MATO GROSSO
Cuiabá limita público de shows e jogos em 30% e exigirá vacinação
MATO GROSSO
Durante live realizada na noite desta terça-feira, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), anunciou que editou um decreto com medidas restritivas visando o combate à Covid-19. O texto trata exclusivamente sobre realização de eventos artísticos, culturais e esportivos.
De acordo com o decreto, eventos em estádios, ginásios e casas de shows devem limitar o público em 30% da capacidade dos locais. Da mesma forma, eventos e celebrações religiosas, sendo que os cultos terão que observar somente as medidas de biosegurança.
Além disso, o prefeito destacou que o público presente deve apresentar comprovante de vacinação da Covid-19 com, pelo menos, duas doses ou com a dose única em caso de imunização com a vacina da Jansen. Devem ainda ser observadas regras de biossegurança, como uso de máscara, distanciamento de 1,5 metro e álcool em gel.
Não há prazo para duração do decreto e o prefeito espera revogá-lo o mais rápido possível caso aconteça uma queda nos casos e mortes gerados pela pandemia. “Não é o que queremos, mas se torna necessário diante desse aumento de casos de Covid-19 nos últimos dias”, explicou Emanuel, citando que o decreto atende orientação do Centro de Operações Especiais de Saúde Pública, ligado a Secretaria de Saúde do Estado.
A medida impactará na realização de grandes eventos previstos para a Capital no próximo mês. O prefeito ainda aproveitou para agradecer o arcebispo de Cuiabá, Dom Milton, que suspendeu a realização do Vinde e Vede, realizado durante o Carnaval justamente por conta do aumento de casos. “Fico muito feliz pela Igreja Católica, em nome do Dom Milton, estar sensível a esse momento que estamos vivendo, que requer cuidado com a vida”, colocou.
Da mesma forma, pediu que a Assembleia de Deus reveja a realização do encontro religioso que promove no período do Carnaval no Grande Templo. “Caso não seja possível, por motivos de já estarem programando há algum tempo, de logística ou até financeiro, deve obedecer essas limitações previstas no decreto”, avisou.
O prefeito disse que o decreto está em vigor por tempo indeterminado. “Mas espero que seja o mais breve possível, que essa situação da Covid melhore logo. Todos sabem que sou um incentivador dos eventos, gosto de ir, tomar minha cervejinha. Mas nesse momento, temos que priorizar os cuidados”, assinalou.
FONTE/ REPOST: WELLINGTON SABINO – FOLHA MAX
MATO GROSSO
Grupo Nova Fronteira aprova plano de recuperação judicial com passivo superior a R$ 600 milhões
Plano foi aprovado em todas as classes de credores e prevê financiamento DIP de R$ 13 milhões; credores também autorizaram novo período de proteção de 180 dias para apoiar a implementação da reestruturação
O Grupo Nova Fronteira teve seu Plano de Recuperação Judicial aprovado pelos credores em Assembleia Geral realizada nesta quarta-feira (26). A decisão representa um dos principais marcos do processo de reestruturação financeira do grupo, que reúne 112 credores e passivo superior a R$ 600 milhões.
A recuperação judicial, conduzida pela ERS Advocacia, envolveu negociações com credores de diferentes perfis, entre eles instituições financeiras públicas e privadas, cooperativas de crédito, fornecedores de insumos e equipamentos agrícolas e agentes financeiros.
O plano recebeu aprovação em todas as classes de credores. Nas classes Trabalhista e de Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (ME/EPP), a adesão foi de 100%. Entre os credores com garantia real, o índice de aprovação alcançou 84,18%, enquanto na classe dos quirografários chegou a 66,62%.
Entre as medidas previstas está a contratação de um novo financiamento DIP (debtor-in-possession) de R$ 13 milhões, destinado ao reforço do capital de giro. A operação já foi aprovada pelo Banco BTG, instituição com a qual o Grupo manterá relacionamento comercial.
Embora houvesse autorização judicial para requerer nova suspensão da assembleia por até 60 dias, o avanço das negociações ao longo do próprio dia permitiu que credores e devedores prosseguissem para a votação, culminando na aprovação do plano.
Para Victor D’Elia, advogado responsável pela condução do processo, o resultado reflete a complexidade das negociações e a busca por uma solução capaz de conciliar a preservação da atividade econômica com os interesses dos credores.
“Esta foi uma das recuperações judiciais mais complexas em curso no Estado, não apenas pela dimensão do passivo, superior a R$ 600 milhões, mas principalmente pela natureza dos créditos, pelas garantias envolvidas e pela diversidade de credores. A aprovação em todas as classes demonstra que foi possível construir uma solução equilibrada, capaz de preservar a atividade do grupo e, ao mesmo tempo, considerar os interesses dos credores”, afirma D’Elia.
Credores aprovam novo período de proteção
Além do plano de recuperação, os credores aprovaram, por 73,01% dos créditos presentes e votantes, a concessão de um novo período de proteção de 180 dias.
A medida busca assegurar estabilidade durante a fase inicial de implementação do plano, preservando bens essenciais à atividade produtiva e evitando medidas expropriatórias que possam comprometer a operação e, consequentemente, a capacidade de cumprimento das obrigações assumidas na recuperação.
O resultado da assembleia também evidencia o papel cada vez mais relevante da negociação entre devedores e credores nos processos de recuperação judicial. Em reestruturações de maior complexidade, a construção de soluções consensuais tem se consolidado como instrumento central para compatibilizar a continuidade da atividade empresarial com a recuperação dos créditos.
Nova etapa para o Grupo Nova Fronteira
Com mais de quatro décadas de atuação no agronegócio, o Grupo teve o processamento de sua recuperação judicial deferido em dezembro de 2024 pelo juiz Márcio Guedes, da Vara Especializada de Cuiabá -MT. Na ocasião, o passivo declarado era de R$ 594,3 milhões.
Superada a etapa de deliberação dos credores, o processo entra agora em uma nova fase, voltada à implementação das condições negociadas, ao cumprimento das obrigações previstas no plano e à continuidade das atividades produtivas.
Para João Paulo Marquezam, CEO do Grupo Nova Fronteira, a aprovação representa também uma sinalização ao mercado sobre a continuidade das operações.
“A aprovação passa uma mensagem importante para o mercado: o Grupo Nova Fronteira continua firme na atividade e superou o estado de crise. Depois de um processo longo e de negociações complexas, começa agora uma nova fase, que exige disciplina para cumprir o que foi negociado, manter a produção e reconstruir a relação de confiança com credores, fornecedores e parceiros comerciais”, afirma.
Atualmente, o grupo possui 25 mil hectares de área própria, dos quais 6 mil hectares são destinados ao cultivo de soja, além de estrutura com capacidade para 40 mil animais, entre pastagens e confinamento.
A manutenção dessa estrutura produtiva será um dos principais pilares da nova etapa da reestruturação, ao sustentar a geração de caixa necessária para a continuidade das operações e o cumprimento das obrigações estabelecidas no plano de recuperação judicial.