COLUNAS
Agora é Ela, vai além dela
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Ultimamente temas como política e gênero geram por si só enorme polarização, e quando se encontram em uma candidatura para presidir em nosso estado aquela que é uma das mais respeitadas instituições do país: a seccional da Ordem dos Advogados do Brasil, não poderia ser diferente.
Ao apresentar-se como pré candidata a presidente da OAB Mato Grosso, a advogada Gisela Cardoso que exerce a profissão há mais de 20 anos, foi professora universitária, já exerceu diversos cargos na instituição, sendo os dois últimos secretária geral adjunta e vice-presidente , traz consigo muitos significados.
Ela o faz justamente no ano em que pela primeira vez na história o número de advogadas é maior que o número de advogados; no momento em que por decisão UNÂNIME o conselho federal aprovou a paridade de gênero (50%) e a política de cotas raciais para negros (pretos e pardos), no percentual de 30%, nas eleições da OAB; quando próximo de completar 90 anos a subseção teve como presidente apenas uma mulher.
A advogada Gisela, que não vem de família tradicional de juristas e não representa nenhum grande escritório de advocacia, e que foi aclamada por seus pares como pré candidata justamente por seus posicionamentos firmes, pela sua coerência e especialmente pela sua autonomia , oportuniza aos advogados e advogadas de Mato Grosso eleger alguém que representa de fato o momento histórico que vivemos.
Tenho absoluta convicção que se eleita, Gisela estará a frente da OAB Mato Grosso defendendo aquilo que representa a alma desta grande instituição: a constituição, os direitos fundamentais e especialmente aqueles que ainda precisam de nós para que sejam ouvidos.
Agora é Ela!!! Agora somos nós advogadas e advogados de Mato Grosso!!!
Fabíola Sampaio
Advogada
ARTIGOS
Direitos, saúde e cidadania: os desafios da população trans no acesso à igualdade no Brasil
O reconhecimento de direitos e o acesso pleno à saúde seguem como alguns dos maiores desafios enfrentados pela população trans no Brasil. Mesmo com avanços legais e políticas públicas consolidadas, pessoas trans ainda lidam diariamente com discriminação, exclusão social e barreiras institucionais que comprometem o exercício da cidadania e da dignidade humana.
Na avaliação de especialistas, a efetivação desses direitos passa, necessariamente, pela atuação do Estado, pela qualificação dos serviços públicos e, sobretudo, pela mudança cultural da sociedade.
Avanços no Direito ainda enfrentam resistência social
No campo jurídico, o Brasil já dispõe de importantes garantias à população trans, como o direito ao uso do nome social, a possibilidade de alteração de prenome e gênero diretamente em cartório, sem exigência de cirurgia ou ação judicial, e o acesso a procedimentos de redesignação sexual pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Para Isméria Oliveira, essas conquistas representam mais do que normas legais: são instrumentos de pertencimento social.
“O direito da pessoa trans ao nome social, à alteração do prenome, agnome e gênero em cartório, sem necessidade de cirurgia ou ação judicial, e a possibilidade de cirurgias de redesignação sexual pelo SUS geram pertencimento e cumprem o direito fundamental à igualdade, à identidade de gênero e à felicidade, que decorrem do princípio maior da Constituição de 1988: a dignidade da pessoa humana”, destaca a docente de direito da Faculdade Serra Dourada.
Apesar disso, Isméria alerta que o preconceito estrutural ainda limita a efetividade desses direitos no cotidiano.
“Vivemos em um mundo plural e o Direito, por meio das leis e da jurisprudência, vem aplainando a exclusão e a discriminação. Contudo, a caminhada é longa, porque a sociedade brasileira ainda resiste em incluir pessoas que não se enquadram no padrão de raça, gênero e orientação sexual estabelecidos”, afirma.
Ainda segundo ela, essa exclusão se reflete em constrangimentos sociais, baixa escolarização e dificuldades de inserção no mercado de trabalho, fatores que empurram a população trans para a marginalização.
Na saúde, barreiras institucionais ainda afastam pessoas trans do SUS
Do ponto de vista da saúde pública, os desafios são igualmente complexos. Para Pedro Ibarra, docente de enfermagem, a população trans enfrenta obstáculos que vão desde a discriminação explícita até falhas estruturais nos serviços de saúde.
“Entre os principais desafios estão o desconhecimento dos profissionais sobre identidade de gênero, o uso inadequado do nome e pronome, a patologização das vivências trans e a fragmentação do cuidado, que muitas vezes se restringe à hormonoterapia ou à saúde sexual”, explica.
Essas barreiras, segundo o Enfermeiro, produzem impactos diretos na saúde da população trans.
“O resultado é a evitação dos serviços de saúde, o atraso na busca por cuidado, a piora de agravos evitáveis e o aumento da vulnerabilidade a problemas de saúde mental, violência e exclusão social”, pontua.
Sob a ótica do SUS, Pedro ressalta que esse cenário representa uma violação dos princípios fundamentais do sistema.
“Quando o acesso não é garantido de forma respeitosa e integral, há uma quebra direta dos princípios da universalidade, equidade e integralidade”, afirma.
Formação profissional e educação como caminhos de transformação
Tanto no Direito quanto na Saúde, os especialistas convergem ao apontar a educação como ferramenta central para a transformação dessa realidade. Para Pedro Ibarra, a Enfermagem ocupa posição estratégica nesse processo.
“A Enfermagem está na linha de frente do acolhimento e do cuidado contínuo. No entanto, a formação profissional ainda é insuficiente para responder às demandas reais da população trans”, avalia.
Ele defende que temas como hormonização, protocolos clínicos, fluxos de atendimento e especificidades territoriais sejam abordados de forma sistemática durante a graduação.
Já Isméria Oliveira reforça que a desconstrução dos estigmas sociais passa pelo conhecimento e pelo debate público.
“Os estigmas sociais e morais só serão desconstituídos por meio da educação e da ampliação dos debates sobre identidade de gênero e orientação sexual”, conclui.
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