíceis.

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Do ponto de vista da assessoria de imprensa, o desafio é transformar uma crise de relacionamento em uma narrativa de liderança. A comunicação precisa evitar que o episódio seja interpretado apenas como uma briga familiar ou uma disputa de espaço, e trabalhar uma mensagem que apresente Flávio como alguém preparado para enfrentar pressões, tomar decisões e manter foco em objetivos maiores.

A fala usada por ele, ao defender que “o que importa é o jogo do Brasil”, por exemplo, pode ser explorada estrategicamente como uma tentativa de demonstrar foco em um projeto político mais amplo, deixando de lado questões pessoais. A narrativa possível seria a de um político que prefere olhar para o futuro e para uma missão coletiva, em vez de permanecer preso a conflitos internos.

Mas esse movimento exige cuidado. Na comunicação política, não basta responder ao fato; é necessário controlar o significado do fato. Se a opinião pública enxergar apenas uma disputa dentro da família Bolsonaro, o desgaste pode crescer. Porém, se a equipe de comunicação conseguir reposicionar o episódio como uma demonstração de maturidade, equilíbrio e independência, o impacto pode ser diferente.

Outro ponto importante é o comportamento do eleitor. Grupos políticos não são formados apenas por argumentos racionais. Existe identificação emocional, vínculo e percepção de autenticidade. Para uma parcela do eleitorado, uma reação firme pode ser interpretada como coragem e posicionamento, enquanto para outros pode representar divisão.

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É justamente por isso que crises políticas precisam ser analisadas além da superfície. O episódio não é apenas sobre uma troca de declarações; é uma disputa por narrativa.

Para a assessoria de Flávio Bolsonaro, a estratégia mais inteligente seria evitar prolongar o conflito, reduzir o tom pessoal e direcionar a comunicação para temas que reforcem competência, preparo e capacidade de liderança. A política costuma punir quem parece preso ao passado, mas recompensa quem consegue apresentar uma visão de futuro.

O momento pode servir para Flávio consolidar uma imagem menos dependente da estrutura familiar e mais associada ao próprio posicionamento político. Em vez de tentar apagar a crise, a comunicação pode trabalhar para mostrar como ele reage diante dela.

A grande lição para profissionais de assessoria de imprensa é que nenhuma crise existe apenas pelo fato ocorrido. Ela existe pela interpretação que o público faz daquele acontecimento.

No ambiente político, quem controla a narrativa depois da crise muitas vezes consegue transformar um problema em oportunidade. E, nesse caso, o maior desafio de Flávio Bolsonaro não é vencer o embate público com Michelle, mas definir qual imagem ele quer deixar após esse episódio: a de alguém envolvido em uma disputa interna ou a de um político capaz de atravessar conflitos e seguir construindo seu próprio caminho.

Ana Barros, jornalista, com atuação em assessoria de imprensa e criadora da Coluna Pauta comentada

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Anúncios no ChatGPT: uma nova fronteira para o marketing digital

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A publicidade digital acaba de ganhar uma nova frente. O ChatGPT Ads começou a ser disponibilizado no Brasil em 11 de agosto de 2026, ainda em fase beta, permitindo que empresas exibam anúncios dentro de uma das plataformas de inteligência artificial mais utilizadas do mundo.

Aqui na agência, já iniciamos os primeiros testes. Entrar neste momento tem um objetivo claro: entender como a plataforma distribui os anúncios, avaliar a qualidade das oportunidades e construir experiência prática antes que esse novo espaço se torne mais concorrido.

O principal diferencial está na forma como a publicidade é selecionada. No Google, boa parte da estratégia começa pelas palavras-chave. Na Meta, trabalhamos com interesses, comportamentos e públicos. No ChatGPT, a proposta parte principalmente do contexto e da intenção identificada durante uma conversa.

O anunciante informa temas e situações em que seu produto ou serviço pode ser relevante. A plataforma chama essas informações de “dicas de contexto”. Elas não funcionam como palavras-chave exatas e também não garantem que o anúncio aparecerá sempre que determinado assunto for mencionado.

O sistema analisa a conversa, a mensagem do anúncio e a página de destino para entender se existe compatibilidade entre o problema apresentado pelo usuário e a solução oferecida pela empresa.

Essa mudança é importante porque a marca pode aparecer enquanto o consumidor ainda está pesquisando, comparando alternativas, organizando uma necessidade ou se preparando para tomar uma decisão. É uma publicidade baseada menos em quem a pessoa é e mais naquilo que ela está tentando resolver.

O ChatGPT Ads oferece campanhas cobradas por impressões ou cliques. Nas campanhas de cliques, a recomendação inicial de lance fica entre US$ 3 e US$ 5, com investimento mínimo diário informado de US$ 25 por campanha. A entrega acontece por meio de um leilão que considera não apenas o valor investido, mas também a qualidade e a relevância do anúncio. Portanto, oferecer o maior lance não garante sozinho a exibição. Uma mensagem mais coerente com a conversa pode competir melhor do que uma publicidade genérica com orçamento superior.

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A plataforma permite acompanhar impressões, cliques, investimento e conversões. Também oferece recursos para mensurar cadastros, compras, solicitações de contato e outras ações realizadas depois que a pessoa acessa a página do anunciante.Os anúncios aparecem separados das respostas orgânicas e identificados como conteúdo patrocinado. Segundo a OpenAI, eles não interferem na elaboração das respostas. Os anunciantes também não recebem acesso às conversas, memórias, históricos ou dados pessoais dos usuários.

A maior oportunidade está no momento em que a publicidade pode aparecer. Muitas pessoas já utilizam o ChatGPT para entender problemas, pesquisar serviços, comparar produtos e pedir recomendações antes de uma compra.

Isso cria um novo ponto de contato entre a descoberta e a busca tradicional. A empresa pode entrar na jornada enquanto o consumidor ainda está formando seus critérios e avaliando qual caminho seguir.Mas é importante manter os pés no chão. Ainda é cedo para considerar o ChatGPT Ads um substituto do Google ou da Meta.

A plataforma está em desenvolvimento, possui audiência publicitária limitada e ainda precisa comprovar sua capacidade de gerar resultados consistentes em diferentes segmentos.

Os anúncios não são exibidos em todos os planos. Existem também restrições envolvendo menores de 18 anos, política, saúde e outros temas sensíveis. Formatos, regras e possibilidades de segmentação ainda podem mudar durante a fase beta.Por isso, transferir imediatamente uma parcela elevada do orçamento de canais consolidados seria precipitado. O caminho mais seguro é reservar uma verba de teste, preparar uma página de destino adequada, configurar a mensuração e comparar a qualidade dos resultados.
O ChatGPT Ads não representa apenas o surgimento de mais uma plataforma.

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Ele inaugura uma lógica de publicidade baseada na compreensão do problema apresentado pelo consumidor durante uma conversa.

Isso exigirá novas competências das agências e dos profissionais de marketing. Não bastará selecionar públicos ou comprar palavras-chave. Será necessário compreender quais dúvidas antecedem uma compra, quais conversas revelam intenção comercial e em quais momentos uma marca realmente pode agregar valor.

Aqui na agência, já começamos esse trabalho na prática. Estamos testando contextos, mensagens, páginas de destino e formas de mensuração para entender como transformar conversas em oportunidades comerciais. Estar presente desde o início nos permite construir experiência real, antecipar mudanças e manter nossos clientes na ponta da inovação.Ainda é cedo para afirmar qual será o tamanho do ChatGPT Ads no mercado. Também seria irresponsável recomendar que as empresas abandonem Google e Meta para apostar todas as fichas em uma plataforma que ainda está em fase beta.

Mas existe uma diferença entre agir com cautela e chegar atrasado. Aqui na agência, escolhemos começar agora, com testes controlados, investimento responsável e atenção aos resultados. No marketing digital, quem espera uma mudança se consolidar para somente depois aprender normalmente entra quando a concorrência já entendeu o caminho.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de produção, pesquisa e atendimento. Com os anúncios no ChatGPT, ela também começou a se transformar em mídia.

Rômulo Rampini é estrategista de marketing, consultor credenciado pelo SEBRAE MT e diretor da agência 3TRÊS

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