MATO GROSSO
Emanuel admite risco de atrasar salários de servidores em Cuiabá
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O prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), disse que a situação está “difícil” depois da queda na arrecadação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), fruto da lei aprovada pelo Congresso Nacional, limitando a cobrança do imposto em vários serviços e produtos a 17%. Do todo arrecadado pelo ICMS, 25% fica com os municípios e, por isso, o teto causou grande impacto nas contas públicas.
“De julho de 2022 à primeira semana de dezembro, comparado ao mesmo período do ano passado, Cuiabá perdeu R$ 53 milhões do repasse do ICMS. Isso é um baque, um baque violento e que o Neurillan ontem falou com a imprensa, está com medo que a maioria das prefeituras não pague nem a folha”, disse o prefeito.
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O prefeito afirma que as contas estão em risco, mas fará de tudo para não atrasar os salários dos servidores.
“Cuiabá está sofrendo. Estamos tendo que segurar um monte de serviço para honrar os compromissos e a folha. Nós estamos sofrendo muito. O sacrifício está muito grande, mas se continuar essa situação o risco é eminente para o Brasil inteiro, para todos os municípios”, disse.
Segundo conta Emanuel, os prefeitos estão sem saber o que fazer para honrar seus compromissos sem uma contrapartida em razão das perdas no erário. “Diversos prefeitos têm me ligado, encontrei em Brasília com vários, estão desesperados. E está difícil mesmo”, admitiu.
Em Cuiabá, a situação ainda se mantém sob controle, segundo ele, mas em longo prazo, há a possibilidade de um desajuste nas contas públicas. O próprio governo do Estado, lembrou o prefeito da Capital, admitiu preocupação após um prejuízo de R$ 503 milhões.
“O governador não falou que está com o caixa cheio, com dinheiro sobrando, com R$ 8 bilhões em caixa, não falou que está com medo se persistir essa lei e Mato Grosso voltar a antigamente? Que ele já está amargando um prejuízo de 503 milhões. É a realidade. Isso é geral”, disse.
O prefeito reafirmou o compromisso da administração em manter os salários em dia, apesar das dificuldades. Apesar disso, considera que o risco para todas as prefeituras “é iminente”.
REPORTER MT
MATO GROSSO
Suinocultura mato-grossense fecha 2025 com recordes de exportação e projeta 2026 de atenção aos custos e foco na industrialização
O ano de 2025 foi marcado por resultados expressivos para a suinocultura brasileira, impulsionados principalmente pelos recordes de exportação alcançados pelo país. Mato Grosso acompanha esse desempenho positivo e registra números históricos tanto em exportações quanto em abates, evidenciando a força de recuperação da atividade após os desafios enfrentados em 2022 e 2023.
Um dos marcos mais relevantes de 2025 foi o reconhecimento do Brasil como zona livre de febre aftosa sem vacinação. A conquista amplia as expectativas de abertura de novos mercados e reforça o trabalho sério e contínuo realizado pelo país, especialmente por Mato Grosso, na manutenção de um elevado status sanitário.
Outro destaque do ano foi a mudança no perfil dos compradores da carne suína brasileira. Tradicionalmente lideradas por China e Hong Kong, as exportações passaram a contar com maior protagonismo das Filipinas, além do fortalecimento de mercados exigentes como Japão, México e outros países.
Segundo a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), a produção nacional deve atingir 5,47 milhões de toneladas em 2025, alta de 2,0% em relação a 2024.
Mesmo com a expansão da oferta, os preços pagos ao produtor reagiram positivamente. Dados do Cepea mostram que, até o terceiro trimestre, as cotações ao produtor independente subiram 10,8% na comparação anual, sustentadas pela boa demanda.
No acumulado de janeiro a novembro, as exportações brasileiras de carne suína cresceram 10,8%, superando o volume de 2024 — que já havia sido um ano recorde. As Filipinas consolidaram-se como o principal destino, representando 24,5% da receita, seguidas por Japão, China e Chile.
De acordo com os dados compilados pelo Data Hub da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sedec), as exportações de carne suína passaram de US$ 59,97 milhões entre janeiro e novembro de 2024 para US$ 68,55 milhões no mesmo intervalo de 2025. O setor manteve crescimento impulsionado pela ampliação de mercados compradores, sobretudo na Ásia.
“Mesmo com o crescimento das exportações, o mercado interno não enfrentou desabastecimento. A produção seguiu equilibrada e acompanhou a expansão da demanda externa. O cenário demonstra a capacidade produtiva do país: sempre que desafiado, o produtor brasileiro responde com eficiência, qualidade e volume, garantindo o atendimento dos mercados interno e internacional”, pontua o presidente da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat), Frederico Tannure Filho.
Para 2026, o principal ponto de atenção do setor está relacionado aos custos de produção. O plantio da safra 2025/2026 ocorre de forma atrasada em função de problemas climáticos e da falta de chuvas, o que gera preocupação quanto à safrinha de milho no Centro-Oeste. O risco de menor produtividade e qualidade do grão acende um alerta, já que o milho representa um dos principais componentes do custo da suinocultura.
“Diante desse cenário, a orientação é para que os produtores estejam preparados para enfrentar possíveis elevações nos custos ao longo do ano. No mercado, a expectativa é de estabilidade tanto nos preços do suíno quanto no consumo interno e nas exportações, que devem permanecer firmes. Assim, o ambiente comercial tende a ser equilibrado, embora com atenção redobrada aos impactos dos custos de produção”, ressalta, Tannure.
Em Mato Grosso, mesmo sem crescimento significativo do plantel, a produção estadual continua em expansão, acompanhando a demanda e evitando desabastecimento. O desempenho reforça a resiliência e a força do produtor mato-grossense.