MATO GROSSO
Câmara estuda criar comissão para acompanhar casos de deputados que relativizaram ou negaram atos golpistas; Abílio na mira
MATO GROSSO
A Câmara dos Deputados deverá criar uma comissão para apurar a conduta de parlamentares que foram diplomados, mas que ainda não tomaram posse, e que relativizaram a gravidade ou negaram a depredação das sedes dos Três Poderes, em particular a Câmara dos Deputados. É o caso do mato-grossense Abílio Brunini (PL), citado nominalmente pelo presidente Arthur Lira (PP) nesta segunda-feira (16).
“Venho conversando com o presidente Lira desde aquele dia, falei com ele hoje pela manhã novamente, ele inclusive deu uma entrevista citando esse caso [do Abílio]. Deputados que estão no exercício do mandato, pelo rito, são investigados pela Comissão de Ética da Câmara. Mas como o Abílio ainda não é deputado, assim como outros parlamentares eleitos que ainda não assumiram e incentivaram esses ataques, o presidente Lira pretende criar uma Comissão especifica”, disse a deputada Rosa Neide (PT), ao Olhar Direto.
A parlamentar lamentou, ainda, o posicionamento de membros da bancada de Mato Grosso diante do ocorrido. Rosa Neide disse que visitou a Câmara um dia após os ataques golpistas e contou o que viu.
“Eu estava em Brasília naquele domingo e no dia seguinte fui pessoalmente na Câmara ver como tudo ficou. Era o tipo de situação que ninguém jamais imaginava que podia acontecer um dia. E aí um deputado de Mato Grosso, três dias depois, depois que tudo já estava limpo e reorganizado, se prestar a publicar um vídeo daqueles… Mas, para toda ação há uma reação. O presidente Lira já deu o recado na coletiva de hoje”, destacou a parlamentar.
“Serão responsabilizados”
O presidente Arthur Lira afirmou nesta segunda que os deputados que estiverem negando a destruição da Casa após os ataques terroristas do dia 08 de janeiro serão responsabilizados.
Conforme noticiado pelo Olhar Direto, Abílio gravou um vídeo no Salão Verde da Câmara na semana passada minimizando os ataques ao Congresso Federal. Na ocasião, o parlamentar eleito foi repreendido por uma mulher que se apresentou como “apoiadora do PT”. As imagens ganharam o Brasil e o mato-grossense vem sendo fortemente criticado.
Na coletiva desta segunda, ao ser questionado se estava falando do caso de Abílio, o presidente da Câmara confirmou que sim. “Justamente isso. Eles terão que ser chamados à responsabilidade, porque, de qualquer maneira, um parlamentar eleito não pode estar divulgando fatos que não condizem com a realidade”.
OLHAR DIRETO
MATO GROSSO
Prorrogação de incentivo fiscal garante alívio ao setor suinícola de Mato Grosso
O Governo de Mato Grosso prorrogou até 31 de dezembro de 2026 o crédito presumido do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) concedido por meio do Programa de Desenvolvimento Rural de Mato Grosso (Proder) para atividades da suinocultura. O benefício, que mantém o percentual de 75% de incentivo nas operações interestaduais com suínos vivos, terminaria no dia 31 de abril, mas foi estendido até 31 de dezembro de 2026, garantindo fôlego ao setor produtivo em um momento de desafios econômicos.
A medida atende a uma demanda apresentada pela Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), com apoio institucional do Fórum Agro, Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Federação das Indústrias de Mato Grosso (Fiemt), Sindicato das Indústrias Frigoríficas do Estado de Mato Grosso (Sindifrigo) e Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec).
De acordo com a Resolução nº 269/2026 do Conselho Deliberativo dos Programas de Desenvolvimento de Mato Grosso (Condeprodemat), publicada após a 33ª Reunião Extraordinária do colegiado, realizada no mês de março, fica autorizada a manutenção da fruição cumulativa de benefícios fiscais nas operações interestaduais de suínos destinados ao abate, engorda, reprodução, cria e recria.
Na prática, o incentivo mantém reduzida a carga tributária nas saídas interestaduais de suínos vivos, assegurando maior competitividade aos produtores mato-grossenses no mercado nacional. O mecanismo combina crédito outorgado e redução de base de cálculo do ICMS, conforme previsto em convênios do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e regulamentações estaduais.
A prorrogação ocorre em um contexto de pressão sobre os custos de produção e margens do setor, especialmente diante de oscilações de mercado e aumento de custos operacionais. Para o presidente da Acrismat, Frederico Tannure Filho, a manutenção do incentivo fiscal contribui para preservar a atividade, estimular investimentos e garantir previsibilidade aos produtores.
“Esse incentivo é fundamental não só para o desenvolvimento da suinocultura de Mato Grosso como a manutenção de produtores na atividade, visto que o primeiro trimestre foi de desvalorização do preço pago ao produtor. Para se ter uma ideia, iniciamos o ano com R$ 8,00 pago ao produtor por cada quilo do animal vivo, e agora no início de abril esse valor está em R$ 6,20, uma queda de 22% aproximadamente”, pondera Frederico.
Com a decisão, o setor suinícola ganha mais tempo para enfrentar o atual cenário econômico, enquanto entidades representativas seguem dialogando com o poder público em busca de medidas estruturais que contribuam para a sustentabilidade da produção em Mato Grosso.
O Proder é um dos principais instrumentos de incentivo ao desenvolvimento rural no estado, permitindo a concessão de benefícios fiscais a segmentos estratégicos da agropecuária, com foco na agregação de valor, geração de emprego e fortalecimento da competitividade.
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