MATO GROSSO
Com receita de R$ 64 milhões em pedágio, concessionária não quer pagar outorga pela MT-100
MATO GROSSO
Mesmo com receita de R$ 64 milhões desde que começou a cobrar pedágio, em dezembro de 2019, o Consórcio Via Brasil MT entrou com pedido de “reequilíbrio econômico financeiro” na Agência Reguladora Estadual de Mato Grosso (Ager-MT) para deixar de pagar a outorga calculada sobre 1% do valor da receita de pedágio.
De acordo com documentos obtidos pela reportagem do Agro Olhar, a empresa tenta de forma administrativa desde 2019 reduzir os custos da concessão por entender que houve prejuízo de cerca de R$ 4 milhões com a decisão da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra-MT) de conceder isenção de pedágios a caminhões que trafegam vazios por rodovias privatizadas.
O braço da Via Brasil MT que administra trecho de 119 Km na rodovia MT-100 entrou com diversos pedidos na Ager-MT para deixar de pagar a outorga, calculada em 1% sobre a receita. Atualmente a Via Brasil MT cobra R$9,60 de pedágio para automóveis simples, valor que pode chegar a mais de R$70 dependendo do tamanho do veículo.
Segundo dados do último balanço financeiro publicado pela própria empresa, Via Brasil recebeu R$ 23 milhões em pedágios somente na MT-100 entre junho de 2020 e junho de 2021, segundo dados do último balanço publicado, que desconsiderm as demais rodovias estaduais em que a empresa atua.
Segundo um levantamento feito pela consultoria Houer Engenharia, a pedido da Ager-MT, o valor total arrecadado desde que a cobrança de pedágio foi autorizado chegou a R$64 milhões até março de 2021.
A partir da receita acumulada, os técnicos da Houer Engenharia calcularam a outorga paga no período, que foi fixada em R$643 mil. A auditoria contratada pelo governo recomendou o reequilíbrio do contrato com a redução a 0% da taxa de outorga. Além disso, a Houer também recomendou alterações no cronograma de investimentos da rodovia. Com isso, a concessionária deixará de pagar a outorga prevista em edital.
Concessões da BR-163 e 230
A Via Brasil é a empresa vencedora da concessão de mais de 1 mil quilômetros das BRs-163 e 230, entre os municípios de Sinop (MT) e Miritituba (PA). O senador Carlos Fávaro (PSD) apresentou nesta segunda-feira (24) ao Tribunal de Contas da União (TCU-MT) um pedido para que a empresa não assuma as rodovias federais.
No pedido, o parlamentar defende que a Corte suspenda imediatamente a assinatura do contrato junto à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), até que fique comprovada a capacidade econômica do grupo de empresas para realizar as intervenções previstas no acordo.
O senador destacou em seu pedido que além da MT-100, a Via Brasil possui duas concessões para a exploração de rodovias estaduais em Mato Grosso, a MT-208 e a MT-320, totalizando 188 quilômetros e ligando os municípios de Alta Floresta, Carlinda, Nova Canaã do Norte, Colíder e Nova Santa Helena à BR-163.
“Com isso, o cidadão mato-grossense tem sofrido muito com o péssimo serviço prestado. A única coisa que funciona é a cobrança do pedágio. O resto é abandono”, pontuou o senador.
FONTE/ REPOST: LÁZARO THOR BORGES – OLHAR DIRETO
MATO GROSSO
“Tumores cerebrais estão entre as principais causas de óbitos em crianças”, reforça especialista
O mês de maio é marcado pela campanha Maio Cinza, dedicada à conscientização sobre os tumores cerebrais, uma condição grave que exige atenção, informação e acesso rápido ao diagnóstico e tratamento adequado. A iniciativa busca alertar a população sobre sinais e sintomas, além de reforçar a importância da detecção precoce para aumentar as chances de controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima cerca de 11.400 novos casos anuais de câncer cerebral e do sistema nervoso no Brasil. Em Mato Grosso, a taxa projetada fica em torno de 140 casos. De acordo com o médico cancerologista pediátrico e coordenador científico do projeto de Diagnóstico Precoce da Associação de Amigos da Criança com Câncer (AACCMT), Dr. Wolney Taques (CRM-MT 3592, Cancerologia Pediátrica-RQE-48), os tumores cerebrais estão entre as condições neurológicas mais complexas e desafiadoras da medicina e as que mais causam óbitos.
“Sabemos que esses tumores podem acometer pessoas de qualquer idade. No entanto, em crianças, eles estão entre as principais causas de mortalidade, juntamente com casos de leucemia e linfoma. Trata-se de um tipo de câncer bastante agressivo, que pode deixar sequelas”, explicou o médico.
Embora não sejam necessariamente a forma mais comum de câncer, eles estão associados à alta gravidade clínica, especialmente devido ao impacto que podem causar em funções vitais do sistema nervoso central. Em muitos casos, o diagnóstico tardio contribui para a piora do prognóstico, o que torna a conscientização ainda mais essencial.
Entre os principais sintomas que merecem atenção estão dores de cabeça persistentes e progressivas, alterações visuais, convulsões, mudanças de comportamento, dificuldades motoras e problemas de fala ou memória. A presença desses sinais não significa necessariamente a existência de um tumor, mas indica a necessidade de avaliação médica especializada.
O diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para o sucesso do tratamento. Exames de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética são fundamentais para identificar alterações no cérebro e permitir a definição da conduta terapêutica mais adequada, que pode incluir cirurgia, radioterapia e quimioterapia, dependendo do caso.
“É fundamental destacar que crianças que apresentem sintomas devem ser avaliadas por um médico pediatra. Caso haja suspeita de tumor cerebral, o encaminhamento imediato para um especialista em oncologia pediátrica é essencial, pois aumenta as chances de cura e reduz o risco de sequelas. Tanto o pediatra quanto o especialista em oncologia pediátrica podem solicitar exames de imagem, como tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que são decisivos para confirmar o diagnóstico”, concluiu.
Ao longo desses 27 anos, a AACCMT já acompanhou cerca de 900 crianças e adolescentes e realizou mais de 25.638 mil atendimentos. Entre eles alguns casos de tumores cerebrais.
“Nosso objetivo é oferecer todo o apoio necessário para que crianças e adolescentes possam realizar o tratamento adequado e receber acompanhamento psicológico, com a participação da família, sem comprometer a rotina escolar por estarem afastados de casa”, pontuou o vice-presidente da AACCMT, Benildes Firmo.
Sobre a AACCMT
A AACMT é uma instituição sem fins lucrativos que oferece hospedagem gratuita para crianças com câncer e um acompanhante. Os assistidos vêm do interior de Mato Grosso, de outros estados, de áreas indígenas e até de outros países, em busca de tratamento em centros especializados de oncologia pediátrica em Cuiabá.
A associação disponibiliza também alimentação, transporte, atendimento psicossocial e acompanhamento multiprofissional, iniciativas que fazem a diferença na jornada de quem enfrenta a doença. Tudo isso é realizado de forma gratuita.
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