MATO GROSSO
Formação e mentorias aceleram negócios criativos de Mato Grosso
MATO GROSSO
Diversas iniciativas do segmento da economia criativa em Mato Grosso estão percorrendo uma jornada de aprendizados em busca da criação de negócios rentáveis e sustentáveis. Desde outubro do ano passado, 27 projetos e negócios criativos receberam formação por meio do edital Move_MT.
Essa é uma iniciativa da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer (Secel-MT) em parceria com o Labora – Laboratório de Inovação Social do Oi Futuro. Até agora, os responsáveis pelos projetos selecionados participaram de reuniões de diagnóstico, workshops coletivos e receberam atendimentos individualizados em mentorias quinzenais nas áreas de gestão e tecnologia.
O encerramento das atividades será em abril deste ano, totalizando 6 meses e cerca de 2,5 mil horas de capacitação. Para a idealizadora do projeto Potências Negras Criativas, Silviane Ramos, a participação no Move_MT fez mover, literalmente, novas possibilidades para o negócio crescer.
“Somos a primeira incubadora de negócios criativos negros em Mato Grosso e participar dos workshops e mentorias trouxe um grande avanço para nos reconhecermos e fortalecermos as nossas ações. Conseguimos pensar melhor o nosso negócio, enxergar o público a ser atendido, definir a plataforma de divulgação ideal e movimentar outros negócios de pessoas pretas. O Move impulsionou ainda mais as nossas potencialidades”.

Os workshops realizados abordaram temas sobre Comportamento Empreendedor, Economia Criativa, Inovação, Desenvolvimento Sustentável e Ferramentas de Prototipagem Digital. Em março, a programação inclui o workshop de Captação de Recursos.
Além dos cursos coletivos e das mentorias individuais, foram ainda ofertados encontros chamados de Café com Líderes em que fundadores ou representantes de outras iniciativas de sucesso compartilham experiências de suas atividades. Neste mês, o encontro contou com um especialista em redes sociais.
Os participantes passarão também por formação em Pitch, uma técnica de apresentação verbal concisa para despertar interesse e vender a ideia do negócio ou projeto desenvolvido. Com o aprendizado, cada empreendedor vai ressaltar os aspectos mais importantes do seu negócio à banca final do Move_MT, que fará o papel de investidor.

De Alta Floresta, Bruno Pitarello – ou Bruno do Mato – como é mais conhecido, já amadureceu várias etapas de implementação do seu negócio desde que foi selecionado no edital. Idealizador do Ponto AgroEcológico Dente-de-Leão, ele dispõe de um espaço de soluções sustentáveis, oferecendo oficinas, turismo e hospedagem vinculadas a vivências agroecológicas.
“Não tenho nem palavras para descrever o Move, está sendo melhor do que eu esperava. Participo de forma bem assídua de todas as atividades e isso está ajudando bastante na gestão e na organização do Dente-de-Leão. Agradeço muito à Secel e ao Oi Futuro por essa oportunidade”, expressa o empreendedor.
Mais sobre o Move_MT
Dividido em duas etapas, o projeto é voltado para aceleração de projetos criativos, de inovação ou de impacto sociocultural em Mato Grosso. A primeira fase ofertou workshops gratuitos sobre inovação, modelagem de negócios inovadores, ferramentas de tecnologia para negócios digitais e técnicas de Pitch. Com 200 vagas por curso de 3 horas cada um, as atividades movimentaram artistas, produtores culturais e empreendedores da economia criativa de todo o Estado.
Na segunda etapa, a iniciativa selecionou, por meio de edital, iniciativas de vários municípios mato-grossenses para participação no ciclo de seis meses de aceleração com capacitações que visam amadurecer os processos de gestão e embarcar tecnologia no modelo de atuação.
Todas as atividades são totalmente gratuitas e realizados em ambiente virtual, por meio de plataforma de videoconferência.
Cada iniciativa selecionada no edital recebeu uma ajuda de custo como prêmio pela participação. Serão ainda distribuídos R$ 170 mil reais em recursos aos empreendedores que obtiverem o melhor desempenho ao longo do ciclo de aceleração e durante a apresentação do Pitch. O objetivo é que as premiações impulsionem a evolução dos negócios e projetos.
As experiências e aprendizados de toda a jornada serão registrados em um e-book do projeto, que será publicado e disponibilizado gratuitamente pelo Oi Futuro e Secel-MT.
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Credores rejeitam plano e recuperação do Grupo Pelissari entra em fase decisiva
A recuperação judicial do Grupo Pelissari entrou em um momento decisivo após os credores rejeitarem o plano apresentado pela empresa. A decisão foi tomada durante Assembleia Geral de Credores (AGC) realizada em 2025 e representa uma mudança significativa no rumo do processo, que tramita na 4ª Vara Cível de Sinop.
Durante a assembleia, pedidos de nova suspensão não foram aceitos pela Administração Judicial, que considerou o histórico de prorrogações anteriores sem avanços concretos. Com a rejeição do plano, a recuperação avança para uma etapa menos comum: a possibilidade de os próprios credores apresentarem uma proposta alternativa de reestruturação.
Essa possibilidade, prevista na Lei de Recuperação e Falências, muda o centro das negociações. Sem um plano aprovado, o processo entra em uma fase crítica, na qual o grupo devedor precisa demonstrar viabilidade econômica e recuperar a confiança dos credores. Caso contrário, cresce o risco de a recuperação ser convertida em falência.
Diante desse cenário, a AGC autorizou a abertura de prazo para apresentação de um plano alternativo. Entre os principais credores envolvidos estão a Blackpartners Fundo de Investimento e as empresas Terra Forte, Maré Fertilizantes e Vicente Agro, que protocolaram conjuntamente uma nova proposta de reorganização.
Segundo os documentos apresentados ao juízo, o plano alternativo busca enfrentar problemas apontados pelos credores, como a falta de informações claras e previsibilidade financeira. A proposta prevê critérios objetivos de cumprimento, maior transparência sobre o desempenho operacional e mecanismos de fiscalização, pontos considerados essenciais em operações ligadas ao agronegócio, setor marcado por forte sazonalidade.
Além do novo plano, os credores também solicitaram acesso ampliado a informações da empresa, com pedidos de medidas de apuração, incluindo requerimentos relacionados à quebra de sigilos e ao uso de ferramentas de rastreamento de dados. A análise dessas medidas ainda depende de decisão judicial, mas tende a aumentar o nível de controle e escrutínio sobre a operação do grupo.
Para o advogado Felipe Iglesias, o uso desse instrumento mostra a gravidade do momento vivido pela empresa. “A apresentação de um plano alternativo por credores é prevista em lei, mas não é comum na prática. Quando acontece, geralmente indica que os credores não enxergam, naquele momento, uma proposta do devedor capaz de equilibrar viabilidade econômica e execução efetiva. Se o plano alternativo também for rejeitado, o risco de falência se torna concreto”, afirma.
Para o mercado, o episódio sinaliza que a recuperação judicial do Grupo Pelissari entra em uma fase em que governança, transparência e consistência das informações passam a ser tão importantes quanto o cronograma de pagamentos. O processo segue agora para um ponto decisivo: ou a reestruturação será redesenhada sob liderança dos credores, ou haverá uma tentativa de recomposição de consensos para evitar um desfecho mais severo.
Em recuperações judiciais, o fator tempo costuma pesar contra empresas com baixa previsibilidade. Uma nova assembleia geral destinada à aprovação do plano de credores deverá ocorrer ainda no primeiro semestre de 2026. Caso o plano seja rejeitado, será decretada a falência.